E
segue viagem. Rodrigo começou dar aulas de Educação Física na Escola Cenecista no distrito de São
José da Mata. Assim, ele ocupava todo o seu tempo com a correria da faculdade e
com o trabalho. Eu e Márcio apenas trabalhávamos e quando não estávamos na
empresa, cuidávamos da roupa (lavar e passar) e do apartamento. Dalton apenas
estudava. Como o curso de engenharia elétrica é muito “puxado” cada vez que chegávamos
em casa estava lá Dalton com cara de pirado debruçado por cima dos livros de
cálculo.
Nas
noites de sábado, eu e Rodrigo frequentávamos a igreja de São Francisco que
fica a uma quadra do apartamento onde morávamos. E quando coincidia um fim de
semana com pagamento e folga de todos, a feijoada no domingo era sagrada. A
conversa se estendia até mais tarde e apesar de está cercado por prédios onde a
maioria dos moradores eram estudantes, o barulho de música ia até as 22:00
horas. Depois disso, se tivesse que continuar seria em um volume menor para
evitar problemas.
Em num
domingo, eu me aproximava do ponto do ônibus 555 próximo a praça para voltar
pra casa quando avistei um cara esperando ônibus que não me era estranho. Olhei
mais de perto para tirar dúvida e enquanto observava ele começou conversar com
outra pessoa. Ouvindo a voz e alguns dizeres próprios da região, eu matei a
charada. Era mais um sertanejo e eu já tinha uma ideia de onde.
-
Posso não lembrar seu nome, mas te conheço. Você lá da cidade de Sousa no
sertão. Ele sorriu e confirmou minha suspeita. Era Alexandre, um sousense que
fazia faculdade de jornalismo. Depois da conversa, descobri que ele estava
procurando apartamento para alugar. Lembrei-me que no prédio onde morava tinha
um disponível. Aí ele já foi comigo no ônibus, descemos na minha moradia e apresentei-o
para os outros inquilinos.
-
Pode olhar o apartamento nosso que o que está disponível é no mesmo formato e
tamanho que esse. Ele gostou muito do tamanho do imóvel e do preço. Marcou de
falar com o Sr. José Alves (proprietário) na segunda-feira e em menos de uma
semana, tornou-se nosso vizinho. Com Alexandre veio Euza (também da cidade de
Sousa) e Daniel. Mesmo depois de muito tempo, com todas as mudanças em nossas
vidas e distância que moramos hoje, quando reencontramos ainda chamamos um ao
outro de “vizinho”.
E no
primeiro final de semana com os novos vizinhos, fizemos uma confraternização
dos apartamentos para celebrar a chegada dos novatos. A tarde de domingo foi
regada a muita conversa, feijoada, cerveja e vinho. E a conversa se estendeu entrando pela
noite. Opa, parar cedo! Amanha tem trabalho. De volta a realidade, fomos
descansar e esperar mais uma segunda-feira.
Francisco
Trajano

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