domingo, 16 de setembro de 2012

Roupa suja se lava... onde tem água



Antes da saída do hotel, tínhamos que resolver uma pendência. Há alguns dias as roupas que ficavam sujas, estavam sendo acumuladas e precisavam ser limpas. Não tinha mais a mamãe que recolhia tudo, lavava no final de semana e nos entregavam todas chorosinhas não. Agora éramos nós e nós mesmos. No hotel era proibido lavar roupas nos quartos, por isso lavávamos apenas as fardas do trabalho as escondidas dentro do banheiro. Não tinha como pagar para mandar lavar fora.

Recebemos uma noite a visita do professor Alberdan, considerado por todos um paizão. Ele foi professor nosso no curso técnico e estava acompanhando nossa estreia no mercado de trabalho. Falamos das dificuldades encontradas na empresa, do nosso dia-a-dia no geral e da roupa suja também. Ele nos ofereceu a casa de sua mãe no bairro do São José para lavamos as roupas no fim de semana. Como não era tempo de perder oportunidade, já deixamos agendada a visita a Dona Raimunda no fim de semana.

No sábado seguinte, seguimos todos para o São José, cada um com seu volume de roupa suja. Tudo era motivo para brincadeira e alegria. Fizemos também um sorteio para ver quem usaria a lavanderia primeiro e como seria a sequencia de uso. E num ônibus coletivo, rindo da própria situação, seguimos destino para literalmente lavar a roupa suja.

E na casa de jardim muito bonito e bem cuidado, em meio a uma diversidade de plantas e flores, surge uma senhora simpática, calma e que transmitia uma paz infinita com sua voz e seu olhar. Dona Raimunda nos recebeu carinhosamente em sua casa e só pelas informações que o filho deu, já gostou de todos nós. E naquele dia, não encontramos apenas um lugar para lavar a roupa, ganhamos uma vovó muito especial que nos tratou e nos deu atenção como se fossemos seus verdadeiros netos. Depois de lavar a roupa e comer da comida da vovó, passamos parte da tarde conversando com ela.

Final da tarde, vimos que não era tão longe assim do São José para o centro, então resolvemos fazer o percurso de volta a pé. Assim evitamos pegar um ônibus mais uma vez com aquelas sacolas de roupas. Despedimos-nos da vovó que sempre estará em nossa lembrança como a pessoa maravilhosa que nos acolheu em sua casa como se fizéssemos parte da família. Como ela mesma falou, pessoas que eram amigas de seu filho, também mereciam sua atenção e amizade.

A realidade a ser enfrentada agora era o pensionato. Lá vamos nós descobrir o que era morar em um ambiente um pouco diferente do que nos foi apresentado...

 
Francisco Trajano

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Mudando para um pensionato



Retomando a saga dos estagiários, com o passar dos dias, a reincidência do cachorro quente na Praça da Bandeira como jantar, nos fez partir em busca de algo mais parecido com a comida de casa. A dúvida era como conseguir isso a baixo custo. E foi em uma conversa com o proprietário do hotel uma noite, que ele nos falou de um pensionato na estreita Rua Rui Barbosa que fornecia marmitas a preço de estudante. Com sotaque indiano, ele nos disse: Procura senhora dona de pensão e amiga minha que ela fornece marmita. Resolvemos então seguir o conselho dele.

Em uma reunião noturna no saguão do hotel, combinamos uma visita no dia seguinte ao pensionato para comprar o jantar e avaliar as condições do local e os preços para hospedagem, já que nossos dias de hotel pagos pela empresa estavam chegando ao fim e precisávamos definir um novo lugar para continuar acreditando no sonho da efetivação no primeiro emprego. Ficou certo que todo mundo ia junto já que era do interesse de todos.

E assim foi, chegamos da empresa no dia seguinte, combinamos de nos encontrámos em 20 minutos na recepção do hotel após um banho rápido. E no horário combinado seguimos todos para nossas descobertas no Pensionato Dona Milda. O pensionado ficava a duas quadras dali e logo chegamos. Sr Bío fumando seu cigarro, nos recebeu no portão e anunciou nossa entrada. Subimos a pequena escala e entramos na sala grande onde duas pessoas assistiam TV. Logo surgiu a proprietária. Uma senhora muito simpática, com uma voz mansa e muito prestativa, nos chamou para sentarmos na cozinha enquanto ela preparava as marmitas que solicitamos. Ali mesmo já perguntei se tinha vagas disponíveis para cinco pessoas, que queríamos negociar preço. Ficamos de receber uma resposta do preço, mas estranhamente, um pensionato no centro da cidade tinha sim, cinco vagas disponíveis.

