sábado, 19 de outubro de 2013

Vizinhos do Sertão




E segue viagem. Rodrigo começou dar aulas de Educação Física na Escola Cenecista no distrito de São José da Mata. Assim, ele ocupava todo o seu tempo com a correria da faculdade e com o trabalho. Eu e Márcio apenas trabalhávamos e quando não estávamos na empresa, cuidávamos da roupa (lavar e passar) e do apartamento. Dalton apenas estudava. Como o curso de engenharia elétrica é muito “puxado” cada vez que chegávamos em casa estava lá Dalton com cara de pirado debruçado por cima dos livros de cálculo.
Nas noites de sábado, eu e Rodrigo frequentávamos a igreja de São Francisco que fica a uma quadra do apartamento onde morávamos. E quando coincidia um fim de semana com pagamento e folga de todos, a feijoada no domingo era sagrada. A conversa se estendia até mais tarde e apesar de está cercado por prédios onde a maioria dos moradores eram estudantes, o barulho de música ia até as 22:00 horas. Depois disso, se tivesse que continuar seria em um volume menor para evitar problemas.
Em num domingo, eu me aproximava do ponto do ônibus 555 próximo a praça para voltar pra casa quando avistei um cara esperando ônibus que não me era estranho. Olhei mais de perto para tirar dúvida e enquanto observava ele começou conversar com outra pessoa. Ouvindo a voz e alguns dizeres próprios da região, eu matei a charada. Era mais um sertanejo e eu já tinha uma ideia de onde.
- Posso não lembrar seu nome, mas te conheço. Você lá da cidade de Sousa no sertão. Ele sorriu e confirmou minha suspeita. Era Alexandre, um sousense que fazia faculdade de jornalismo. Depois da conversa, descobri que ele estava procurando apartamento para alugar. Lembrei-me que no prédio onde morava tinha um disponível. Aí ele já foi comigo no ônibus, descemos na minha moradia e apresentei-o para os outros inquilinos.
- Pode olhar o apartamento nosso que o que está disponível é no mesmo formato e tamanho que esse. Ele gostou muito do tamanho do imóvel e do preço. Marcou de falar com o Sr. José Alves (proprietário) na segunda-feira e em menos de uma semana, tornou-se nosso vizinho. Com Alexandre veio Euza (também da cidade de Sousa) e Daniel. Mesmo depois de muito tempo, com todas as mudanças em nossas vidas e distância que moramos hoje, quando reencontramos ainda chamamos um ao outro de “vizinho”.
E no primeiro final de semana com os novos vizinhos, fizemos uma confraternização dos apartamentos para celebrar a chegada dos novatos. A tarde de domingo foi regada a muita conversa, feijoada, cerveja e vinho. E a conversa se estendeu entrando pela noite. Opa, parar cedo! Amanha tem trabalho. De volta a realidade, fomos descansar e esperar mais uma segunda-feira.
Francisco Trajano

sábado, 7 de setembro de 2013

Mobilhando o novo apartamento



E no dia marcado para organizar a nova moradia, fui procurado por mais um navegante daquela luta pela permanência na cidade grande. Era Dalton Guedes (estudante de engenharia elétrica), que pretendia deixar o pensionato só não sabia como ainda, mas como acompanhou parte das nossas conversas por lá, veio pedir pra pegar carona e ir morar conosco. Eu não o conhecia direito, até pelo pouco tempo. Mas só o fato de tirar mais um daquele lugar... Falei com Marcio e Rodrigo e acertamos o seguinte: Além de ser mais uma vingança contra a velha, é mais um pra dividir o aluguel e as demais despesas. Da composição antiga ficamos eu e Márcio Junior. Reforçando o time, agora tinha o cearense Rodrigo vindo do Crato e Dalton, vindo da cidade de Corrente no Piauí.

E em mais uma tarde de sábado, nosso programa foi: vassoura, balde, rodo e sabão em pó. Lavar o novo apartamento para onde mudaríamos no domingo. Pelo menos uma coisa já tínhamos encontrado em comum, diferente do som que escutávamos no pensionado, Raul Seixas agradou a todos enquanto faxinávamos. O Apartamento da Epitácio Pessoa era grande. Tinha três quartos. No quarto maior, ficamos eu e Márcio. Em cada um dos quartos menores, um dos novatos assumiu como sua área privada.

