sábado, 3 de maio de 2014

De comer a língua!

 
Mais uma de minha culinária exótica!

Na fábrica onde eu trabalhava, o almoço era servido lá mesmo em um refeitório que funcionava dentro da empresa. A comida para muita gente, aproximadamente 1000 pessoas na época que almoçavam no trabalho, não mantinha um padrão de qualidade satisfatório sempre. Uma vez ou outra, a comida deixava a desejar. Mas nada que substituindo ou dispensando um dos acompanhamentos não desse para esperar o jantar em casa.

No dia que foi servido uma carne guisada não muito bem feita, as reclamações foram diversas. Quando passei no laboratório de eletrônica naquela tarde, os comentários ainda eram sobre a carne do almoço. Dentre as mais variadas versões, a que mais se comentava era que haviam servido língua bovina no almoço. Então uma pessoa daquele setor me chamou e perguntou se eu sabia dizer se era língua mesmo aquela “mistura do almoço”. Eu disse que a carne não ficou boa, no entanto, aquilo lá nunca foi língua. Não deram muita crença e continuaram insistindo na versão deles. Para finalizar o papo antes de seguir com minha inspeção em outros setores, eu apenas comentei: E língua não é tão ruim assim, depende de como é feita, assim como tudo. Um dia vocês vão comer língua e ainda vão gostar. As caras de “êca” reprovaram minha sugestão!

Deixei passar um tempo. Algo em torno de um mês. Em um final de semana, comprei uma língua bovina. Escaldei, cortei em cubinhos pequenos e deixei abafada com temperos por umas 2 horas. Foi só fritar os cubinhos e na segunda-feira cedo, aquecer com tomate e cebola e colocar dentro de um tão popular cuscuz. Levei uma porção caprichada para a empresa.

Quando eu levava minhas experiências de culinária para o trabalho, os meus vizinhos de sala, o pessoal de eletrônica, sempre provava das minhas iguarias. O que não foi diferente quando cheguei e anunciei um cuscuz temperado no capricho. Logo tudo foi dividido em porções menores e todos experimentaram enquanto elogiavam o cheio e o gosto. Quando a degustação corria solta a alguns minutos, alguém me perguntou que carne era aquela que eu usei para dar um gosto tão bom ao cuscuz. Pedi que cada um avaliasse e tirasse suas próprias conclusões. A curiosidade foi aguçada a partir de minha proposta. Os palpites foram diversos, mas ninguém passou nem perto.

Depois que todos haviam comido e continuava a me perguntar pela carne, eu voltei a questionar se haviam gostado. A opinião que a comida estava gostosa foi unanime. Até aquelas pessoas mais frescas que diziam jamais comer coisas assim “exóticas” estavam de acordo. Para a surpresa de todos, eu relembrei aquele dia do refeitório e falei: Naquele dia vocês não comeram, mas hoje sim a carne do cuscuz foi língua de vaca. Alguns ainda tentaram cuspir o que estava estomago a dentro, porém era inútil, melhor deixar de frescura e assumir que língua também é bom. Depende de como é feito.

 

Francisco Trajano

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Rock no Cercado



Depois dos últimos acontecimentos, fiquei em casa por algum tempo sem buscar novidades. Mas o tempo não para e a vida continua, o cabelo cresceu. Cortei novamente, agora no lugar de sempre. Alí em frente à rodoviária velha.

Um dia, os meninos que dividiam apartamento comigo chegaram falando do mais novo point de encontro de Campina Grande. Era um local recém-inaugurado para um “público alternativo” segundo eles. Conhecido como “Cercado”, o espaço funcionava três noites na semana, cada uma delas com um estilo de música diferente. E não se falava em outra coisa. Os meninos sempre falando do tal lugar, que ouviram falar que era bom demais, dava muita gente, etc. No trabalho, não se falava em outra coisa. Já estava enchendo o saco.

E em uma sexta-feira, dia do rock, começaram a se preparar para ir conhecer o tão falado Cercado. Márcio Júnior, o mais empolgado de todos, veio perguntar se eu ia com eles naquela noite.

- Não Márcio, prefiro ficar em casa, assistir um filme e depois dormir.

