sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Estagiários e as referências do além!



Depois de três meses no pensionato, já convivíamos com certo desconforto por quebra de alguns acordos por parte da proprietária. Começamos a procurar outro lugar para morar.

                Um fim de tarde quando voltávamos do trabalho, observamos na mesma rua do pensionato uma casa com uma placa de “Aluga-se”. Era uma casa grande com fachada no estilo barroco e com várias janelas na frente. A imagem não era das mais amigáveis, parecia que não morava gente ali a muito tempo. Uma entrada na lateral que servia de garagem onde um senhor fazia limpeza no momento. Pedimos para olhar a casa e o senhor nos acompanhou. Sala ampla e sala de jantar, quatro quartos, sendo um suíte. Uma cozinha enorme e um terraço nos fundos. Anotamos logo o contato da proprietária e o endereço para falarmos pessoalmente com ela. Apesar da pouca iluminação que deixava o imóvel mais sombrio, não levamos muito em consideração. Precisávamos sair do pensionato e continuar no centro da cidade, onde estávamos acostumados. Era tudo que queríamos no momento.

                Era a ideia perfeita. Uma casa daquele tamanho naquela localização ia atender além de nossa necessidade. E naquela noite mesmo, na famosa reunião das decisões no terraço dos fundos do pensionato, ficou tudo resolvido: Íamos ocupar dois dos quartos da casa, sublocaríamos os outros dois e assim complementava a quantia do aluguel, reduzindo o custo para nós. Pensamos inclusive na festa de inauguração da nova moradia. Aquela garagem na frente era um local perfeito para o evento. Só tinha mesmo que melhorar a iluminação, aquilo parecia um cemitério. Tudo planejado faltava apenas falar com a dona da casa.

                Visitamos a dona da casa em sua residência para falar sobre a locação. A casa dela seguia o mesmo estilo. Construção antiga, fachada parecida e pouca luz, isso logo chamou nossa atenção. Sugue a proprietária, uma senhora já idosa, vestida toda de branco e com um olhar fixo em cada um de nós como se quisesse ler nossa mente através dos nossos olhos. Pouca conversa e ela fez três exigências: Deixa-la pensar por um dia. Trazer um fiador no dia seguinte e desde já alertava que nos faria vizitas para conferir se não estávamos sublocando parte do imóvel já que isso era crime. Pensei – Caramba, como ela descobriu nossos planos? Rs. Como as opções eram poucas para o momento e queríamos ficar no centro...

                No dia seguinte voltamos à casa da senhora. Dessa vez já levando conosco o professor Chaquibe Costa como nosso amigo e fiador. Chaquibe deu boas referencias nossas e disse para a proprietária que não se preocupasse. A conversa foi rápida e ficou quase tudo acertado, no entanto, ela ainda pediu mais um dia e nos deixou mais uma vez intrigados com o prazo e a exigência. Despedimos-nos e lentamente ela entrou com seu vestido branco quase arrastando no chão. Agradecemos a Chaquibe e apelamos para o dia seguinte. Já meio desanimados, ainda cogitou-se na reunião de fim de noite, desistirmos da casa. Mas, muito insistente como sou, resolvi ir até o fim para ver o que dava.

Na terceira visita, essa mais rápida ainda, enquanto fitava em nossos olhos com um olhar esquisito, ela nos despachou ali mesmo no terraço. Disse-nos de cara que não dava mais certo à locação. Curioso, eu perguntei o motivo e ela nos disse que uma irmã tinha falado na noite anterior que não era para alugar para nós. Teimoso como sou, ainda insisti: Mas em uma de nossas conversas a senhora falou que não tinha irmã, se tem, como ela pode reprovar a ideia se não nos conhece? Quando nos respondeu: Não tenho irmã viva, essa que me falou ontem, morreu á dois anos...  Entreolhamos-nos rapidamente, cada um com uma cara mais espantada. Despedimos-nos dela e nunca mais voltamos ali.

De volta ao pensionato, teríamos que esperar mais um mês, enquanto as coisas se definiriam melhor na empresa, antes de tomarmos outra decisão qualquer.

 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Cuidado com o orelhão!