Um apartamento tão grande e sem nada dentro. Alguma coisa tinha que ser feito. Depois de indicações, visitamos uma feira de móveis usados no Bairro de Santa Rosa. Com muita pechincha e pouco investimento para cada um, mobilamos nossa morada. Uma mesa grande com seis cadeiras no estilo antigo encheu nossa sala de jantar.  No mesmo pacote, compramos um fogão de quatro bocas, uma geladeira e cômodas para os quartos. Dormíamos em colchões no chão mesmo por enquanto.

Com o nosso recanto um pouco mais organizado, fizemos uma reunião para definir as regras do ambiente. Calendário para fazer a faxina, sequencia da compra de água mineral, como seria a divisão das compras e outras pautas necessárias para manter a ordem. Quem cozinhava, não lavava louça. Márcio cozinhava bem e cobrava muito a limpeza da pia (oh homem exagerado rs). Não sei se Dalton aprendeu cozinhar porque era quem mais lavava louça. Rodrigo também tinha suas habilidades na cozinha e eu, além das comidas corriqueiras, era conhecido pelas comidas mais “exóticas”. Macarronada, dobradinha, mungunzá, rabada e até bolo. Isso sem contar a tradicional feijoada dos domingos, onde o chefe da cozinha era eu.

Com o apartamento “mobilhado” e as regras definidas, precisávamos inaugurar a geladeira. E antes mesmo da primeira feira, o melhor teste pra ver se gelava mesmo foi com cerveja. Era hora de comemorar aquela nova etapa conquistada.

Francisco Trajano

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

"Frango à vira lata"




Como a internet aproxima as pessoas. Hoje conversei com Rodrigo, o cearense que dividiu apartamento conosco (já citado em alguma das postagens anteriores). Enquanto conversamos, falei um pouco sobre o blog e ele me lembrou de um capítulo que aconteceu no pensionato que não pode ficar de fora dessa história (Esse pensionato redeu histórias). E se não podia ficar fora, vamos adicioná-lo.
Nos últimos dias de convívio naquela hospedaria, quando as coisas já não estavam mais tão tranquilas, a proprietária precisou sair num sábado para visitar uns parentes e deixou que sua neta ficasse responsável por preparar o nosso almoço. A eleita não viu problemas e disse que podia deixar com ela.
Sem dinheiro e sem ter para onde ir no final de semana, após o café do sábado, ficamos de jogar conversa fora reunidos em um mesa grande no terraço que dava acesso a cozinha. Até que o filho da dona chegasse e botasse a fita cassete de Beto Barbosa pela milésima vez. E começamos a ouvir tudo de novo até a turma começar se dispersar. Aos fundos, dividido por um portão vazado, ficava um quintal – residência de uma vira lata de estimação da neta da velha.
Apesar da comida da pensão não ser de qualidade tão boa, fiquei mais preocupado ainda quando soube quem iria preparar naquele dia, tendo em vista que a criatura parecia ter alguns parafusos a menos na cachola. E minha preocupação não foi a toa. Cantarolando letras de músicas que eu nem conhecia, a nova cozinheira começou a preparar a refeição. Ainda no terraço, observei quando ela começou cortar o frango em uma pia não muito adequada para tal atividade. Mesmo assim, até então estava dentro do aceitável para os padrões que vivíamos alí. Ainda de olho nela, vi quando foi até o portão vazado conversar com a cadela. Brincou, acariciou por tudo que foi lugar e chegou até a beijar no rosto da vira lata. Ao concluir a seção animal, como se nada tivesse acontecido, voltou a pia, pegou o frango e continuou a cortar.
Foi a gota d água. Perdi o controle. Dei tanto do grito nessa criatura, que quase a deixo de ouvido estourado. Sebosa foi o menor nome que ela levou. Os outros foram chegando e perguntando o que era... Ela, paralisada e branca me olhava com cada olho que vi a hora sair da caixa. Eu e os demais colegas, sem poses financeiras, tivemos que comer sanduiche na rua, porque o “frango à cachorro” tirou qualquer apetite naquela residência. Mais um motivo para apresar a saída dalí. Isso foi o que vi, mas só Deus sabe o que podemos ter comido alí.
Valeu pela dica Rodrigo, se tiver mais alguma, manda pra cá e será publicada no blog.
 
Francisco Trajano

terça-feira, 16 de julho de 2013

Técnico em Informática



Reestruturada a equipe na nova morada, partimos para as cobranças na empresa. Com a saída de Juliane e a demissão do técnico do laboratório de informática, assumi ainda como estagiário, o setor de tecnologia da informação sozinho. Agora não teria mais a quem recorrer muito. Era eu e eles. Os tais computadores que eu tanto queria trabalhar, agora começavam a se multiplicar junto com seus problemas na fábrica e todos sobre minha responsabilidade.