Voltamos ao hotel, gostamos da comida trazida do pensionato e mais ainda da ideia de continuar com centro da cidade em um lugar que fornecia refeições mais parecidas com as nossas do sertão. Feijão, arroz, macarrão e carne. Quem disse que pão era janta pra nós? Agora faltava apenas negociar o preço, para isso já marcamos de voltar no dia seguinte e fechar o negócio se fosse do acordo das partes. Na equipe, combinamos que nas decisões, o voto da maioria definia. Elivaldino já deixou definido: Meu voto é de Trajano, ele parti com dois votos na decisão que tomar. Márcio e Bruno tinham que ganhar Juliane se quisessem conseguir contrariar meu voto. Juliane aceitou a mudança para a pensão e aí, estava decidido. Mesmo sem muitas opções, fomos acertar preço no dia seguinte.

Na conversa com a dona do pensionato, acertamos o valor e já marcamos a data da mudança. Olhamos os quartos masculinos. O que tinha disponível para nós, o acesso era por dentro de outro quarto. Enquanto olhavamos os quartos, um cara "esquisito" chegou de skate na mão e olhou meu que surpreso para seus futuros vizinhos de quarto. Já de saída, descobrimos o companheiro do esquisito. Esse chegou de cara fechada e continuou daquele jeito. O que nos fez apelida-lo carinhosamente de "cara de jegue". rs. Despois decobrimos duas pessoas maravilhosas naqueles dois "esquisitos". A vaga para o feminino na verdade era no mesmo quarto com a dona (que era viúva) e uma filha de criação da mesma. Juliane olhou meio atravessada, mas aceitou. Afinal estaríamos ali apenas para dormir e por pouco tempo, isso era o que esperávamos.

As novidades estavam apenas começando a surgir, o pensionado só começaria mesmo mostrar sua verdadeira face depois de alguns dias de convívio. Convívio esse que começaria na sexta-feira, após uma mudança feita à noite, onde cada um levou sua mala nas costas mesmo e fizemos pouso na segunda sombra para darmos sequencia a luta.

 

Francisco Trajano


sábado, 1 de setembro de 2012

Estou bem assim



Dando uma pausa nas aventuras da serie “Os estagiários”, remeto-me aos dias de hoje. No momento em que escrevo agora, tem gente perdendo o sono por que não fiquei rico, enquanto estou muito feliz por que jantei. Tenho um lar, agasalhos pra esse friozinho gostoso de Campina Grande, eu e minha família estamos com saúde e estou dando cada passo a seu tempo. Não posso atropelar minha própria história.
Meu chevete, que assim como eu, já foi humilhado, mas continua como eu: Firme e forte. Enfrentando uma batalha nova a cada dia. E vai continuar comigo por muito tempo ainda, matando os pobres que se preocupam até com isso. Eu vou viver assim. Cada dia com sua história a ser contada. Cada passo com a certeza de que estou fazendo minha parte, ao meu modo, mas estou. Se alguém discorda disso, é por que não sabe nada de minha vida, de minha história, não sabe dos meus motivos e tem tempo suficiente para se preocupar com a vida que me pertence. Eu como não tenho esse tempo todo, vou dormir agora, que hoje, já é amanhã. E amanhã logo cedo parto para mais uma batalha. Eu e meu chevete...

Francisco Trajano

sábado, 25 de agosto de 2012

Exames Admissionais



No dia dos exames admissionais, às 5:00  horas da manhã começou a movimentação. Desde a luta pela coleta do material a ser levado para o laboratório, até a perturbação no quarto dos companheiros que ainda não tinham conseguido. Depois de muita zuada, de posse do material em seus respectivos recipientes, passamos pela recepção apenas com um “bom dia” rápido, como se fossem identificar o que estávamos carregando. Rs.

A caminho do laboratório para coleta do sangue, o mais próximo do hotel, já conversávamos sobre os outros laboratórios onde teríamos que passar. Foi aí que Bruno Carolino, o mais calado do grupo, disse que não se preocupasse que ele conhecia a cidade e chegaríamos facilmente aos destinos. Pela referencia da Caixa Econômica, logo encontramos o local para fazer o exame audiométrico.