Em frente ao pensionato tinha um orelhão muito disputado à noite. E devido a essa concorrência para utilização, encontraram como alternativa outro que ficava na Rua Getúlio Vargas em frete a Universidade Estadual de Administração e Contabilidade. Nos dias que não tinha aula naquela instituição, um deserto se formava naquela área e já não era mais confiável ficar de bobeira naquelas imediações à noite. Pensando nisso, em uma das reuniões noturnas no terraço dos fundos do pensionato, alertei aos companheiros sobre circular por ali depois das vinte e uma horas. Eles disseram que eu era muito matuto e morria de medo da cidade grande, achava que se saísse teria que acontecer alguma coisa. Fiz apenas o comentário e seguimos com as demais pautas da noite.

Encerrado o encontro noturno, partimos para a disputa do orelhão mais próximo (já que celular era algo meio que inimaginável para o momento, sem contar as tarifas altíssimas). Não sei de onde Juliane tirava assunto para conversar no mínimo trinta minutos todo santo dia com a mãe! Depois da mãe, vinha a ligação para o namorado e essa sim demorava. Eu e Bruno ficávamos na média dos dez minutos para saber dos familiares como estavam. Tida como ligações “normais” e nem era todo dia. Márcio tinha verdadeira aversão ao uso do tal aparelho. Acontecesse o que acontecesse na família dele (que por sinal não era pequena) ele nunca passava mais de dois minutos na linha, isso uma vez por semana e olhe lá. Em resumo, se tava todo mundo vivo, tava ótimo e fim de papo. E fechava sempre com a mesma frase: “Aqui tá bom”. Rs.

Agora se tinha uma coisa que Elivaldino não podia reclamar de Juliane era da demora no telefone, nisso ele tava de igual pra igual com ela. Por causa de um namoro com uma sertaneja, ele ficava pendurado todo dia e assim ficava meio que empatado em horas de uso. E naquela noite, buscando uma maior “privacidade” para travar mais uma das suas intermináveis conversas com a musa, Elivaldino saiu da fila e foi para o já falado orelhão da Getúlio Vargas. Ficamos aguardando nossa vez ali mesmo, afinal já passava das vinte e uma horas e eu como matuto que era, tinha medo. Como disseram eles.

Depois de demorar muito, o que era normal em suas ligações, mas tava passando um pouco do esperado. Nós já estávamos preocupados com Elivaldino quando ele apareceu mais branco que uma vela e meio desconfiado como cachorro que comeu sabão (assim dizia minha vó). É que ao encerrar as conversas, mesmo antes de deixar o orelhão, ele foi abordado por dois menores, que munidos de uma faca, faziam “seu trabalho” por ali. Como ele estava sem dinheiro, levaram sua sandália e deram uns empurrões nele. Ainda quiseram levar a bermuda também, mas ele, como um bom doido que sempre foi (rs) disse que podia furar, mas sem roupa ele não ficaria no meio da rua. Por sorte, “os caras” viram que ele era doido mesmo o deixaram ir sem levar e sem fazer mais nada. Depois de ver uma lâmina bem próxima a sua barriga, ele teve que dar o braço a torcer e concordar comigo que ali era realmente perigoso para rondar a noite.

 

Francisco Trajano

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Desbravando a Praça da Bandeira


Em respeito a quem acompanha minhas postagens, peço desculpas pelo tempo que passei sem postar nada. Inúmeros motivos (de ordem pessoal) impediram. mas estamos de volta e prometendo desde já voltar em um espaço de tempo menor. Obrigado! A aventura continua. rs.


E o pensionato da estreita Rua Rui Barbosa passou a ser nosso novo endereço. Durante a semana, o lugar onde apenas dormíamos. Acordávamos cedo e depois de uma caminhada curta, ficávamos a esperar o ônibus para um percurso de aproximadamente 30 minutos até a empresa. Lá no trabalho, tomávamos café e almoçávamos. No final da tarde, cansados daquela novidade do ambiente fabril, fazíamos o caminho de volta muitas vezes dormindo no ônibus.

Em um terraço grande nos fundo do pensionato, depois do jantar, a conversa era regada a temas diversos. Desde acontecimentos diários no trabalho a assuntos mais polêmicos como futebol, relacionamentos (para quem os tinham), família, religião. Falando em religião, Tinha gente no grupo que não sabia para que aquele negócio de reza (rsrs) ...de agradecimentos ... rs  ...mas acabava cedendo em nome de uma certa união que ainda estava bem acentuada entre todos. Algumas vezes o tema discutido acabava sendo quebrado pelo som de uma bendita fita cassete de Beto Barbosa que um hóspede chato insistia em escuta-la diariamente em um som que ficava no mesmo terraço.