Os desafios só aumentavam. E eu alí, firme e forte enfrentando todos eles sem pestanejar. Um técnico em eletromecânica e curioso de informática, tinha a sua frente agora a oportunidade de desenvolver um trabalho na área que tanto queria. Só não seria fácil. Mas coisa fácil demais não presta mesmo. Foi quando o gerente me chamou na sala dele, pensei comigo: Ou me demite hoje ou vai me contratar. Até que enfim. Será?

- Você está preparado para assumir o setor de TI da empresa?

- Aceito o desafio, mas preciso de sua ajuda para isso.

- Em que sentido?

- Estou esperando minha efetivação, sou estagiário ainda lembra? E tem mais, preciso de um curso de aperfeiçoamento para encarar as novas tarefas.

- A efetivação, estarei resolvendo nos próximos dias e quanto ao curso, procure a amanhã no centro da cidade um que atenda sua necessidade, traga o orçamento e faremos o possível para você iniciar o quanto antes.

O que era para ser um estágio de seis meses acabou durando onze meses. Em alguns dias depois da conversa, não com a remuneração que eu esperava mais fui contratado como técnico. O importante no momento foi sair da quase infinita condição de estagiário. Consegui um curso muito bom de técnico em hardware conforme mandaram e realizei para aquele momento um sonho: Tornei-me um efetivo técnico em informática de uma empresa de grande porte. Adeus mecânica de máquinas pesadas. Eu agora estava onde mais queria, no meio dos computadores.

A versão do Windows era 95, mas o futuro já batia a porta. Instalei a primeira licença de Windows 98 e já se falava em compartilhamento de dados e recursos entre máquinas. Aproveitei o embalo e na sequência, fiz um curso de rede de computadores que estava sendo oferecido na cidade também. E assim começamos a lançar os famosos cabos azuis e aos poucos ir interligando os vinte e cinco computadores que tinham na fábrica.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Homem do sertão, homem de palavra



Mas antes de falar da nova morada na Rua Epitácio Pessoa, preciso contar como cheguei a esse apartamento e a negociação para o aluguel.

E depois de alguns contatos e indicações, me preparei para ir conversar com o senhor dono do prédio que tinha o apartamento disponível. Antes de ir, um amigo me avisou: O velho lá é ignorante, sabe seu Lunga? Pronto. É parecido. Depois de pensar um pouco, imaginei comigo mesmo, o máximo que ele pode dizer é um NÃO! Mais nada. Pensando assim, segui ao encontro do recomendado locador. Chegando ao comercio do mesmo, encontrei um velho com uma aparência de “casca-grossa”. Fui direto enfrenta-lo:

- Bom dia Seu Zé, eu sou o rapaz que está interessado em alugar o apartamento disponível que o senhor tem.

- Bom dia, já me falaram de você. Você é de onde? E quantas pessoas vem morar aí além de você?

- Eu venho do sertão, de uma cidade chamada Nazarezinho, perto de Sousa, Cajazeiras, aquele mundo alí. O Sr. Sabe onde fica? E pra cá vem eu e mais dois amigos. Esses aqui são Rodrigo e Márcio.

- Saber direito onde fica num sei, mas se é do sertão, lá tem fama dos cabras ser direito, honesto e trabalhador. Assim, espero que você seja também. Tão fazendo o que na cidade?

- Viemos trabalhar e quando as coisas se estabilizarem mais pretendemos estudar por aqui também. Estamos numa empresa têxtil fazendo um estagio na área técnica. Estamos na luta para mudar a situação atual de vida.

- Gostei do seu jeito, você será o responsável pela equipe. Tá aqui a chave, o apartamento é o 101 no primeiro andar. Vão logo lá dar uma olhada e depois acertamos o resto. A água e energia já estão inclusos no valor cobrado do aluguel.

Estranhamos a atitude de mandar olhar logo assim de cara, mas como ele deu um voto de confiança por sermos do sertão, seguimos para ver o apartamento. Eu, Márcio e Rodrigo analisamos o imóvel e gostamos muito. Tanto pelo espaço físico, preço e pela proximidade do centro da cidade. Só faltava agora fechar o negócio. Desci curioso para saber as exigências que o proprietário faria para isso. Assim que voltei ele perguntou o que achamos e falei o quanto ficamos interessados. Agora queria saber dele quais eram os pré-requisitos:

- O senhor exige que tenha fiador (isso porque em outros casos pediram)?