- Vamos cabra mole, lá vai ser massa demais, disse que uma das atrações de hoje a noite será a banda Cabrueira. Bom, se você num for vai ficar sozinho. Pois os meninos vão todos.

Depois de um tempo, Rodrigo também veio me chamar. Quando vi todos se aprontando, percebi que ia ficar sozinho em casa. Então resolvi sair um pouco, acompanhar os amigos e ver se o tal lugar prestava. Saímos cedo, a ida teria que ser a pé pra economizar. O ambiente ficava nas imediações do Parque do Povo (local onde acontece o Maior São João do mundo). Quando chegamos já estava movimentado.

Eu saí de Nazarezinho, morei em Cajazeiras e nunca aprendi dançar nem o tradicional forró, que danado eu tava fazendo alí? Num lugar nunca frequentado antes? Um show de rock. E lá estava a cena: muita gente enchendo a cara em umas mesas que ficavam na lateral, uma música confusa muito alta que não dava pra entender nada e a poeira subindo do chão de terra, efeito esse produzido por um grupo de pessoas com enorme necessidade de provar num sei pra quem que são diferentes por serem jovens. Se empurravam, batiam cabeças e parecia mais uma briga. E eu alí olhando e pensando com todo meu excesso de matutisse que graças a Deus nunca perdi: Olha onde eu vim parar.

E quando olho, pra minha surpresa, meus colegas que tanto falaram do lugar e se diziam roqueiros, estavam alí de braços cruzados, comendo um pouco daquela poeira e apenas olhando o movimento. Aí resolvi aprontar, os empurrei para o meio daquilo que chamavam de dança e comecei a pular com eles. Sem entender nada, olharam pra mim perguntando se eu estava louco. – Não, apenas quero aproveitar junto com você o lugar “tão bom” que me falaram.

Quando voltaram à inércia, eu me despedi deles, peguei um mototaxi e fui pra casa dormir. Nunca mais voltei naquele lugar. Que loucura aquela. Quanto mais eu procuro, mais entro errado...

 

Francisco Trajano


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Conhecendo um show diferente



Para entender melhor a sequencia dos fatos, é preciso ter lido a postagem anterior intitulada “Corte de cabelo”.

            É, realmente, o final de semana estava apenas começando. Ainda no sábado, chegando em casa com o Irmão, não encontrei nenhum dos meus amigos que dividiam comigo o apartamento. Por uma parte achei bom não enfrentar as chacotas e brincadeira por causa do corte de cabelo. O que apenas adiaria um pouco para que isso acontecesse. Só que aí comecei a pensar: Isso não pode ser o fim do mundo, o cabelo cresce. Por um momento cheguei até a ficar com pena de tudo que disse pra cabelereira. Mas, aí de quem vir com piadinhas pra mim.

            Final da tarde, noite chegando. Só os caras que não chegavam. Então resolvi, não posso ficar trancado em casa por causa disso. Tomei um banho, botei uma roupa e como estava um pouco frio em Campina Grande, coloquei uma jaqueta preta por cima e lá vou eu de visual novo. Chamei o Irmão que ainda estava por alí para ir comigo até um shopping da cidade em busca dos companheiros. Caminhei pra lá e pra cá com a impressão de que todos estavam olhando diferente para mim. Fingi que aquilo não me incomodava e não encontrando os amigos, voltei ao apartamento.

            Chegando ao apt., continuava vazio. E foi aí que o Irmão veio com uma ideia: - Se os meninos não chegaram, vamos dar uma volta, vou te levar pra conhecer um lugar. Perguntei onde e ele disse apenas que era surpresa e que eu ia gostar.

            - Não acha que por hoje já basta o quanto confiei em você?

            Mas como não queria ficar alí preso, pensei comigo mesmo: - Não pode ser pior do que o que já aconteceu hoje. E assim, sai de moto com o Irmão, confiando a ele minha noite de sábado. E a moto seguia. Passamos pelo bairro de Monte Santo e descemos à avenida que dar acesso a universidade federal. Eu nunca tinha passado por alí, vendo a UFCG que tanto falavam ainda fiquei tranquilo, no entanto, quando passamos pelo açude de Bodocongó comecei a me preocupar – Esse doido parece que vai pra o sertão. E quando perguntei ele falou: Confia em mim. Esse era o grande problema, confiar nele.