Aos pouco começaram a se soltar. A noite já desciam alguns a pé até o hotel onde ficamos anteriormente apenas para conversar com Sr. Chico, o funcionário divertido que sempre tinha uma piada nova para contar ou um causo interessante. Comecei a orientar os meninos a não ficar de bobeira na rua e logo surgiu um apelido de matuto que tinha medo de andar na cidade grande. Alguns dias depois, me livrei de situações não muito confortáveis justamente por ser matuto (o que conto em postagens seguintes).

E quando as andanças foram aumentando, já íamos a Praça da Bandeira a noite olhar o movimento, ler manchetes de jornal nas bancas e olhar a invasão de pombos daquele lugar. E foi na praça que descobrimos um sertanejo que por ali vendia lanches há alguns anos e nas conversas, vimos que ele era “lá de nós”. Galego, como era chamado era uma simpatia e logo passou a chamar todos nós de “Cajazeiras” como me chama até hoje quando o encontro. Por um preço bem atrativo, o “salsichão” substituiu o jantar algumas vezes, regado sempre a boas conversas e risadas nos bancos da praça. Mas sempre lembrando de voltar ao pensionato as nove da noite. No retorno, uma paradinha rápida em um orelhão para dar notícias em casa, dizer que tava tubo bem, mesmo quando não estava tão bem assim, o importante na verdade era tranquilizar mamãe.

Chegando de volta a moradia nova, encontrávamos Seu Bíu (como chamávamos) no portão e pelo seu: Boa noite - era feito a denuncia de que ele já tinha esquentado o frio com a famosa branquinha. Gente muito boa Seu Bíu. Acompanhando o futebol das quartas-feiras a noite pela TV da sala, começamos a puxar conversa e descobrir figura gente fina que se escondia por traz daquela cara fechada de Rodrigo que falamos em postagem anterior. Ele estava ali mais ou menos na mesma situação que a nossa, apostando as fichas em um sonho de terminar um curso superior e conseguir um trabalho. Vindo apenas de mais longe ainda, do interior do estado do Ceará. O Skaitista era mais sociável. Charlistron (nem sei se escreve assim) gostava mais de conversar e ao mesmo tempo era mais esquisito com suas histórias de aventuras. Aos poucos fomos nos enturmando com a galera do pensionato e descobrindo a verdadeira face do ambiente.

E quanto ao orelhão da Rua Getúlio Vargas, o matuto aqui avisou que não era lugar de ficar sozinho à noite, ninguém deu ouvidos e deu no que deu. Mas isso é assunto para uma nova postagem. Espero que num espaço de tempo menos que a ultima...

Francisco Trajano

domingo, 16 de setembro de 2012

Roupa suja se lava... onde tem água



Antes da saída do hotel, tínhamos que resolver uma pendência. Há alguns dias as roupas que ficavam sujas, estavam sendo acumuladas e precisavam ser limpas. Não tinha mais a mamãe que recolhia tudo, lavava no final de semana e nos entregavam todas chorosinhas não. Agora éramos nós e nós mesmos. No hotel era proibido lavar roupas nos quartos, por isso lavávamos apenas as fardas do trabalho as escondidas dentro do banheiro. Não tinha como pagar para mandar lavar fora.

Recebemos uma noite a visita do professor Alberdan, considerado por todos um paizão. Ele foi professor nosso no curso técnico e estava acompanhando nossa estreia no mercado de trabalho. Falamos das dificuldades encontradas na empresa, do nosso dia-a-dia no geral e da roupa suja também. Ele nos ofereceu a casa de sua mãe no bairro do São José para lavamos as roupas no fim de semana. Como não era tempo de perder oportunidade, já deixamos agendada a visita a Dona Raimunda no fim de semana.

No sábado seguinte, seguimos todos para o São José, cada um com seu volume de roupa suja. Tudo era motivo para brincadeira e alegria. Fizemos também um sorteio para ver quem usaria a lavanderia primeiro e como seria a sequencia de uso. E num ônibus coletivo, rindo da própria situação, seguimos destino para literalmente lavar a roupa suja.

E na casa de jardim muito bonito e bem cuidado, em meio a uma diversidade de plantas e flores, surge uma senhora simpática, calma e que transmitia uma paz infinita com sua voz e seu olhar. Dona Raimunda nos recebeu carinhosamente em sua casa e só pelas informações que o filho deu, já gostou de todos nós. E naquele dia, não encontramos apenas um lugar para lavar a roupa, ganhamos uma vovó muito especial que nos tratou e nos deu atenção como se fossemos seus verdadeiros netos. Depois de lavar a roupa e comer da comida da vovó, passamos parte da tarde conversando com ela.