Feito a ficha na recepção, ficamos aguardando ser chamados um a um para o teste. A fonoaudióloga, Dra Lavínia Brandão, com um voz muito baixa, aproxima-se de Márcio Junior e pergunta: _ Como é seu nome? E Márcio, num misto de nervosismos e descuido: _ Ham? O que? Elivaldino que não prestava logo manda a dele: Reprovado, o cara que num exame de ouvido não escuta a médica chamar, já era, vai voltar pra Cajazeiras.. rs.

Já perto de meio dia, faltava apenas uma radiografia que seria feita em um laboratório próximo a catedral. Estávamos em uma rua por traz da Caixa econômica e Bruno por dizer que conhecia a cidade, achou melhor descer pelo canal. Após algum tempo de caminhada, passamos por onde é o viaduto hoje e já estávamos bem perto da entrada do José Pinheiro (famoso bairro da zona leste em Campina Grande) quando percebi que Bruno já nem sabia pra que lado tava indo. Atrasei-me um pouco na caminhada e comentei com Elivaldino, esse me disse: Pare esse homem, vamos primeiro descobrir onde estamos. Quanto mais Bruno dizia que sabia, mais nos afastávamos da avenida principal até adentrar em ruas antigas, estreitas. Sem saber, estávamos agora entrando na feira central. Falamos em perguntar, aí Márcio disse: NÃO, se não vão pensar que somos matutos e estamos perdidos... O que não deixava de ser verdade.

Quando olhei pra cima, me orientando pelas antenas de telefonia do centro da cidade e posteriormente pela torre da igreja, tomei a direção e reencontramos a Floriano Peixoto (Rua principal onde ficava a clínica). Ao final, todos os exames foram feitos e o resto do dia foi pouco para as brincadeiras e comentários sobre mais um dia vencido na cidade grande.

Os dias no hotel estavam contados, a empresa ia pagar apenas 15 dias, depois que recebêssemos a primeira quinzena, teríamos que procurar um lugar para morar e esse dia estava chegando...
 
Francisco Trajano

sábado, 11 de agosto de 2012

Dia a dia no hotel




Apresentamo-nos na empresa. Mas ainda não entramos na área fabril, fomos diretos participar de uma semana de treinamento e integração cumprindo assim uma das exigências da empresa para novatos que ali estavam ingressavam.

Enquanto isso no Hotel Mahatma Gandhi, quando chegávamos da empresa, nossos primeiros dias se resumiam a comprar pão na primeira esquina, jantar quase todos os dias pão com patê (invenção de Juliana) e uma caixa de achocolatado que partíamos para os cinco como jantar. Depois, assistíamos TV no saguão e escutávamos as anedotas de Seu Chico. Vez por outra, conversávamos também com o Sr. Naim (indiano, dono do hotel), um senhor muito educado e com um forte sotaque estrangeiro. Tinha também o ritual das ligações noturnas do orelhão, para dar notícias a família. Uns com maior frequência que outros, não é Marcio Junior? Rs. Depois disso, era só dormir cedo. Afinal, aquela experiência era novidade para todos e a mudança de rotina nos deixou muito cansados no início.

           Alguns dias depois, começamos alargar mais as fronteiras e aos poucos fomos saindo para a Praça da Bandeira, onde conhecemos um sertanejo que vendia cachorro-quente em uma barraca a preço de estagiário, o que logo substituiu o pão do jantar em alguns dias para variar um pouco. O "Galego" passou a nos chamar apenas de Cajazeiras, fazendo mensão a nossa origem. Mas sempre dormindo cedo, já que no dia seguinte, levantava cedo, tomava café no hotel e saia para pegar o ônibus da empresa para um percurso de aproximadamente 30 minutos. Os cafés no hotel... Rs. Quando juntava em uma mesa eu, Elivaldino e Márcio... Janaína traz mais queijo! Janaína, mais ovo! Janaína, e as frutas? Rs. Ô povo pra comer... E a pobre da Janaína é que cansava as pernas, acho que ela deu graças a Deus quando saímos de lá!
 
 
Teve um episódio interessante uma vez que precisamos comprar pão a noite para o ritual de jantar diferente do meu sertão. E novamente o acompanhamento era patê e achocolatado. E ninguém queria ir à padaria. O detalhe era o seguinte, o hotel estava lotado de hóspedes jovens, na sua maioria mulheres, vindos de outras cidades e estados vizinho para prestarem vestibular em Campina Grande como é uma tradição conhecida da cidade. Depois de discursões e um sorteio no final, Márcio Junior foi o premiado para cruzar o saguão trazendo consigo uma sacola de lado com 25 pãezinhos para nosso jantar. O tamanho dos pães era inversamente proporcionais a nossa fome. Que saudades do rubacão com carne assada na casa de mamae...
 
