E
num é que Elivaldino voltou a trabalhar na empresa de onde saiu no estágio
dizendo que nunca mais voltaria! Pois é. O mundo é uma bola e essa bola gira.
Passado alguns meses, na verdade quase dois anos, depois de trabalhar como
mecânico de máquinas em uma empresa de pequeno porte na cidade de Cajazeiras,
ele mudou o pensamento feito o sol muda de posição e me ligou um dia com a
seguinte missão: - Trajano, eu estou a fim de morar em Campina Grande. Para isso
preciso trabalhar e você vai conseguir um emprego para mim. Ainda tentei
explicar pra ele que o período de estágio acabou e não era mais eu que resolvia
tudo, mais foi inválido, quando aquele indivíduo botava uma coisa na cabeça,
pronto!
Fiquei
pensado que aquele cara só podia ter bebido. Não era fácil conseguir um emprego
assim do dia para a noite como ele queria. Só que fiquei mais surpreso ainda
foi quando ele disse que eu iria arrumar esse emprego na mesma empresa que ele
havia feito o estágio. Aí eu tive certeza que ele não estava bem da cabeça. Quando
questionei como eu ia arrumar essa colocação de trabalho na empresa que ele
saiu dizendo que nunca mais voltaria (como contei na postagem anterior), ele
disse simplesmente que confiava em mim, que era só esperar surgir a
oportunidade certa e eu ia saber aproveitar.
Acho
que as vezes um pouco de loucura só ajuda as coisas acontecerem de forma que
venham a atender nossas expectativas. Eu trabalhava com TI (tecnologia da
informação) e recebi um chamado para verificar uma impressora que resolveu
parar de funcionar no meio de uma reunião. Detalhe, isso aconteceu uns cinco dias
depois da ligação de Elivaldino. Bem, mas chegando a sala onde estava a
impressora, comecei verificar os sintomas da paciente enquanto a reunião seguia
na mesa do lado entre dois engenheiros mecânicos. Não pude deixar de ouvir o
conteúdo da reunião logicamente. E lá “pelas tantas” um engenheiro fala para o
outro:
-
As máquina novas estão chegando semana que vem. Precisamos reforçar a equipe,
não temos gente suficiente na manutenção para acompanhar essa montagem.
-
Quantas pessoas você pretende colocar na equipe?
-
Pelo menos quatro pessoas, sendo que desse número preciso de dois mecânicos. E
não quero técnico pra vir aprender aqui não! Quero profissionais que já tenham
uma experiência na área.
Foi aí que vi a oportunidade que o “doido”
falou e não deixei escapa:
-
Senhores, estou escutando a conversa e posso lhe dizer que conheço um técnico de
mecânica experiente que atende os pré-requisitos que vocês precisam. E melhor
ainda, ele já foi dessa empresa e conhece as máquinas daqui também.
Foi
quando um deles se lembrou de da fazer uma pergunta que eu temia que fizessem:
-
E porque ele saiu daqui?
Como
o engenheiro que assinou a saída dele tinha já não estava mais trabalhando por
lá, fiquei tranquilo pra “costurar” a história: - Acabou o estágio e a
perspectiva de efetivação quase num existia, ele achou melhor buscar emprego em
outro lugar, mas agora está querendo voltar.
-
E onde esse cara está agora?
-
Lá em Cajazeiras, sertão do estado.
-
Pois pegue o telefone da empresa aí e ligue para ele agora, se ele tiver
interesse, compareça ainda essa semana aqui já de pose da documentação
necessária.
E
na semana seguinte, carregando no peito o mesmo escudo da empresa que ele disse
que não voltaria, ele voltou. O menino maluquinho, com um pouco mais de
maturidade e fazendo planos inclusive de se casar, retornou a casa de onde havia
saído.
Dias
depois ele se casou, e me deu outra missão nessa ocasião que também não foi
fácil, mais isso é coisa pra contar em outra postagem futura. Parecia até ser
filho meu... rs. Pense num menino que deu trabalho!
Francisco
Trajano