Final da tarde, vimos que não era tão longe assim do São José para o centro, então resolvemos fazer o percurso de volta a pé. Assim evitamos pegar um ônibus mais uma vez com aquelas sacolas de roupas. Despedimos-nos da vovó que sempre estará em nossa lembrança como a pessoa maravilhosa que nos acolheu em sua casa como se fizéssemos parte da família. Como ela mesma falou, pessoas que eram amigas de seu filho, também mereciam sua atenção e amizade.

A realidade a ser enfrentada agora era o pensionato. Lá vamos nós descobrir o que era morar em um ambiente um pouco diferente do que nos foi apresentado...

 
Francisco Trajano

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Mudando para um pensionato



Retomando a saga dos estagiários, com o passar dos dias, a reincidência do cachorro quente na Praça da Bandeira como jantar, nos fez partir em busca de algo mais parecido com a comida de casa. A dúvida era como conseguir isso a baixo custo. E foi em uma conversa com o proprietário do hotel uma noite, que ele nos falou de um pensionato na estreita Rua Rui Barbosa que fornecia marmitas a preço de estudante. Com sotaque indiano, ele nos disse: Procura senhora dona de pensão e amiga minha que ela fornece marmita. Resolvemos então seguir o conselho dele.

Em uma reunião noturna no saguão do hotel, combinamos uma visita no dia seguinte ao pensionato para comprar o jantar e avaliar as condições do local e os preços para hospedagem, já que nossos dias de hotel pagos pela empresa estavam chegando ao fim e precisávamos definir um novo lugar para continuar acreditando no sonho da efetivação no primeiro emprego. Ficou certo que todo mundo ia junto já que era do interesse de todos.

E assim foi, chegamos da empresa no dia seguinte, combinamos de nos encontrámos em 20 minutos na recepção do hotel após um banho rápido. E no horário combinado seguimos todos para nossas descobertas no Pensionato Dona Milda. O pensionado ficava a duas quadras dali e logo chegamos. Sr Bío fumando seu cigarro, nos recebeu no portão e anunciou nossa entrada. Subimos a pequena escala e entramos na sala grande onde duas pessoas assistiam TV. Logo surgiu a proprietária. Uma senhora muito simpática, com uma voz mansa e muito prestativa, nos chamou para sentarmos na cozinha enquanto ela preparava as marmitas que solicitamos. Ali mesmo já perguntei se tinha vagas disponíveis para cinco pessoas, que queríamos negociar preço. Ficamos de receber uma resposta do preço, mas estranhamente, um pensionato no centro da cidade tinha sim, cinco vagas disponíveis.

Voltamos ao hotel, gostamos da comida trazida do pensionato e mais ainda da ideia de continuar com centro da cidade em um lugar que fornecia refeições mais parecidas com as nossas do sertão. Feijão, arroz, macarrão e carne. Quem disse que pão era janta pra nós? Agora faltava apenas negociar o preço, para isso já marcamos de voltar no dia seguinte e fechar o negócio se fosse do acordo das partes. Na equipe, combinamos que nas decisões, o voto da maioria definia. Elivaldino já deixou definido: Meu voto é de Trajano, ele parti com dois votos na decisão que tomar. Márcio e Bruno tinham que ganhar Juliane se quisessem conseguir contrariar meu voto. Juliane aceitou a mudança para a pensão e aí, estava decidido. Mesmo sem muitas opções, fomos acertar preço no dia seguinte.

Na conversa com a dona do pensionato, acertamos o valor e já marcamos a data da mudança. Olhamos os quartos masculinos. O que tinha disponível para nós, o acesso era por dentro de outro quarto. Enquanto olhavamos os quartos, um cara "esquisito" chegou de skate na mão e olhou meu que surpreso para seus futuros vizinhos de quarto. Já de saída, descobrimos o companheiro do esquisito. Esse chegou de cara fechada e continuou daquele jeito. O que nos fez apelida-lo carinhosamente de "cara de jegue". rs. Despois decobrimos duas pessoas maravilhosas naqueles dois "esquisitos". A vaga para o feminino na verdade era no mesmo quarto com a dona (que era viúva) e uma filha de criação da mesma. Juliane olhou meio atravessada, mas aceitou. Afinal estaríamos ali apenas para dormir e por pouco tempo, isso era o que esperávamos.

