sábado, 11 de agosto de 2012

Dia a dia no hotel




Apresentamo-nos na empresa. Mas ainda não entramos na área fabril, fomos diretos participar de uma semana de treinamento e integração cumprindo assim uma das exigências da empresa para novatos que ali estavam ingressavam.

Enquanto isso no Hotel Mahatma Gandhi, quando chegávamos da empresa, nossos primeiros dias se resumiam a comprar pão na primeira esquina, jantar quase todos os dias pão com patê (invenção de Juliana) e uma caixa de achocolatado que partíamos para os cinco como jantar. Depois, assistíamos TV no saguão e escutávamos as anedotas de Seu Chico. Vez por outra, conversávamos também com o Sr. Naim (indiano, dono do hotel), um senhor muito educado e com um forte sotaque estrangeiro. Tinha também o ritual das ligações noturnas do orelhão, para dar notícias a família. Uns com maior frequência que outros, não é Marcio Junior? Rs. Depois disso, era só dormir cedo. Afinal, aquela experiência era novidade para todos e a mudança de rotina nos deixou muito cansados no início.

           Alguns dias depois, começamos alargar mais as fronteiras e aos poucos fomos saindo para a Praça da Bandeira, onde conhecemos um sertanejo que vendia cachorro-quente em uma barraca a preço de estagiário, o que logo substituiu o pão do jantar em alguns dias para variar um pouco. O "Galego" passou a nos chamar apenas de Cajazeiras, fazendo mensão a nossa origem. Mas sempre dormindo cedo, já que no dia seguinte, levantava cedo, tomava café no hotel e saia para pegar o ônibus da empresa para um percurso de aproximadamente 30 minutos. Os cafés no hotel... Rs. Quando juntava em uma mesa eu, Elivaldino e Márcio... Janaína traz mais queijo! Janaína, mais ovo! Janaína, e as frutas? Rs. Ô povo pra comer... E a pobre da Janaína é que cansava as pernas, acho que ela deu graças a Deus quando saímos de lá!
 
 
Teve um episódio interessante uma vez que precisamos comprar pão a noite para o ritual de jantar diferente do meu sertão. E novamente o acompanhamento era patê e achocolatado. E ninguém queria ir à padaria. O detalhe era o seguinte, o hotel estava lotado de hóspedes jovens, na sua maioria mulheres, vindos de outras cidades e estados vizinho para prestarem vestibular em Campina Grande como é uma tradição conhecida da cidade. Depois de discursões e um sorteio no final, Márcio Junior foi o premiado para cruzar o saguão trazendo consigo uma sacola de lado com 25 pãezinhos para nosso jantar. O tamanho dos pães era inversamente proporcionais a nossa fome. Que saudades do rubacão com carne assada na casa de mamae...
 
 
E assim os dias corriam. Entre o hotel e a empresa, o cansaço aumentava. Mas teríamos um dia de folga para fazer exames admissionais. E como encontrar as três clínicas diferentes para realizar os tais exames? Ainda bem que Bruno disse que sabia onde era. Mas será que ele sabia mesmo? Isso eu conto na próxima postagem.




Francisco Trajano

sábado, 21 de julho de 2012

Chegando para começar a vida de estagiário

 

