E no
dia marcado para organizar a nova moradia, fui procurado por mais um navegante
daquela luta pela permanência na cidade grande. Era Dalton Guedes (estudante de
engenharia elétrica), que pretendia deixar o pensionato só não sabia como
ainda, mas como acompanhou parte das nossas conversas por lá, veio pedir pra
pegar carona e ir morar conosco. Eu não o conhecia direito, até pelo pouco
tempo. Mas só o fato de tirar mais um daquele lugar... Falei com Marcio e
Rodrigo e acertamos o seguinte: Além de ser mais uma vingança contra a velha, é
mais um pra dividir o aluguel e as demais despesas. Da composição antiga
ficamos eu e Márcio Junior. Reforçando o time, agora tinha o cearense Rodrigo
vindo do Crato e Dalton, vindo da cidade de Corrente no Piauí.
E em
mais uma tarde de sábado, nosso programa foi: vassoura, balde, rodo e sabão em
pó. Lavar o novo apartamento para onde mudaríamos no domingo. Pelo menos uma
coisa já tínhamos encontrado em comum, diferente do som que escutávamos no
pensionado, Raul Seixas agradou a todos enquanto faxinávamos. O Apartamento da
Epitácio Pessoa era grande. Tinha três quartos. No quarto maior, ficamos eu e
Márcio. Em cada um dos quartos menores, um dos novatos assumiu como sua área
privada.
Um
apartamento tão grande e sem nada dentro. Alguma coisa tinha que ser feito. Depois
de indicações, visitamos uma feira de móveis usados no Bairro de Santa Rosa.
Com muita pechincha e pouco investimento para cada um, mobilamos nossa morada.
Uma mesa grande com seis cadeiras no estilo antigo encheu nossa sala de
jantar. No mesmo pacote, compramos um
fogão de quatro bocas, uma geladeira e cômodas para os quartos. Dormíamos em
colchões no chão mesmo por enquanto.
Com
o nosso recanto um pouco mais organizado, fizemos uma reunião para definir as
regras do ambiente. Calendário para fazer a faxina, sequencia da compra de água
mineral, como seria a divisão das compras e outras pautas necessárias para
manter a ordem. Quem cozinhava, não lavava louça. Márcio cozinhava bem e
cobrava muito a limpeza da pia (oh homem exagerado rs). Não sei se Dalton
aprendeu cozinhar porque era quem mais lavava louça. Rodrigo também tinha suas
habilidades na cozinha e eu, além das comidas corriqueiras, era conhecido pelas
comidas mais “exóticas”. Macarronada, dobradinha, mungunzá, rabada e até bolo.
Isso sem contar a tradicional feijoada dos domingos, onde o chefe da cozinha
era eu.
Com
o apartamento “mobilhado” e as regras definidas, precisávamos inaugurar a
geladeira. E antes mesmo da primeira feira, o melhor teste pra ver se gelava
mesmo foi com cerveja. Era hora de comemorar aquela nova etapa conquistada.
Francisco
Trajano