            A moto parou em frente a um prédio de faixada desgastada, mas que nem dava pra perceber direito pela luminosidade do enorme letreiro na parede. E quando menos espero, estávamos entrando em uma boate de strip-tease. Eu nunca havia entrado em um ambiente daqueles, comecei a pensar o quanto estava afastado de casa, fiquei muito assustado quando vi a clientela que estava bebendo no local. O Irmão olhou pra mim e mandou ficar tranquilo. Não sei por que, mas não consegui acreditar nele. Uma vez dentro, lembrei que eu estava tão mal encarado e com o visual “diferente” quanto algumas figuras que estavam alí. Encarnei o personagem do cara mal de jaqueta preta, cabeça raspada e capacete na mão (pensei numa cena, rs) e fui até o balcão onde uma cafetina gorda atendia. Pedi uma cerveja, a atendente informou que a entrega na mesa teria um pequeno acréscimo. O bárbaro malvado aqui (kkkkkkkk) apenas virou as costas enquanto dizia: Mande uma de suas meninas deixar minha cerveja na mesa. Desfilei no meio daquele povo fazendo pose de malvado enquanto tremia de medo por dentro e fui pra mesa aguardar minha bebida.

            Logo na segunda vez que me serviu a garota já me pediu cigarros. Eu estava fazendo contas mentalmente pra ver quantas cervejas podia tomar com a grana que tinha... Olhei para o Irmão e falei: Esse galego trabalha pra mim, não ando com dinheiro. Vamos Galego, der o dinheiro pra o cigarro da menina. O Irmão me olhou com cara de insatisfação, mas deu. E você, fale com a Dona que se não começar um show em 5 minutos eu vou embora. Logo foi providenciado. Enquanto o show acontecia, eu tentava bolar uma saída rápida daquele lugar. A cada hora ficava mais carregado.

            Depois da quarta cerveja pelo dobro do preço dos locais onde eu costumava comprar, chamei a atendente e pedi a conta dizendo pra ela que estava indo encontrar uns amigo e que mais tarde voltaria para fechar o ambiente apenas para meu grupo. Conversei até preço pra isso. Ela se animou com a ideia. Paguei a conta e sai rezando pra moto do Irmão não ter sido roubada naquele lugar esquisito e pra gasolina dar pra chegar em casa, levando em consideração que só andava na reserva. Saímos dalí o mais rápido que podia e fomos direto para o apartamento. Chegando lá minha vizinha me olhava quase sem me reconhecer e depois segurando o riso, me informou que meus amigos estavam em uma festa no Parque do Povo.

Pedi ao Irmão que desaparecesse e demorasse uns dias para voltar, de preferencia, com ideias melhores.

 

Francisco Trajano


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Corte de cabelo



Com poucas opções de lazer no final de semana, vez por outra jogávamos sinuca como uma das alternativas restantes. Tinha um funcionário da empresa que nos levava a uma sinuca que ele conhecia. Chamarei aqui apenas de “irmão”, fazendo menção a um tratamento usado por seguidores de determinadas igrejas, já que o mesmo se dizia fazer parte de uma (nada contra). Mesmo assim, não era todo fim de semana que dava pra jogar. Tinha que lavar a roupa, fazer comida e a faxina geral no apartamento.

Em um sábado pela manha, o Irmão chegou nos chamando para jogar e eu não aceitei. Falei que além de todas as tarefas eu ainda precisaria ir ao cabelereiro, levando em consideração a necessidade que se fazia visível rs. Sem ter o que fazer, o amigo disse que aguardaria a conclusão das tarefas e me daria uma carona de moto até o cabelereiro, depois que cortasse o cabelo eu poderia jogar um pouco com ele. Ficou por alí de bobeira e acabou esperando o almoço.