As novidades estavam apenas começando a surgir, o pensionado só começaria mesmo mostrar sua verdadeira face depois de alguns dias de convívio. Convívio esse que começaria na sexta-feira, após uma mudança feita à noite, onde cada um levou sua mala nas costas mesmo e fizemos pouso na segunda sombra para darmos sequencia a luta.

 

Francisco Trajano


sábado, 1 de setembro de 2012

Estou bem assim



Dando uma pausa nas aventuras da serie “Os estagiários”, remeto-me aos dias de hoje. No momento em que escrevo agora, tem gente perdendo o sono por que não fiquei rico, enquanto estou muito feliz por que jantei. Tenho um lar, agasalhos pra esse friozinho gostoso de Campina Grande, eu e minha família estamos com saúde e estou dando cada passo a seu tempo. Não posso atropelar minha própria história.
Meu chevete, que assim como eu, já foi humilhado, mas continua como eu: Firme e forte. Enfrentando uma batalha nova a cada dia. E vai continuar comigo por muito tempo ainda, matando os pobres que se preocupam até com isso. Eu vou viver assim. Cada dia com sua história a ser contada. Cada passo com a certeza de que estou fazendo minha parte, ao meu modo, mas estou. Se alguém discorda disso, é por que não sabe nada de minha vida, de minha história, não sabe dos meus motivos e tem tempo suficiente para se preocupar com a vida que me pertence. Eu como não tenho esse tempo todo, vou dormir agora, que hoje, já é amanhã. E amanhã logo cedo parto para mais uma batalha. Eu e meu chevete...

Francisco Trajano

sábado, 25 de agosto de 2012

Exames Admissionais



No dia dos exames admissionais, às 5:00  horas da manhã começou a movimentação. Desde a luta pela coleta do material a ser levado para o laboratório, até a perturbação no quarto dos companheiros que ainda não tinham conseguido. Depois de muita zuada, de posse do material em seus respectivos recipientes, passamos pela recepção apenas com um “bom dia” rápido, como se fossem identificar o que estávamos carregando. Rs.

A caminho do laboratório para coleta do sangue, o mais próximo do hotel, já conversávamos sobre os outros laboratórios onde teríamos que passar. Foi aí que Bruno Carolino, o mais calado do grupo, disse que não se preocupasse que ele conhecia a cidade e chegaríamos facilmente aos destinos. Pela referencia da Caixa Econômica, logo encontramos o local para fazer o exame audiométrico.

Feito a ficha na recepção, ficamos aguardando ser chamados um a um para o teste. A fonoaudióloga, Dra Lavínia Brandão, com um voz muito baixa, aproxima-se de Márcio Junior e pergunta: _ Como é seu nome? E Márcio, num misto de nervosismos e descuido: _ Ham? O que? Elivaldino que não prestava logo manda a dele: Reprovado, o cara que num exame de ouvido não escuta a médica chamar, já era, vai voltar pra Cajazeiras.. rs.

Já perto de meio dia, faltava apenas uma radiografia que seria feita em um laboratório próximo a catedral. Estávamos em uma rua por traz da Caixa econômica e Bruno por dizer que conhecia a cidade, achou melhor descer pelo canal. Após algum tempo de caminhada, passamos por onde é o viaduto hoje e já estávamos bem perto da entrada do José Pinheiro (famoso bairro da zona leste em Campina Grande) quando percebi que Bruno já nem sabia pra que lado tava indo. Atrasei-me um pouco na caminhada e comentei com Elivaldino, esse me disse: Pare esse homem, vamos primeiro descobrir onde estamos. Quanto mais Bruno dizia que sabia, mais nos afastávamos da avenida principal até adentrar em ruas antigas, estreitas. Sem saber, estávamos agora entrando na feira central. Falamos em perguntar, aí Márcio disse: NÃO, se não vão pensar que somos matutos e estamos perdidos... O que não deixava de ser verdade.

Quando olhei pra cima, me orientando pelas antenas de telefonia do centro da cidade e posteriormente pela torre da igreja, tomei a direção e reencontramos a Floriano Peixoto (Rua principal onde ficava a clínica). Ao final, todos os exames foram feitos e o resto do dia foi pouco para as brincadeiras e comentários sobre mais um dia vencido na cidade grande.

Os dias no hotel estavam contados, a empresa ia pagar apenas 15 dias, depois que recebêssemos a primeira quinzena, teríamos que procurar um lugar para morar e esse dia estava chegando...
 