 
E assim os dias corriam. Entre o hotel e a empresa, o cansaço aumentava. Mas teríamos um dia de folga para fazer exames admissionais. E como encontrar as três clínicas diferentes para realizar os tais exames? Ainda bem que Bruno disse que sabia onde era. Mas será que ele sabia mesmo? Isso eu conto na próxima postagem.




Francisco Trajano

sábado, 21 de julho de 2012

Chegando para começar a vida de estagiário

 

             Em uma manha de outubro, cheios de ansiedade, ficamos olhando o expresso Guanabara entrar na Rainha da Borborema (como é conhecida a cidade de Campina Grande). Encontramos um clima totalmente diferente do que deixamos no sertão, o sol nascia como se estivesse envergonhado em meio aquela chuva fina e um acinzentado na paisagem que mal dava pra ver a alguns metros a frente. Desembarcamos no terminal rodoviário Argemiro de Figueredo aproximadamente às 04:30 da manha. Na ala masculina, não se via muita coisa de bagagem. Cada um trazia uma pequena mala e uma mochila nas costas. Já Juliane, achávamos que ela não tinha deixado nada em casa: duas malas grandes, uma bolsa e uma mochila.
Parecidos com retirantes, seguimos juntos até a parte superior e ficamos próximo aos guichês, na esperança e na espera por um carro da empresa que logo estaria chegando para nos pegar (pelo menos era o que esperávamos. Um pouco desprotegidos de roupas para o frio que não imaginavamos encontrar, mas ninguém quis tirar cobertor das malas, afinal isso seria passar por “matuto” rs. Então ficamos alí, naquele frio desgraçado, expostos ao vento gelado, sem querer nos amparar na parte de baixo, o motorista poderia não nos ver e causar problemas. Já se passava uma hora e nada de carro. O frio é que era o companheiro inseparável. A orientação da escola foi clara: Nada de perturbar a empresa, já que esta ofertando essas vagas de estagio para a escola.
Quando deu sete horas da manha, estávamos a duas horas e meia naquele teste para sobreviventes do Titanic, quando tomamos uma decisão: Tínhamos que fazer contato com a empresa. Alí mesmo me elegeram como a pessoa que lideraria o grupo, mantendo aquele primeiro contato. Liguei para a empresa e na portaria me informaram que simplesmente não tinha aviso nenhum para pegar estagiários na rodoviária. Mas que estariam enviando naquele momento. Imaginem se não tivesse ligado! Alguns minutos depois, o Sr. João Alves chegou numa perua se desculpou pelo mal entendido e saio conosco meio que apressado pelas ruas que eram todas novidades para nós. Eu como líder do grupo, sentei na frente e comecei puxar conversa com o motorista que me falou está nos levando a um hotel no centro da cidade, onde ficaríamos hospedados os primeiros dias pela empresa.

A chuvinha não dava trégua. Quando paramos em frente ao Hotel Mahatma Gandhi, o motorista João Alves apenas olhou pra mim e disse: Vá perguntar a moça da recepção se a reserva está ok. Apresentei-me na recepção, fui atendido pela Sra. Socorro que confirmou a reserva feita pela empresa e pediu apenas para aguardar o preenchimento da ficha de cada um. Voltei para o motorista da perua, confirmei a situação e chamei os colegas para entrar e fazer as fichas. Antes de ir embora, João falou que retornaria as 10:00 horas para nos pegar. Fizemos o registro no Hotel e seguimos para os quartos, orientados por "Seu Chico" um senhor muito simpático, cheio de bom humor que expressava felicidade e contagiava a todos com sua forma simples de conversar, sorrir, viver. Na divisão dos quartos ficamos eu e Elivaldino em um, Marcio e Bruno em outro em frente ao nosso e um andar acima ficou Juliane em outro quarto.
A euforia era total, apesar do cansaço. Mas era hora de desfazer mala tomar um banho, tomar café e aguardar e visita à empresa para conhecer melhor as dependências. Estávamos ali dando início a nossa aventura na cidade grande.
Francisco Trajano