             Em uma manha de outubro, cheios de ansiedade, ficamos olhando o expresso Guanabara entrar na Rainha da Borborema (como é conhecida a cidade de Campina Grande). Encontramos um clima totalmente diferente do que deixamos no sertão, o sol nascia como se estivesse envergonhado em meio aquela chuva fina e um acinzentado na paisagem que mal dava pra ver a alguns metros a frente. Desembarcamos no terminal rodoviário Argemiro de Figueredo aproximadamente às 04:30 da manha. Na ala masculina, não se via muita coisa de bagagem. Cada um trazia uma pequena mala e uma mochila nas costas. Já Juliane, achávamos que ela não tinha deixado nada em casa: duas malas grandes, uma bolsa e uma mochila.
Parecidos com retirantes, seguimos juntos até a parte superior e ficamos próximo aos guichês, na esperança e na espera por um carro da empresa que logo estaria chegando para nos pegar (pelo menos era o que esperávamos. Um pouco desprotegidos de roupas para o frio que não imaginavamos encontrar, mas ninguém quis tirar cobertor das malas, afinal isso seria passar por “matuto” rs. Então ficamos alí, naquele frio desgraçado, expostos ao vento gelado, sem querer nos amparar na parte de baixo, o motorista poderia não nos ver e causar problemas. Já se passava uma hora e nada de carro. O frio é que era o companheiro inseparável. A orientação da escola foi clara: Nada de perturbar a empresa, já que esta ofertando essas vagas de estagio para a escola.
Quando deu sete horas da manha, estávamos a duas horas e meia naquele teste para sobreviventes do Titanic, quando tomamos uma decisão: Tínhamos que fazer contato com a empresa. Alí mesmo me elegeram como a pessoa que lideraria o grupo, mantendo aquele primeiro contato. Liguei para a empresa e na portaria me informaram que simplesmente não tinha aviso nenhum para pegar estagiários na rodoviária. Mas que estariam enviando naquele momento. Imaginem se não tivesse ligado! Alguns minutos depois, o Sr. João Alves chegou numa perua se desculpou pelo mal entendido e saio conosco meio que apressado pelas ruas que eram todas novidades para nós. Eu como líder do grupo, sentei na frente e comecei puxar conversa com o motorista que me falou está nos levando a um hotel no centro da cidade, onde ficaríamos hospedados os primeiros dias pela empresa.

A chuvinha não dava trégua. Quando paramos em frente ao Hotel Mahatma Gandhi, o motorista João Alves apenas olhou pra mim e disse: Vá perguntar a moça da recepção se a reserva está ok. Apresentei-me na recepção, fui atendido pela Sra. Socorro que confirmou a reserva feita pela empresa e pediu apenas para aguardar o preenchimento da ficha de cada um. Voltei para o motorista da perua, confirmei a situação e chamei os colegas para entrar e fazer as fichas. Antes de ir embora, João falou que retornaria as 10:00 horas para nos pegar. Fizemos o registro no Hotel e seguimos para os quartos, orientados por "Seu Chico" um senhor muito simpático, cheio de bom humor que expressava felicidade e contagiava a todos com sua forma simples de conversar, sorrir, viver. Na divisão dos quartos ficamos eu e Elivaldino em um, Marcio e Bruno em outro em frente ao nosso e um andar acima ficou Juliane em outro quarto.
A euforia era total, apesar do cansaço. Mas era hora de desfazer mala tomar um banho, tomar café e aguardar e visita à empresa para conhecer melhor as dependências. Estávamos ali dando início a nossa aventura na cidade grande.
Francisco Trajano