Filada a “bóia”, ele saiu comigo de moto para o salão que eu costumava ir. Este desviou a rota e disse que me levaria a uma profissional amiga dele que prestava o mesmo serviço. Aos poucos fui entendendo as verdadeiras intenções do safado. Conhecido como o cara que aplicava pra cima de tudo que era mulher, ele tinha um certo interesse na cabelereira, na qual me levou. Percebi isso nas primeiras conversas ao chegar ao local. Esse meu “amigo” também trabalhava de mototaxista e vendo uma cliente falando que precisava chegar rápido em casa, já mudou o foco para outro rabo de saia. Deixou-me esperando a vez no salão e se mandou com uma cliente.

Até ai tudo bem. Quando chegou minha vez de ser atendido, sentei na cadeira, a atendente colocou a camisa de proteção (que evita o contato com o cabelo cortado) e começou organizar o equipamento a ser usado. Com a máquina de corte na mão, ela então me perguntou: Número 2 ou 3? Acostumado com a outra cabelereira, respondi apenas: 2! Esse número era o ajuste da altura do corte que a máquina fazia, que era usada nas laterais e a parte de cima era feita com a tesoura. A aprendiz ajustou o acessório da máquina e começou fazendo um “buraco” começando bem no meio de minha cabeça.

Quando olhei para o espelho e vi a situação, me desesperei na hora. Fiquei meio estático e pensando comigo onde iria me esconder pelos próximos dias. Ia perder o emprego, tinha que adiar a viagem a casa de minha mãe no sertão. Como reencontrar meus companheiros, eles iam zoar bem pouquinho de mim... Bom, exageros de pensamentos a parte, veio a prática. Eu gritei aquela mulher, chamei-a de BURRA, que não sabia fazer nada, porque estava alí... E ela com as mão tremulas e sem conseguir falar direito, olhava pra mim com aqueles olhos enormes de medo e disse: Mas não foi o senhor que falou?

- Cale a boca!

- E agora? O que faço?

- Passe a máquina com o número 2 agora em toda a minha cabeça (não acredito que eu tava dizendo aquilo, mas era a única saída). Consiga um boné pra mim e se não quiser que as coisas piorem pra você, NÃO ME FALE EM PAGAMENTO! Você está me ouvindo?

Ela apenas balançou a cabeça que sim e concluiu o serviço, a MER... que fez. Alguns minutos depois chegou o irmão e foi me deixar em casa rindo o tempo todo de minha cara.

Mas quando eu pensei que tinha acontecido de tudo naquele sábado, me enganei e muito. O fim de semana estava apenas começando...

 

Francisco Trajano


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Cuscuz exótico




Com a chegada da turma nova de estagiários vindos do IFPB de Cajazeiras, praticamente adotamos os novatos. Auxiliamos nos primeiros dias orientando-os como deveriam proceder na empresa e fora dela. Até mesmo na hora de conseguir um lugar para morar. E eles acabaram arrumando um apartamento no prédio vizinho ao que morávamos na Rua Epitácio Pessoa. A família do sertão só crescia nas proximidades.

Dentre os novatos, veio Danilton. Ele fazia parte de uma segunda geração de Unedianos (assim chamávamos os alunos da UNED). Irmão de Danilo, que terminou o curso comigo. Juntou-se com Márcio Junior e logo estavam tomando uma ao som de “Toca do Vale” (banda de forró ruim da gota! Lembra Danilton? rsrs). Mas uma particularidade do boyzinho, como o chamávamos, é que sempre chegava assim de forma despretensiosa nos horário de café e as vezes até de almoço de domingo lá no nosso apartamento. Então quando a campainha tocava no domingo pela manha, alguém já dizia: Deve ser o serrote Danilton.

Não posso deixar de lembrar que era um visitante cheio de vontades. Não comia nada sem ficar perguntando a origem. Na verdade ele era cheio de frescura. O menino que não se acostumava com a vida longe dos cuidados de “mamãe”. E foi justamente devido a esse comportamento dele que resolvi aprontar uma. Ele já estava viciado na farofa de cuscuz com ovo ou charque que eu fazia nas manhãs dominicais. Até que pensei em uma carne diferente para a farofa.

