sábado, 21 de julho de 2012

Chegando para começar a vida de estagiário

 

             Em uma manha de outubro, cheios de ansiedade, ficamos olhando o expresso Guanabara entrar na Rainha da Borborema (como é conhecida a cidade de Campina Grande). Encontramos um clima totalmente diferente do que deixamos no sertão, o sol nascia como se estivesse envergonhado em meio aquela chuva fina e um acinzentado na paisagem que mal dava pra ver a alguns metros a frente. Desembarcamos no terminal rodoviário Argemiro de Figueredo aproximadamente às 04:30 da manha. Na ala masculina, não se via muita coisa de bagagem. Cada um trazia uma pequena mala e uma mochila nas costas. Já Juliane, achávamos que ela não tinha deixado nada em casa: duas malas grandes, uma bolsa e uma mochila.
Parecidos com retirantes, seguimos juntos até a parte superior e ficamos próximo aos guichês, na esperança e na espera por um carro da empresa que logo estaria chegando para nos pegar (pelo menos era o que esperávamos. Um pouco desprotegidos de roupas para o frio que não imaginavamos encontrar, mas ninguém quis tirar cobertor das malas, afinal isso seria passar por “matuto” rs. Então ficamos alí, naquele frio desgraçado, expostos ao vento gelado, sem querer nos amparar na parte de baixo, o motorista poderia não nos ver e causar problemas. Já se passava uma hora e nada de carro. O frio é que era o companheiro inseparável. A orientação da escola foi clara: Nada de perturbar a empresa, já que esta ofertando essas vagas de estagio para a escola.
Quando deu sete horas da manha, estávamos a duas horas e meia naquele teste para sobreviventes do Titanic, quando tomamos uma decisão: Tínhamos que fazer contato com a empresa. Alí mesmo me elegeram como a pessoa que lideraria o grupo, mantendo aquele primeiro contato. Liguei para a empresa e na portaria me informaram que simplesmente não tinha aviso nenhum para pegar estagiários na rodoviária. Mas que estariam enviando naquele momento. Imaginem se não tivesse ligado! Alguns minutos depois, o Sr. João Alves chegou numa perua se desculpou pelo mal entendido e saio conosco meio que apressado pelas ruas que eram todas novidades para nós. Eu como líder do grupo, sentei na frente e comecei puxar conversa com o motorista que me falou está nos levando a um hotel no centro da cidade, onde ficaríamos hospedados os primeiros dias pela empresa.

A chuvinha não dava trégua. Quando paramos em frente ao Hotel Mahatma Gandhi, o motorista João Alves apenas olhou pra mim e disse: Vá perguntar a moça da recepção se a reserva está ok. Apresentei-me na recepção, fui atendido pela Sra. Socorro que confirmou a reserva feita pela empresa e pediu apenas para aguardar o preenchimento da ficha de cada um. Voltei para o motorista da perua, confirmei a situação e chamei os colegas para entrar e fazer as fichas. Antes de ir embora, João falou que retornaria as 10:00 horas para nos pegar. Fizemos o registro no Hotel e seguimos para os quartos, orientados por "Seu Chico" um senhor muito simpático, cheio de bom humor que expressava felicidade e contagiava a todos com sua forma simples de conversar, sorrir, viver. Na divisão dos quartos ficamos eu e Elivaldino em um, Marcio e Bruno em outro em frente ao nosso e um andar acima ficou Juliane em outro quarto.
A euforia era total, apesar do cansaço. Mas era hora de desfazer mala tomar um banho, tomar café e aguardar e visita à empresa para conhecer melhor as dependências. Estávamos ali dando início a nossa aventura na cidade grande.
Francisco Trajano