sábado, 25 de agosto de 2012

Exames Admissionais



No dia dos exames admissionais, às 5:00  horas da manhã começou a movimentação. Desde a luta pela coleta do material a ser levado para o laboratório, até a perturbação no quarto dos companheiros que ainda não tinham conseguido. Depois de muita zuada, de posse do material em seus respectivos recipientes, passamos pela recepção apenas com um “bom dia” rápido, como se fossem identificar o que estávamos carregando. Rs.

A caminho do laboratório para coleta do sangue, o mais próximo do hotel, já conversávamos sobre os outros laboratórios onde teríamos que passar. Foi aí que Bruno Carolino, o mais calado do grupo, disse que não se preocupasse que ele conhecia a cidade e chegaríamos facilmente aos destinos. Pela referencia da Caixa Econômica, logo encontramos o local para fazer o exame audiométrico.

Feito a ficha na recepção, ficamos aguardando ser chamados um a um para o teste. A fonoaudióloga, Dra Lavínia Brandão, com um voz muito baixa, aproxima-se de Márcio Junior e pergunta: _ Como é seu nome? E Márcio, num misto de nervosismos e descuido: _ Ham? O que? Elivaldino que não prestava logo manda a dele: Reprovado, o cara que num exame de ouvido não escuta a médica chamar, já era, vai voltar pra Cajazeiras.. rs.

Já perto de meio dia, faltava apenas uma radiografia que seria feita em um laboratório próximo a catedral. Estávamos em uma rua por traz da Caixa econômica e Bruno por dizer que conhecia a cidade, achou melhor descer pelo canal. Após algum tempo de caminhada, passamos por onde é o viaduto hoje e já estávamos bem perto da entrada do José Pinheiro (famoso bairro da zona leste em Campina Grande) quando percebi que Bruno já nem sabia pra que lado tava indo. Atrasei-me um pouco na caminhada e comentei com Elivaldino, esse me disse: Pare esse homem, vamos primeiro descobrir onde estamos. Quanto mais Bruno dizia que sabia, mais nos afastávamos da avenida principal até adentrar em ruas antigas, estreitas. Sem saber, estávamos agora entrando na feira central. Falamos em perguntar, aí Márcio disse: NÃO, se não vão pensar que somos matutos e estamos perdidos... O que não deixava de ser verdade.

Quando olhei pra cima, me orientando pelas antenas de telefonia do centro da cidade e posteriormente pela torre da igreja, tomei a direção e reencontramos a Floriano Peixoto (Rua principal onde ficava a clínica). Ao final, todos os exames foram feitos e o resto do dia foi pouco para as brincadeiras e comentários sobre mais um dia vencido na cidade grande.

Os dias no hotel estavam contados, a empresa ia pagar apenas 15 dias, depois que recebêssemos a primeira quinzena, teríamos que procurar um lugar para morar e esse dia estava chegando...
 
Francisco Trajano

sábado, 11 de agosto de 2012

Dia a dia no hotel




Apresentamo-nos na empresa. Mas ainda não entramos na área fabril, fomos diretos participar de uma semana de treinamento e integração cumprindo assim uma das exigências da empresa para novatos que ali estavam ingressavam.

Enquanto isso no Hotel Mahatma Gandhi, quando chegávamos da empresa, nossos primeiros dias se resumiam a comprar pão na primeira esquina, jantar quase todos os dias pão com patê (invenção de Juliana) e uma caixa de achocolatado que partíamos para os cinco como jantar. Depois, assistíamos TV no saguão e escutávamos as anedotas de Seu Chico. Vez por outra, conversávamos também com o Sr. Naim (indiano, dono do hotel), um senhor muito educado e com um forte sotaque estrangeiro. Tinha também o ritual das ligações noturnas do orelhão, para dar notícias a família. Uns com maior frequência que outros, não é Marcio Junior? Rs. Depois disso, era só dormir cedo. Afinal, aquela experiência era novidade para todos e a mudança de rotina nos deixou muito cansados no início.

           Alguns dias depois, começamos alargar mais as fronteiras e aos poucos fomos saindo para a Praça da Bandeira, onde conhecemos um sertanejo que vendia cachorro-quente em uma barraca a preço de estagiário, o que logo substituiu o pão do jantar em alguns dias para variar um pouco. O "Galego" passou a nos chamar apenas de Cajazeiras, fazendo mensão a nossa origem. Mas sempre dormindo cedo, já que no dia seguinte, levantava cedo, tomava café no hotel e saia para pegar o ônibus da empresa para um percurso de aproximadamente 30 minutos. Os cafés no hotel... Rs. Quando juntava em uma mesa eu, Elivaldino e Márcio... Janaína traz mais queijo! Janaína, mais ovo! Janaína, e as frutas? Rs. Ô povo pra comer... E a pobre da Janaína é que cansava as pernas, acho que ela deu graças a Deus quando saímos de lá!
 
 
Teve um episódio interessante uma vez que precisamos comprar pão a noite para o ritual de jantar diferente do meu sertão. E novamente o acompanhamento era patê e achocolatado. E ninguém queria ir à padaria. O detalhe era o seguinte, o hotel estava lotado de hóspedes jovens, na sua maioria mulheres, vindos de outras cidades e estados vizinho para prestarem vestibular em Campina Grande como é uma tradição conhecida da cidade. Depois de discursões e um sorteio no final, Márcio Junior foi o premiado para cruzar o saguão trazendo consigo uma sacola de lado com 25 pãezinhos para nosso jantar. O tamanho dos pães era inversamente proporcionais a nossa fome. Que saudades do rubacão com carne assada na casa de mamae...
 
 
E assim os dias corriam. Entre o hotel e a empresa, o cansaço aumentava. Mas teríamos um dia de folga para fazer exames admissionais. E como encontrar as três clínicas diferentes para realizar os tais exames? Ainda bem que Bruno disse que sabia onde era. Mas será que ele sabia mesmo? Isso eu conto na próxima postagem.




Francisco Trajano