sábado, 7 de setembro de 2013

Mobilhando o novo apartamento



E no dia marcado para organizar a nova moradia, fui procurado por mais um navegante daquela luta pela permanência na cidade grande. Era Dalton Guedes (estudante de engenharia elétrica), que pretendia deixar o pensionato só não sabia como ainda, mas como acompanhou parte das nossas conversas por lá, veio pedir pra pegar carona e ir morar conosco. Eu não o conhecia direito, até pelo pouco tempo. Mas só o fato de tirar mais um daquele lugar... Falei com Marcio e Rodrigo e acertamos o seguinte: Além de ser mais uma vingança contra a velha, é mais um pra dividir o aluguel e as demais despesas. Da composição antiga ficamos eu e Márcio Junior. Reforçando o time, agora tinha o cearense Rodrigo vindo do Crato e Dalton, vindo da cidade de Corrente no Piauí.

E em mais uma tarde de sábado, nosso programa foi: vassoura, balde, rodo e sabão em pó. Lavar o novo apartamento para onde mudaríamos no domingo. Pelo menos uma coisa já tínhamos encontrado em comum, diferente do som que escutávamos no pensionado, Raul Seixas agradou a todos enquanto faxinávamos. O Apartamento da Epitácio Pessoa era grande. Tinha três quartos. No quarto maior, ficamos eu e Márcio. Em cada um dos quartos menores, um dos novatos assumiu como sua área privada.

Um apartamento tão grande e sem nada dentro. Alguma coisa tinha que ser feito. Depois de indicações, visitamos uma feira de móveis usados no Bairro de Santa Rosa. Com muita pechincha e pouco investimento para cada um, mobilamos nossa morada. Uma mesa grande com seis cadeiras no estilo antigo encheu nossa sala de jantar.  No mesmo pacote, compramos um fogão de quatro bocas, uma geladeira e cômodas para os quartos. Dormíamos em colchões no chão mesmo por enquanto.

Com o nosso recanto um pouco mais organizado, fizemos uma reunião para definir as regras do ambiente. Calendário para fazer a faxina, sequencia da compra de água mineral, como seria a divisão das compras e outras pautas necessárias para manter a ordem. Quem cozinhava, não lavava louça. Márcio cozinhava bem e cobrava muito a limpeza da pia (oh homem exagerado rs). Não sei se Dalton aprendeu cozinhar porque era quem mais lavava louça. Rodrigo também tinha suas habilidades na cozinha e eu, além das comidas corriqueiras, era conhecido pelas comidas mais “exóticas”. Macarronada, dobradinha, mungunzá, rabada e até bolo. Isso sem contar a tradicional feijoada dos domingos, onde o chefe da cozinha era eu.

Com o apartamento “mobilhado” e as regras definidas, precisávamos inaugurar a geladeira. E antes mesmo da primeira feira, o melhor teste pra ver se gelava mesmo foi com cerveja. Era hora de comemorar aquela nova etapa conquistada.

Francisco Trajano

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