domingo, 10 de junho de 2012

Resultado da Entrevista

Depois da entrevista comentada na última postagem, o resultado demorou um pouco a chegar à escola. Alguns dias se passaram e eu, não sei porque comecei a acreditar que tinha chances, mesmo depois do que aconteceu na entrevista. A ansiedade tomava conta de quem estava terminando um curso técnico e não tinha mercado de trabalho na região. Campina Grande era vista como a grande oportunidade, e era.
Na escola, a busca por informações do resultado eram constantes, porém recebíamos orientação apenas para esperar. Uma amiga minha do setor administrativo que fazia parte do encaminhamento dos concluintes ao estágio nas empresas, recebia minha visita diariamente. Quando eu chegava na porta da sala, Lucinéria já olhava e falava – Nada ainda Trajano. Até que uma tarde, eu estava sentado no pátio da escola esperando alguns amigos para juntos irmos a oficina de enrolamento de motores concluir a prática que fechava a disciplina, quando Lucinéria apareceu na rampa que dava acesso ao pátio e me chamou. Pelo olhar dela, vi que tinha novidades.
Subi correndo a rampa e a acompanhei até a sala da Coordenação de Apoio ao Estudante (CAEST), quando entramos ela fechou a porta e pediu que eu sentasse. Olhou pra mim e falou: Acabei de receber o fax enviado pela empresa de Campina Grande, seu nome está entre os aprovados, no entanto, não podemos divulgar o resultado oficialmente até que o diretor da escola assine o fax e libere para tal, estou te falando porque você é o mais ansioso por esse resultado. Na mesma hora, sugerir para ela que eu ficasse ali na sala mesmo até o diretor chegar, o que aconteceria em meia hora, porque se eu voltasse para o pátio, falaria para todos que encontrasse tamanha era a minha felicidade.
Depois que o diretor liberou o resultado para ser divulgado oficialmente, fui até a xerox, mandei fazer 5 cópias do fax para entregar junto com a notícia aos selecionados (a minha cópia eu guardo até hoje), e sai na busca pelos maiores interessados na notícia. Durante o percurso, fui falando aos quatro ventos que eu estava indo estagiar em Campina Grande.  Caminhando pela escola, comecei analisar os nomes dos “heróis” que partiriam para a aventura profissional e descobri uma coisa: os “escolhidos” eram as pessoas mais diferentes que tinham na turma, começava se configurar ali, antes de qualquer coisa, uma prova de resistência a ser enfrentada, pois teríamos que começar juntos.
Como Cajazeiras concentrava um alunado de diversas cidades circunvizinhas e até mesmo de outros estados, os cinco mais novos estagiários tinham até as naturalidades todas diferentes: O primeiro a aparecer na lista foi Bruno Carolino, natural de Cajazeiras mesmo. Tão calmo que chegava a irritar tamanha era sua tranquilidade.
Vindo de Brejo do Cruz PB, o já citado na postagem do xadrez: Elivaldino Clementino. Provocador, perturbava qualquer ser vivo na sala de aula. Esse era de um jeito que tinha um apelido carinhoso de “Satanás” na turma, rs. Por causa de suas armações, estava sem falar comigo a alguns meses, e por isso pensei que seria o Calo da nova turma. Me enganei, quando ele soube da notícia, veio ao meu encontro, me deu um abraço como se nada tivesse  acontecido e disse: Estamos indo morar junto em campina. E posso garanti, foi um dos mais fiéis durante o estágio. 
E não veio só macho não, em meio a essa euforia do resultado, eis que aparece Juliane Fernandes. Vinda de Cachoeira dos Ìndios PB, estudiosa e metida a intelectual, não se batia muito Elivaldino, mas agora, estávamos todos no mesmo barco e teríamos que remar juntos.
As barreiras do estado foram quebradas e a participação cearense veio com Márcio Júnior que saiu do sítio Tipí, município de Aurora no Ceará. O enigmático já trazia uma particularidade no nome: O único Márcio JUNIOR que era filho de Seu Francisco, rs. O roqueiro que adicionou ao seu estilo musical o forró quando chegou a Campina Grande, tinha seu jeito digamos “esquisito”, rs, mas, um profissional muito competente se mostrou no decorrer do estágio.
E eleito antes mesmo da viagem como líder dessa miscigenação de pensamentos, eu sai de Nazarezinho com a missão de apaziguar os conflitos e manter essa galera unida. Afinal, sem a união da equipe não seria possível começar a vida numa cidade grande, sem parentes, ganhando pouco e sem ao menos conhecer a cidade. E assim, nos reunimos em Cajazeiras e partimos no Expresso Guanabara com destino a Campina Grande para darmos início a uma nova etapa de nossas vidas.
Nas cenas do próximo capítulo, falaremos da chegada à cidade grande, do impacto sentidos pelos “heróis” e as primeiras dificuldades.

