quinta-feira, 5 de setembro de 2013

"Frango à vira lata"




Como a internet aproxima as pessoas. Hoje conversei com Rodrigo, o cearense que dividiu apartamento conosco (já citado em alguma das postagens anteriores). Enquanto conversamos, falei um pouco sobre o blog e ele me lembrou de um capítulo que aconteceu no pensionato que não pode ficar de fora dessa história (Esse pensionato redeu histórias). E se não podia ficar fora, vamos adicioná-lo.
Nos últimos dias de convívio naquela hospedaria, quando as coisas já não estavam mais tão tranquilas, a proprietária precisou sair num sábado para visitar uns parentes e deixou que sua neta ficasse responsável por preparar o nosso almoço. A eleita não viu problemas e disse que podia deixar com ela.
Sem dinheiro e sem ter para onde ir no final de semana, após o café do sábado, ficamos de jogar conversa fora reunidos em um mesa grande no terraço que dava acesso a cozinha. Até que o filho da dona chegasse e botasse a fita cassete de Beto Barbosa pela milésima vez. E começamos a ouvir tudo de novo até a turma começar se dispersar. Aos fundos, dividido por um portão vazado, ficava um quintal – residência de uma vira lata de estimação da neta da velha.
Apesar da comida da pensão não ser de qualidade tão boa, fiquei mais preocupado ainda quando soube quem iria preparar naquele dia, tendo em vista que a criatura parecia ter alguns parafusos a menos na cachola. E minha preocupação não foi a toa. Cantarolando letras de músicas que eu nem conhecia, a nova cozinheira começou a preparar a refeição. Ainda no terraço, observei quando ela começou cortar o frango em uma pia não muito adequada para tal atividade. Mesmo assim, até então estava dentro do aceitável para os padrões que vivíamos alí. Ainda de olho nela, vi quando foi até o portão vazado conversar com a cadela. Brincou, acariciou por tudo que foi lugar e chegou até a beijar no rosto da vira lata. Ao concluir a seção animal, como se nada tivesse acontecido, voltou a pia, pegou o frango e continuou a cortar.
Foi a gota d água. Perdi o controle. Dei tanto do grito nessa criatura, que quase a deixo de ouvido estourado. Sebosa foi o menor nome que ela levou. Os outros foram chegando e perguntando o que era... Ela, paralisada e branca me olhava com cada olho que vi a hora sair da caixa. Eu e os demais colegas, sem poses financeiras, tivemos que comer sanduiche na rua, porque o “frango à cachorro” tirou qualquer apetite naquela residência. Mais um motivo para apresar a saída dalí. Isso foi o que vi, mas só Deus sabe o que podemos ter comido alí.
Valeu pela dica Rodrigo, se tiver mais alguma, manda pra cá e será publicada no blog.
 
Francisco Trajano

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