domingo, 10 de junho de 2012

Resultado da Entrevista

Depois da entrevista comentada na última postagem, o resultado demorou um pouco a chegar à escola. Alguns dias se passaram e eu, não sei porque comecei a acreditar que tinha chances, mesmo depois do que aconteceu na entrevista. A ansiedade tomava conta de quem estava terminando um curso técnico e não tinha mercado de trabalho na região. Campina Grande era vista como a grande oportunidade, e era.
Na escola, a busca por informações do resultado eram constantes, porém recebíamos orientação apenas para esperar. Uma amiga minha do setor administrativo que fazia parte do encaminhamento dos concluintes ao estágio nas empresas, recebia minha visita diariamente. Quando eu chegava na porta da sala, Lucinéria já olhava e falava – Nada ainda Trajano. Até que uma tarde, eu estava sentado no pátio da escola esperando alguns amigos para juntos irmos a oficina de enrolamento de motores concluir a prática que fechava a disciplina, quando Lucinéria apareceu na rampa que dava acesso ao pátio e me chamou. Pelo olhar dela, vi que tinha novidades.
Subi correndo a rampa e a acompanhei até a sala da Coordenação de Apoio ao Estudante (CAEST), quando entramos ela fechou a porta e pediu que eu sentasse. Olhou pra mim e falou: Acabei de receber o fax enviado pela empresa de Campina Grande, seu nome está entre os aprovados, no entanto, não podemos divulgar o resultado oficialmente até que o diretor da escola assine o fax e libere para tal, estou te falando porque você é o mais ansioso por esse resultado. Na mesma hora, sugerir para ela que eu ficasse ali na sala mesmo até o diretor chegar, o que aconteceria em meia hora, porque se eu voltasse para o pátio, falaria para todos que encontrasse tamanha era a minha felicidade.
Depois que o diretor liberou o resultado para ser divulgado oficialmente, fui até a xerox, mandei fazer 5 cópias do fax para entregar junto com a notícia aos selecionados (a minha cópia eu guardo até hoje), e sai na busca pelos maiores interessados na notícia. Durante o percurso, fui falando aos quatro ventos que eu estava indo estagiar em Campina Grande.  Caminhando pela escola, comecei analisar os nomes dos “heróis” que partiriam para a aventura profissional e descobri uma coisa: os “escolhidos” eram as pessoas mais diferentes que tinham na turma, começava se configurar ali, antes de qualquer coisa, uma prova de resistência a ser enfrentada, pois teríamos que começar juntos.
Como Cajazeiras concentrava um alunado de diversas cidades circunvizinhas e até mesmo de outros estados, os cinco mais novos estagiários tinham até as naturalidades todas diferentes: O primeiro a aparecer na lista foi Bruno Carolino, natural de Cajazeiras mesmo. Tão calmo que chegava a irritar tamanha era sua tranquilidade.
Vindo de Brejo do Cruz PB, o já citado na postagem do xadrez: Elivaldino Clementino. Provocador, perturbava qualquer ser vivo na sala de aula. Esse era de um jeito que tinha um apelido carinhoso de “Satanás” na turma, rs. Por causa de suas armações, estava sem falar comigo a alguns meses, e por isso pensei que seria o Calo da nova turma. Me enganei, quando ele soube da notícia, veio ao meu encontro, me deu um abraço como se nada tivesse  acontecido e disse: Estamos indo morar junto em campina. E posso garanti, foi um dos mais fiéis durante o estágio. 
E não veio só macho não, em meio a essa euforia do resultado, eis que aparece Juliane Fernandes. Vinda de Cachoeira dos Ìndios PB, estudiosa e metida a intelectual, não se batia muito Elivaldino, mas agora, estávamos todos no mesmo barco e teríamos que remar juntos.
As barreiras do estado foram quebradas e a participação cearense veio com Márcio Júnior que saiu do sítio Tipí, município de Aurora no Ceará. O enigmático já trazia uma particularidade no nome: O único Márcio JUNIOR que era filho de Seu Francisco, rs. O roqueiro que adicionou ao seu estilo musical o forró quando chegou a Campina Grande, tinha seu jeito digamos “esquisito”, rs, mas, um profissional muito competente se mostrou no decorrer do estágio.
E eleito antes mesmo da viagem como líder dessa miscigenação de pensamentos, eu sai de Nazarezinho com a missão de apaziguar os conflitos e manter essa galera unida. Afinal, sem a união da equipe não seria possível começar a vida numa cidade grande, sem parentes, ganhando pouco e sem ao menos conhecer a cidade. E assim, nos reunimos em Cajazeiras e partimos no Expresso Guanabara com destino a Campina Grande para darmos início a uma nova etapa de nossas vidas.
Nas cenas do próximo capítulo, falaremos da chegada à cidade grande, do impacto sentidos pelos “heróis” e as primeiras dificuldades.

Francisco Trajano