Francisco Trajano

sábado, 19 de maio de 2012

Entrevista de Emprego


Depois de uma prova escrita e um teste psicotécnico na Escola Técnica Federal de Cajazeiras, no inicio do segundo semestre de 1999, fiquei entre os convocados para dar continuidade ao processo seletivo em uma empresa de Campina Grande. Viajamos aproximadamente vinte alunos para fazer uma entrevista com o gerente da área de manutenção que escolheria cinco dos participantes para o estágio supervisionado, obrigatório para a conclusão do curso de Eletromecânica.
Chegando a Campina Grande nas primeiras horas da manhã, visitamos o SENAI do Bairro da Prata, onde tomamos café e depois de percorrer as instalações daquela instituição de ensino, seguimos para a empresa na Alça Sudoeste para a entrevista. Fomos bem recebidos pelo pessoal do recrutamento e ficamos encantados com tanta tecnologia na linha de produção ao passarmos dentro da área fabril. Quando vi o tamanho da fábrica e tanta novidade nunca imaginada (como por exemplo, os robôs que identificavam através de sensores uma avaria na produção e corrigiam sem a interferência humana) pensei comigo mesmo que ali seria o lugar perfeito para começar minha vida profissional. Mas faltava a bendita entrevista e só ficariam cinco de nós.
Almoçamos na empresa e ficamos aguardando o gerente que marcou para as 14:00 horas o início da seleção (e só chegou de 14:50). Após muito coxilo no miniauditório com ar-condicionado ligado e algumas apresentações da empresa feitas pela psicóloga, anunciaram a chegada do gerente que ficou em uma sala ao lado esperando que fossemos um a um para a entrevista individual. Quando pediram que fossem o primeiro eu não quis me arriscar e deixei que um herói se escalasse. No retorno do primeiro candidato, todos foram em cima dele, inclusive eu, para perguntar como era a tal entrevista e para nossa surpresa, ele apenas falou – Somos concorrentes, quem quiser saber que vá lá.
Depois que uns quatro já tinha ido e ninguém dizia nada, me candidatei como o quinto. Atravessando o corredor que dava acesso à sala da entrevista, passou um milhão de coisas na minha cabeça, afinal eu tava indo em busca do meu primeiro emprego. Lembrei do  que os professores falavam na escola: Olhar no olho, apertar a mão com firmeza, manter a postura ao sentar, ser objetivo e todos os outros inúmeros cuidados e demonstrações de qualidade que dificilmente um patrão teria.
Entrei na sala para definir o início de minha vida profissional e encontrei um cara aparentemente calmo, falando manso mais muito atencioso no olhar. Ele fazia vez por outra  anotações em um bloquinho de papel, o que me deixava mais nervoso e curioso. E tava lá transcorrendo tudo tranquilo até que começaram umas perguntas meio sem sentido. E só pioravam: Se eu mandar você trocar uma lâmpada, você vai? Sem pestanejar respondi: Vou sim. Essa foi fácil, mas lá vem outro – Se eu mandar você trocar lâmpadas todos os dias você vai? Pensei comigo mesmo... Trocar lâmpadas todos os dias? ... Bem, não podia desagradar o homem, então respondi novamente com uma afirmativa. E a conversa continuou até que quando eu já estava, sem demonstrar, mas ficando impaciente, veio uma pergunta pra deixar qualquer naquela situação de inexperiência, no mínimo cuidadoso ao responder: Se eu mandar você trazer o lixo lá de dentro pra cá você vai fazer? Então pensei, esse cara tá de sacanagem comigo. Resolvi deixar de ser lagartixa e só balançar a cabeça. Olhei no olho dele e disse: NÃO. Ele vai e pergunta: Porque não?
– Se o senhor quer alguém para a limpeza, por que não faz uma seleção para serviços gerais? Cada um tem importância no exercício de sua atividade para formar o todo, mas terminei um curso técnico e pensei que a seleção fosse para isso.
Ele para terminar de me matar, diz assim: - Me parece que você não está muito a vontade na entrevista. Ora, para quem tava nervoso isso foi mesmo que dar um tapa na cara. Foi quando pensei: Eu já to lascado mesmo, vou falar tudo que tá preso na garganta agora, respirei fundo e mandei:
– Dr. se o senhor passasse a noite acordado, sendo que em mais da metade dessa noite fosse viajando de Cajazeiras pra cá, conversando com o motorista para ele não dormir, enfrentasse uma entrevista com atraso de mais de uma hora para definir um possível estágio numa grande empresa na qual você sonhasse trabalhar, vindo de um lugar sem muitas opções e visse essa oportunidade escorregando de suas mãos diante de perguntas que não condizem muito com o que esperava para uma entrevista técnica, o senhor estaria tranquilo e a vontade?
            Ele olhou como se enxergasse algo no além por entre o vidro da janela e simplesmente disse: Pode sair e chamar o próximo. Aí eu tive certeza que tinha me lascado de vez.
            Para minha surpresa, trinta dias depois chegou um fax na Escola Técnica em Cajazeiras convocando os cinco escolhidos para se apresentarem em três dias na empresa em Campina Grande e começar o estágio. Meu nome tava entre os cinco. Eu ia dar mais um passo, agora da escola para o mercado de trabalho.