- Fiador aqui é sua palavra. Se num pagar, boto pra fora no outro dia e estamos resolvidos. Aqui num tem esse negócio não. Se ver que vai atrasar, todo mundo tem problema eu sei. Mas num vá dar uma de doido e passar na minha frente sem dar nenhuma satisfação não, se não boto pra fora do mesmo jeito. Agora se avisar, é conversando que se entende.

- E o pagamento como é?

- O normal de todo aluguel né? Paga a primeira hoje, se muda pra cá amanhã e a cada 30 dias eu quero o dinheiro. Na saída quero tudo limpinho como entreguei.

- Precisa assinar alguma coisa?

- Não, como falei o documento aqui é a palavra.

- Tudo bem seu Zé, estamos acertados então. Mais tarde pegamos a chave, pagar o primeiro mês e vamos fazer a mudança amanhã logo cedo.

- Só mais uma coisa: Temos outros vizinhos aí, lembrem-se disso. Portanto, nada de festinhas a noite toda com som alto. Onze da noite baixa o som para não incomodar e não comam ninguém na escada tá certo? Palavras de Seu Zé!

- Tá certo seu Zé (não teve como controlar o riso nessa hora, mais o velho continuou sério). Mais tarde estaremos aí para lavar o apartamento.

Com toda desgraça que falaram, a conversa com o velho foi tranquila e até mesmo divertida. Eu agora estava indo dividir os sonhos e as contas com dois cearenses. Um do Crato e outro de Aurora. Vamos ver no que é que dar!

 
Francisco Trajano

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Faltou Gás, sobrou jaca!


Reporto-me novamente a um capítulo que quebra a cronologia dos fatos. Quando ainda estávamos na formação original dos cinco sobreviventes do estágio, recebemos uma visita. Tratava-se de um namorado de Juliane, também conhecido nosso da época de escola técnica. O cara era gente boa. Mesmo assim, ele não podia ficar de fora das armações de Elivaldino.
Com a chegada da visita no apartamento da Praça Félix Araújo, Juliane, a mais interessada em impressionar o visitante, cuidou da arrumação do ambiente e ainda pediu que deixassem por conta dela o jantar daquele dia. O costume era que houvesse um revezamento na cozinha, mas o padrão foi quebrado para atender a solicitação. E numa tentativa de fazer algo diferente, Juliane exagerou em alguns condimentos e justo no que o cara tinha alergia. Logo que começou a comer, ele passou a espirar que quase num para mais. Márcio para não perder a oportunidade de abrir uma discursão com Juliane comenta: Assim você perde o jantar e o casamento minha filha!
Passado o primeiro momento da estadia, no dia seguinte deixamos o hóspede no apartamento e fomos ao nosso shopping favorito de domingo, a feira da prata. Na volta, aguardávamos Elivaldino em um posto de gasolina na esquina da feira para comprar o gás de cozinha que havia acabado justo naquele dia. Eis que surge o indivíduo com uma enorme jaca nas costas e com a notícia de que tinha “descompletado” o dinheiro do gás. Mesmo assim pedimos que o gás fosse entregue. Seguindo a caminho de casa eu e Márcio (pra variar reclamando) com algumas sacolas, o funcionário do posto com o botijão de gás em um carro de mão nos acompanhando e Elivaldino com a jaca.
Ao chegarmos em frente a praça, avistamos nossos colega visitante escorado na entrada do prédio olhando o movimento da rua sem nem imaginar o que o aguardava. Assim que o viu, Elivaldino comentou com o entregador de gás: Tá vendo aquele cara na porta do prédio? Cobre o que falta pra ele, ele também esta morando conosco. Ao chegar là, sem pensar duas vezes o funcionário abordou o sujeito: Sr. Pediram que lhe cobrasse metade do valor do gás. Para não fazer feio na casa da namorada, satisfeito ou não, ele meteu a mão no bolso e custeou a despesa. Prometemos devolver pra ele o valor depois, coisa que ele espera até hoje rs. Difícil mesmo é visitar estagiários e sair sem pagar nada.
A jaca foi outro fator decisivo na visita. Como praticamente só quem comia jaca era Elivaldino e não tínhamos geladeira naquele tempo, àquela jaca enorme ficou aberta no chão por três dias e impregnou um cheiro forte pelo apartamento que mesmo depois de jogar fora o resto e lavar o piso, aquilo permanecia. Isso espanta mais visita do que a simpatia de colocar vassoura atrás de porta. Resultado, com o tratamento dados pelos anfitriões, não há visitante que aguente e nosso amigo pegou o caminho de volta para o sertão.
E esse cabra safado que é o Elivaldino ainda fica me ligando para que eu não esqueça de contar suas presepadas... rsrs.


