Com
a chegada da turma nova de estagiários vindos do IFPB de Cajazeiras,
praticamente adotamos os novatos. Auxiliamos nos primeiros dias orientando-os
como deveriam proceder na empresa e fora dela. Até mesmo na hora de conseguir
um lugar para morar. E eles acabaram arrumando um apartamento no prédio vizinho
ao que morávamos na Rua Epitácio Pessoa. A família do sertão só crescia nas
proximidades.
Dentre
os novatos, veio Danilton. Ele fazia parte de uma segunda geração de Unedianos
(assim chamávamos os alunos da UNED). Irmão de Danilo, que terminou o curso
comigo. Juntou-se com Márcio Junior e logo estavam tomando uma ao som de “Toca
do Vale” (banda de forró ruim da gota! Lembra Danilton? rsrs). Mas uma
particularidade do boyzinho, como o chamávamos, é que sempre chegava assim de
forma despretensiosa nos horário de café e as vezes até de almoço de domingo lá
no nosso apartamento. Então quando a campainha tocava no domingo pela manha,
alguém já dizia: Deve ser o serrote Danilton.
Não
posso deixar de lembrar que era um visitante cheio de vontades. Não comia nada
sem ficar perguntando a origem. Na verdade ele era cheio de frescura. O menino
que não se acostumava com a vida longe dos cuidados de “mamãe”. E foi
justamente devido a esse comportamento dele que resolvi aprontar uma. Ele já
estava viciado na farofa de cuscuz com ovo ou charque que eu fazia nas manhãs
dominicais. Até que pensei em uma carne diferente para a farofa.
Fui
à feira da Prata e comprei um pulmão de boi. O popular bofe. Quando cheguei em
casa cortei em pedaços e coloquei dentro de um caldeirão com agua fervendo para
escaldar. Quando começou a sair a fumaça, Euza, a vizinha do andar de cima
perguntou se eu estava cozinhando um urubu... Rsrs. Passado a primeira etapa,
cortei em pedaços bem menores e coloquei nos temperos e abafei por algum tempo.
Depois de fritar bem duas frigideiras grandes da iguaria, coloquei dentro de
uma bacia de cuscuz e adicionei tomate, cebola e cheiro verde. E terminada minha
experiência exótica, liguei pra Danilton e o chamei no ap.
Em
poucos minutos, Danilton chegou e começou saborear o cuscuz junto conosco. Por
incrível que pareça, ele elogiou a carne e perguntou se podia comer mais. –
Pode botar o quanto quiser, hoje caprichei na quantidade também. Quando estava
terminando de comer o segundo prato, ele começou a perguntar que carne era
aquela. – Ora, você num comeu, sabe não é? Ele tentou, mas entre as opções:
fígado, rins, coração. Mas nada de acertar. Se eu não contasse, ele nunca iria
descobrir o que comeu com tanto gosto naquele café da manhã reforçado. Ficou
meio que sem acreditar no final, mas era tarde, tinha comido e muito...
Olhe
só um dado interessante que li hoje Danilton - o pulmão bovino, é uma fonte
potencial de ferro. Chegando a ter três vezes mais ferro que o próprio fígado. Segundo
os especialistas, a falta de hábito de consumi-lo gera um desperdício, pois
cada animal abatido rende cerca de dois quilos de pulmão bovino. Saudável e
suficiente para reverter drasticamente quadros de anemia. Eu num disse que era
mais saudável do que aqueles biscoitos Crean Crak rsrs.
Francisco
Trajano