                                                                                                                  Francisco Trajano


domingo, 6 de maio de 2012

O poder da propaganda


Observando as propagandas e ouvindo falar do quanto era caro o investimento feito com estas, eu ficava perguntando se realmente valia a pena e mais, se surtia o efeito todos que falavam. Em meio as minhas dúvidas, vivi uma situação na qual acabei descobrindo o verdadeiro poder da propaganda.

Tendo eu concluído o curso de Técnico de nível médio em Eletromecânica no IFPB de Cajazeiras, naquele momento Escola Técnica Federal da Paraíba, vim para Campina Grande em 1999 e comecei fazer um estágio na empresa Coteminas. Transcorreram alguns meses de estágio e a empresa promoveu os jogos internos com algumas modalidades esportivas para seus colaboradores. Dentre as modalidades oferecidas, o xadrez. Eu havia aprendido, como diz no popular “mexer as peças” a pouco tempo, mas até por uma questão de melhor integração com os demais colaboradores, me inscrevi no campeonato. Com poucos inscritos, foram definidas duas chaves e os dois que melhor pontuassem, um em cada chave, se enfrentariam numa final, assim rezava o regulamento.

Veio um amigo de Cajazeiras fazer estágio na minha época que era muito gaiato. O sujeito chamava-se Elivaldino. Quando comentei com ele da inscrição nos jogos ele me disse – se prepare, a partir de amanha vou fazer seu nome no xadrez e você vai se dar bem nas disputas. No dia seguinte ele começou a falar nos quatro cantos da empresa que eu era o melhor jogador de xadrez que ele conhecia. Fez questão de conhecer os oponentes que me enfrentariam na chave e começou fazer pressão psicológica nos caras. No setor de trabalho, nos horários de almoço, o que o gaiato espalhava era – Nos jogos que participou, raramente Trajano ficou em segundo, massacra seus adversários em poucos minutos. Eu ainda reclamei, tentei  negar tudo, mas a fama tava espalhada e quanto mais eu dizia que não sabia jogar direito, mas eles falavam – É, todos dizem isso.


E assim começou o campeonato. O primeiro adversário era mais ou menos do meu nível, então passei por ele com alguns golpes de sorte também, já que o cara veio muito preocupado com o tempo e não jogava muito bem essa é a verdade. Para o segundo jogo da chave, meu personal marketeiro, arrasou com a autoestima do pobre do adversário que veio com medo, muito preocupado e já se achando derrotado, até quando eu dava erradas clássicas de um aprendiz, ele achava que era uma armadilha para ferrá-lo na próxima jogada, assim, ganhei a segunda partida. A fama do demolidor do xadrez estava tão grande, que o terceiro jogo fiquei com a pontuação pela ausência do oponente. Resultado, fui o primeiro da chave e fiquei a espera do vencedor da chave 2 para a grande final. Aí foi o que Elivaldino queria, começou a dizer que não tinha pra ninguém, eu seria o campeão e que ia humilhar o cara na final.

