Como
a internet aproxima as pessoas. Hoje conversei com Rodrigo, o cearense que
dividiu apartamento conosco (já citado em alguma das postagens anteriores).
Enquanto conversamos, falei um pouco sobre o blog e ele me lembrou de um capítulo que aconteceu no pensionato
que não pode ficar de fora dessa história (Esse pensionato redeu histórias). E se não podia ficar fora, vamos adicioná-lo.
Nos
últimos dias de convívio naquela hospedaria, quando as coisas já não estavam
mais tão tranquilas, a proprietária precisou sair num sábado para visitar uns
parentes e deixou que sua neta ficasse responsável por preparar o nosso almoço.
A eleita não viu problemas e disse que podia deixar com ela.
Sem
dinheiro e sem ter para onde ir no final de semana, após o café do sábado,
ficamos de jogar conversa fora reunidos em um mesa grande no terraço que dava
acesso a cozinha. Até que o filho da dona chegasse e botasse a fita cassete de
Beto Barbosa pela milésima vez. E começamos a ouvir tudo de novo até a turma começar se dispersar. Aos fundos, dividido por um portão vazado,
ficava um quintal – residência de uma vira lata de estimação da neta da velha.
Apesar da comida da pensão não ser de qualidade tão boa, fiquei mais preocupado
ainda quando soube quem iria preparar naquele dia, tendo em vista que a
criatura parecia ter alguns parafusos a menos na cachola. E
minha preocupação não foi a toa. Cantarolando letras de músicas que eu nem
conhecia, a nova cozinheira começou a preparar a refeição. Ainda no terraço,
observei quando ela começou cortar o frango em uma pia não muito adequada para
tal atividade. Mesmo assim, até então estava dentro do aceitável para os
padrões que vivíamos alí. Ainda de olho nela, vi quando foi até o portão vazado
conversar com a cadela. Brincou, acariciou por tudo que foi lugar e chegou até
a beijar no rosto da vira lata. Ao concluir a seção animal, como se nada
tivesse acontecido, voltou a pia, pegou o frango e continuou a cortar.
Foi
a gota d água. Perdi o controle. Dei tanto do grito nessa criatura, que quase a
deixo de ouvido estourado. Sebosa foi o menor nome que ela levou. Os outros
foram chegando e perguntando o que era... Ela, paralisada e branca me olhava
com cada olho que vi a hora sair da caixa. Eu e os demais colegas, sem poses
financeiras, tivemos que comer sanduiche na rua, porque o “frango à cachorro”
tirou qualquer apetite naquela residência. Mais um motivo para apresar a saída
dalí. Isso foi o que vi, mas só Deus sabe o que podemos ter comido alí.
Valeu
pela dica Rodrigo, se tiver mais alguma, manda pra cá e será publicada no blog.
Francisco
Trajano

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