No
dia dos exames admissionais, às 5:00 horas da manhã começou a movimentação. Desde a
luta pela coleta do material a ser levado para o laboratório, até a perturbação
no quarto dos companheiros que ainda não tinham conseguido. Depois de muita
zuada, de posse do material em seus respectivos recipientes, passamos pela
recepção apenas com um “bom dia” rápido, como se fossem identificar o que
estávamos carregando. Rs.
A
caminho do laboratório para coleta do sangue, o mais próximo do hotel, já conversávamos
sobre os outros laboratórios onde teríamos que passar. Foi aí que Bruno
Carolino, o mais calado do grupo, disse que não se preocupasse que ele conhecia
a cidade e chegaríamos facilmente aos destinos. Pela referencia da Caixa Econômica,
logo encontramos o local para fazer o exame audiométrico.
Feito
a ficha na recepção, ficamos aguardando ser chamados um a um para o teste. A
fonoaudióloga, Dra Lavínia Brandão, com um voz muito baixa, aproxima-se de
Márcio Junior e pergunta: _ Como é seu nome? E Márcio, num misto de nervosismos
e descuido: _ Ham? O que? Elivaldino que não prestava logo manda a dele:
Reprovado, o cara que num exame de ouvido não escuta a médica chamar, já era,
vai voltar pra Cajazeiras.. rs.
Já
perto de meio dia, faltava apenas uma radiografia que seria feita em um
laboratório próximo a catedral. Estávamos em uma rua por traz da Caixa
econômica e Bruno por dizer que conhecia a cidade, achou melhor descer pelo
canal. Após algum tempo de caminhada, passamos por onde é o viaduto hoje e já
estávamos bem perto da entrada do José Pinheiro (famoso bairro da zona leste em
Campina Grande) quando percebi que Bruno já nem sabia pra que lado tava indo. Atrasei-me
um pouco na caminhada e comentei com Elivaldino, esse me disse: Pare esse
homem, vamos primeiro descobrir onde estamos. Quanto mais Bruno dizia que
sabia, mais nos afastávamos da avenida principal até adentrar em ruas antigas,
estreitas. Sem saber, estávamos agora entrando na feira central. Falamos em
perguntar, aí Márcio disse: NÃO, se não vão pensar que somos matutos e estamos
perdidos... O que não deixava de ser verdade.
Quando
olhei pra cima, me orientando pelas antenas de telefonia do centro da cidade e
posteriormente pela torre da igreja, tomei a direção e reencontramos a Floriano
Peixoto (Rua principal onde ficava a clínica). Ao final, todos os exames foram
feitos e o resto do dia foi pouco para as brincadeiras e comentários sobre mais
um dia vencido na cidade grande.
Os dias no hotel estavam contados, a empresa ia pagar apenas 15 dias, depois
que recebêssemos a primeira quinzena, teríamos que procurar um lugar para morar
e esse dia estava chegando...
Francisco Trajano