Marcada a partida final, tinha como adversário Daniel Regis, um jogador conhecido na empresa. quando me conheceu, Daniel falou: Você é o grande Trajano, jogador de xadrez que tanto falam por aí? Eu disse que não, mas ele nao acreditou, fazer o que? rs. Aproximado o dia da final, ele me procurou e disse que precisaria sai no dia, portanto não poderia jogar. Dizendo que não via problema algum, pedi que remarcassem a partida. Na segunda data, Daniel falou que tinha compromisso na faculdade e melhor que considerasse o WO e eu seria o vencedor. Pedi que remarcasse uma terceira data e aproveitando o ensejo, Elivaldino disse pra Daniel que eu não gostava de coisa fácil e iria ganhar dele na raça. Com muita luta, a partida foi marcada e jogada. Vencendo o medo e usando de sua experiência, em poucos minutos de partida Daniel viu minhas deficiências e acabou ganhando o jogo e consequentemente o campeonato e eu, o tão comentado “Rei do xadrez”, fiquei com a única medalha de segundo lugar em xadrez até hoje, já que nas demais competições, nunca cheguei a tal façanha.

Mas o efeito da propaganda foi tamanho, que ainda houve gente que acreditou que eu não ganhei o campeonato, em respeito aos que tinham algum tempo de casa, e eu era um simples estagiário.. Oh cabra safado o tal do Elivaldino, oh cabra ruim de xadrez sou eu.. rs.

Francisco Trajano


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Francisco Trajano

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Atendimento Público


Primeiro quero deixar bem claro que não pertenço a nenhum partido político e que não dependo de nenhum deles, assim fico mais a vontade para falar. Segundo, a questão aqui não é apenas a saúde pública, mas o atendimento na prestação do serviço público (sem generalizar, afinal ainda existem raras exceções). Peguei o exemplo abaixo, porque foi ele que vivenciei.

Fui até a secretaria de saúde do município fazer uma marcação de exames para uma pessoa da família. Chegando lá me deparei com situações que me chamaram atenção. Como era a primeira vez que eu fui usar dos serviços, pedi informação na entrada e antes de me ouvi direito, o serviço de desinformação me mandou para uma sala que não tinha nada haver. Chegando lá, bati na porta e dei boa tarde quando entrei o que não funcionou muito. Acho que não entenderam a língua que falei (mas foi português, só sei falar essa), quando pedi informação pela segunda vez, um jovem sem olhar pra mim falou: - final do corredor, última sala a direita, sala de marcação. Esse também não compreendeu o que eu queria já que na tal sala de marcação, funcionava o agendamento online de consultas. Quando consegui alguém que me desse 50 centavos de atenção, falei (pela terceira vez) que era para marcar um EXAME e a pessoa conseguiu me mandar enfim para a sala correta.

Chegando na sala de marcação de exames, estava lotada. Um único atendente conversava ao telefone (que tocava a cada instante) enquanto atendia as pessoas, anotava marcações e nomes para busca de resultados dos exames em pedaços de papel soltos. Após alguns minutos, surgiu uma moça para ajuda-lo. A moça na tentativa forçada em ser simpática, chamava pacientes de “querido”, “amor” enquanto deixava transparecer outros adjetivos no semblante de seu rosto. Quanta hipocrisia e falsidade exposta.

O que mais me revoltou na verdade foi quando uma senhora a minha frente tentava marcar uma ressonância magnética para uma pessoa que estava em casa, e perguntou a atendente se tinha como antecipar pois a pessoa estava sentindo fortes dores e não tinha condições financeiras de fazer particular. A mulher quase chorando, com o ar de derrotada pedindo ali, a atendente não olhou nem na cara dela e disse apenas: - hum hum, quase que de costas para a solicitante, deixando claro que nem ouviu direito o que foi pedido. E a pobre mulher foi embora com a dor no olhar.
 Eu sei que não dar para atender todo mundo e as muitas urgências ao mesmo tempo, mas.. São seres humanos que estão ali, não custa nada olhar no olho, dar um pouco de atenção e escutar as pessoas. Respeito as pessoas no momento de fragilidade maior é o mínimo que se pode fazer. Tem que humanizar o atendimento, isso ajuda tanto quanto remédios. Não podemos esquecer por exemplo quem está na fila e dar atenção especial a quem chegou por último, apenas porque é amigo, isso é um DESCASO com quem já está ali humilhado e implorando por um DIREITO que é seu. É preciso tratar o ser humano como SER HUMANO.

Francisco Trajano