Francisco Trajano 

sábado, 22 de junho de 2013

O episódio das Cuecas



Alguns episódios acontecidos durante a luta do estágio tenham sido eles dentro ou fora da empresa, eu acabei deixando de falar até pra não envolver nomes de pessoas sem a autorização das mesmas. Só que hoje recebi uma ligação de um dos “heróis” desse período bom de nossas vidas me pedindo que contasse alguns acontecimentos que fizeram partes desses dias e que renderiam boas postagens. A pessoa que me ligou foi Elivaldino Clementino, o mais levado dos cinco e conhecido de outras postagens. Durante a conversa ele inclusive falou que o nome dele podia aparecer em quantas postagens eu fizesse sem problema algum.

Então a pedido de meu amigo, vamos quebrar um pouco a cronologia dos fatos e voltar a época do pensionato da Rua Rui Barbosa. Estávamos lá os cinco. E num acordo feito com a proprietária, em dias alternados, cada um lavava sua roupa até pra não congestionar os varais que eram poucos e tinha que deixar espaço para os outros hóspedes também. Depois de alguns dias ela queria inclusive empatar de lavar roupa pra reduzir o consumo de água, ver se pode! E aí começa a queda de braço. De um lado a velha deixando de cumprir os acordos feitos quando foi pra gente entrar lá, do outro, não tínhamos muitas opções, o jeito era reclamar e tentando ficar mais alguns dias por alí.

E naquele dia de Elivaldino lavar as roupas dele veio à confusão. Após lavar todas as roupas sujas a noite quando chegava do trabalho, ele as deixou em baldes de molho (como de costume) e no dia seguinte antes de sair pra empresa, espremia e as deixava no varal para retirar no final da tarde quando chegasse do trabalho. Essas duas fases citadas foram concluídas com sucesso. Só que nesse dia, foi um daqueles “dias de Campina Grande”, pouco sol, chuva fina durante quase todo o dia e o filósofo Márcio dizia que se quisesse que chovesse era só sair sem guarda-chuvas – ô homem pessimista rs. Mas voltemos ao personagem principal de hoje. Quando chegamos da fábrica, fomos direto ao terraço dos fundos para discutir sobre os acontecimentos do dia no trabalho e veio à primeira percepção: A roupa de Elivaldino não estava mais no varal.

Chegando ao quarto, todas as roupas estavam em cima da cama. Pelo visto não era tão ruim assim, alguém guardou as roupas para ele. Foi engano quando pensamos ter sido algo bom. Quando foi guardar as roupas, ele viu que estavam molhadas ainda, pois foram tiradas antes de secar para dar espaço para outras pessoas. E não parava por aí. Já PUTO da vida e se preparando para ir tirar satisfação com a dona do pensionato, Elivaldino identifica várias cuecas de outro hóspede embaralhadas junto com sua roupa. A janela do nosso quarto ficava de frente com uma lanchonete bem famosa daquela rua, a hoje já extinta Coffee Cake e nesse horário de fim de tarde para a noite tinha um movimento considerável inclusive com uma fila de carros estacionados na lateral do pensionato. Sem pensar duas vezes, Elivaldino arremessou as cuecas pela janela. Foi bandeirola de toda cor se espalhando pela rua.

O filho da velha, um cara metido a playboy, vinha chegando nesse instante e pode acompanhar a chuva de cuecas que fora caindo sobre os carros e na rua. Esse deu um grito pela mãe e protestou dizendo: Tá vendo só as qualidades que a senhora arruma pra morar aqui? A velha como principal culpada no que chamados de: “O episódio das cuecas”, não teve outra alternativa se não ir catar as cuecas e procurar o verdadeiro dono posteriormente para não irritar mais um hospede! Seu “Biu” só ficava olhando da portaria enquanto fumava mais um cigarro.

Taí Elivaldino, o episódio das cuecas foi registrado. Depois estarei escrevendo mais alguns das sugestões feitas. Aceito mais sugestões!


Francisco Trajano