Fui à feira da Prata e comprei um pulmão de boi. O popular bofe. Quando cheguei em casa cortei em pedaços e coloquei dentro de um caldeirão com agua fervendo para escaldar. Quando começou a sair a fumaça, Euza, a vizinha do andar de cima perguntou se eu estava cozinhando um urubu... Rsrs. Passado a primeira etapa, cortei em pedaços bem menores e coloquei nos temperos e abafei por algum tempo. Depois de fritar bem duas frigideiras grandes da iguaria, coloquei dentro de uma bacia de cuscuz e adicionei tomate, cebola e cheiro verde. E terminada minha experiência exótica, liguei pra Danilton e o chamei no ap.

Em poucos minutos, Danilton chegou e começou saborear o cuscuz junto conosco. Por incrível que pareça, ele elogiou a carne e perguntou se podia comer mais. – Pode botar o quanto quiser, hoje caprichei na quantidade também. Quando estava terminando de comer o segundo prato, ele começou a perguntar que carne era aquela. – Ora, você num comeu, sabe não é? Ele tentou, mas entre as opções: fígado, rins, coração. Mas nada de acertar. Se eu não contasse, ele nunca iria descobrir o que comeu com tanto gosto naquele café da manhã reforçado. Ficou meio que sem acreditar no final, mas era tarde, tinha comido e muito...

Olhe só um dado interessante que li hoje Danilton - o pulmão bovino, é uma fonte potencial de ferro. Chegando a ter três vezes mais ferro que o próprio fígado. Segundo os especialistas, a falta de hábito de consumi-lo gera um desperdício, pois cada animal abatido rende cerca de dois quilos de pulmão bovino. Saudável e suficiente para reverter drasticamente quadros de anemia. Eu num disse que era mais saudável do que aqueles biscoitos Crean Crak rsrs.

 

Francisco Trajano

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Um recruta recrutanto!


E na empresa, continuava tudo bem. Muita novidade, muito conhecimento novo e muita responsabilidade para manter-se a frete de um setor que estava em pleno crescimento. O Windows era o 95, mais já se falava na popularização da nova versão do Windows 98 e logo ele apareceu por lá também. E na montagem da rede de computadores, vi pela primeira vez o padrão da combinação de cores do cabo UTP par traçado e não esqueci até hoje.
Eu não ganhava muito bem, mas fazia o que mais gostava. Trabalhava com informática. E quando fazemos o que gostamos, nem vemos o tempo passar. O dia era pouco para tanta coisa. E a cada dia que passava naquela expansão da empresa, eu abraçava uma novidade diferente na área de TI. Primeiro vieram os micros, depois as impressoras, posteriormente as balanças eletrônicas e assim por diante. Mais ainda faltava alguma coisa.
Durante o período de estágio e com a efetivação na sequencia, nunca perdi o contato com a escola que me colocou no mercado de trabalho. Além de ficar mantendo o contato, sempre defendi o nome da instituição onde quer que estivesse. Marquei visitas técnicas para alunos concluintes, recepcionei-os na empresa e dei uma atenção que gostaria de ter tido quando visitei. Foi quando falei com a empresa para dar oportunidade de estágio para outros alunos do IFPB de Cajazeiras. Pedido aceito, o gerente me convidou para ir com ele a escola fazer a seleção. Eu muito feliz, já fiz fechei tudo junto a escola.
Viajamos a Cajazeiras e para mim foi uma satisfação enorme subir a rampa da escola, agora como visitante ilustre que estava alí tentando retribuir um pouco do que fizeram por mim. Fomos muito bem recebidos e acomodados. Meu gerente ficou encantado com a escola, a recepção que tivemos e admirou minha popularidade quando me viu ser reconhecido pelo vigilante, pelo jardineiro até chegar no diretor. Todos me cumprimentavam, puxavam conversa e me viam como vencedor, que eu já me considerava.
Não posso deixar de registrar aqui um fato engraçado. Tinha um professor na escola que não sei por que cargas d água não gostava muito de mim (acho que uma das únicas pessoas daquela unidade de ensino). E no dia que estávamos nos preparando para iniciar a seleção de estagiários naquela escola, o gerente combinou que eu ficaria aplicando uma prova escrita e encaminhando os alunos que fossem terminando para uma entrevista individual com ele numa sala do lado. O tal professor chegou no final da conversa e olhando para mim, disse: Você pode sair que eu aplico a prova. Apenas olhei para meu gerente e sorri enquanto o mesmo mandou essa para o professor: Não, desculpa mais quem vai sair é você. Não queremos ninguém da escola aplicando a prova e lembre-se, Trajano não é mais aluno dessa escola. Ele está aqui hoje como empresa e empresa que quer ajudar essa escola. Olhei para o professor, enquanto ele não sabia onde enfiar a cara e não perdi a oportunidade: tchau professor, até mais tarde.   
Terminando o processo de seleção, a convite da direção da escola, fomos comer pirão de queijo e galinha de capoeira em um restaurante tradicional no Bairro Jardim Oásis, onde ficava a escola. Depois, subir para a Rainha da Borborema carregando conosco, a expectativa de pessoas que como eu um dia, ficaram ansiosas pelo resultado. Lembrei-me da minha seleção e vi o quanto as coisas mudaram. Agora eu ia me reunir com a gerência da empresa e definir os escolhidos. Fiquei muito realizado com aquela viagem.


Francisco Trajano

sábado, 19 de outubro de 2013

Vizinhos do Sertão




E segue viagem. Rodrigo começou dar aulas de Educação Física na Escola Cenecista no distrito de São José da Mata. Assim, ele ocupava todo o seu tempo com a correria da faculdade e com o trabalho. Eu e Márcio apenas trabalhávamos e quando não estávamos na empresa, cuidávamos da roupa (lavar e passar) e do apartamento. Dalton apenas estudava. Como o curso de engenharia elétrica é muito “puxado” cada vez que chegávamos em casa estava lá Dalton com cara de pirado debruçado por cima dos livros de cálculo.
Nas noites de sábado, eu e Rodrigo frequentávamos a igreja de São Francisco que fica a uma quadra do apartamento onde morávamos. E quando coincidia um fim de semana com pagamento e folga de todos, a feijoada no domingo era sagrada. A conversa se estendia até mais tarde e apesar de está cercado por prédios onde a maioria dos moradores eram estudantes, o barulho de música ia até as 22:00 horas. Depois disso, se tivesse que continuar seria em um volume menor para evitar problemas.
Em num domingo, eu me aproximava do ponto do ônibus 555 próximo a praça para voltar pra casa quando avistei um cara esperando ônibus que não me era estranho. Olhei mais de perto para tirar dúvida e enquanto observava ele começou conversar com outra pessoa. Ouvindo a voz e alguns dizeres próprios da região, eu matei a charada. Era mais um sertanejo e eu já tinha uma ideia de onde.
- Posso não lembrar seu nome, mas te conheço. Você lá da cidade de Sousa no sertão. Ele sorriu e confirmou minha suspeita. Era Alexandre, um sousense que fazia faculdade de jornalismo. Depois da conversa, descobri que ele estava procurando apartamento para alugar. Lembrei-me que no prédio onde morava tinha um disponível. Aí ele já foi comigo no ônibus, descemos na minha moradia e apresentei-o para os outros inquilinos.
- Pode olhar o apartamento nosso que o que está disponível é no mesmo formato e tamanho que esse. Ele gostou muito do tamanho do imóvel e do preço. Marcou de falar com o Sr. José Alves (proprietário) na segunda-feira e em menos de uma semana, tornou-se nosso vizinho. Com Alexandre veio Euza (também da cidade de Sousa) e Daniel. Mesmo depois de muito tempo, com todas as mudanças em nossas vidas e distância que moramos hoje, quando reencontramos ainda chamamos um ao outro de “vizinho”.
E no primeiro final de semana com os novos vizinhos, fizemos uma confraternização dos apartamentos para celebrar a chegada dos novatos. A tarde de domingo foi regada a muita conversa, feijoada, cerveja e vinho. E a conversa se estendeu entrando pela noite. Opa, parar cedo! Amanha tem trabalho. De volta a realidade, fomos descansar e esperar mais uma segunda-feira.
Francisco Trajano