Francisco Trajano

sábado, 11 de agosto de 2012

Dia a dia no hotel




Apresentamo-nos na empresa. Mas ainda não entramos na área fabril, fomos diretos participar de uma semana de treinamento e integração cumprindo assim uma das exigências da empresa para novatos que ali estavam ingressavam.

Enquanto isso no Hotel Mahatma Gandhi, quando chegávamos da empresa, nossos primeiros dias se resumiam a comprar pão na primeira esquina, jantar quase todos os dias pão com patê (invenção de Juliana) e uma caixa de achocolatado que partíamos para os cinco como jantar. Depois, assistíamos TV no saguão e escutávamos as anedotas de Seu Chico. Vez por outra, conversávamos também com o Sr. Naim (indiano, dono do hotel), um senhor muito educado e com um forte sotaque estrangeiro. Tinha também o ritual das ligações noturnas do orelhão, para dar notícias a família. Uns com maior frequência que outros, não é Marcio Junior? Rs. Depois disso, era só dormir cedo. Afinal, aquela experiência era novidade para todos e a mudança de rotina nos deixou muito cansados no início.

           Alguns dias depois, começamos alargar mais as fronteiras e aos poucos fomos saindo para a Praça da Bandeira, onde conhecemos um sertanejo que vendia cachorro-quente em uma barraca a preço de estagiário, o que logo substituiu o pão do jantar em alguns dias para variar um pouco. O "Galego" passou a nos chamar apenas de Cajazeiras, fazendo mensão a nossa origem. Mas sempre dormindo cedo, já que no dia seguinte, levantava cedo, tomava café no hotel e saia para pegar o ônibus da empresa para um percurso de aproximadamente 30 minutos. Os cafés no hotel... Rs. Quando juntava em uma mesa eu, Elivaldino e Márcio... Janaína traz mais queijo! Janaína, mais ovo! Janaína, e as frutas? Rs. Ô povo pra comer... E a pobre da Janaína é que cansava as pernas, acho que ela deu graças a Deus quando saímos de lá!
 
 
Teve um episódio interessante uma vez que precisamos comprar pão a noite para o ritual de jantar diferente do meu sertão. E novamente o acompanhamento era patê e achocolatado. E ninguém queria ir à padaria. O detalhe era o seguinte, o hotel estava lotado de hóspedes jovens, na sua maioria mulheres, vindos de outras cidades e estados vizinho para prestarem vestibular em Campina Grande como é uma tradição conhecida da cidade. Depois de discursões e um sorteio no final, Márcio Junior foi o premiado para cruzar o saguão trazendo consigo uma sacola de lado com 25 pãezinhos para nosso jantar. O tamanho dos pães era inversamente proporcionais a nossa fome. Que saudades do rubacão com carne assada na casa de mamae...
 
 
E assim os dias corriam. Entre o hotel e a empresa, o cansaço aumentava. Mas teríamos um dia de folga para fazer exames admissionais. E como encontrar as três clínicas diferentes para realizar os tais exames? Ainda bem que Bruno disse que sabia onde era. Mas será que ele sabia mesmo? Isso eu conto na próxima postagem.




Francisco Trajano

sábado, 21 de julho de 2012

Chegando para começar a vida de estagiário

 

             Em uma manha de outubro, cheios de ansiedade, ficamos olhando o expresso Guanabara entrar na Rainha da Borborema (como é conhecida a cidade de Campina Grande). Encontramos um clima totalmente diferente do que deixamos no sertão, o sol nascia como se estivesse envergonhado em meio aquela chuva fina e um acinzentado na paisagem que mal dava pra ver a alguns metros a frente. Desembarcamos no terminal rodoviário Argemiro de Figueredo aproximadamente às 04:30 da manha. Na ala masculina, não se via muita coisa de bagagem. Cada um trazia uma pequena mala e uma mochila nas costas. Já Juliane, achávamos que ela não tinha deixado nada em casa: duas malas grandes, uma bolsa e uma mochila.
Parecidos com retirantes, seguimos juntos até a parte superior e ficamos próximo aos guichês, na esperança e na espera por um carro da empresa que logo estaria chegando para nos pegar (pelo menos era o que esperávamos. Um pouco desprotegidos de roupas para o frio que não imaginavamos encontrar, mas ninguém quis tirar cobertor das malas, afinal isso seria passar por “matuto” rs. Então ficamos alí, naquele frio desgraçado, expostos ao vento gelado, sem querer nos amparar na parte de baixo, o motorista poderia não nos ver e causar problemas. Já se passava uma hora e nada de carro. O frio é que era o companheiro inseparável. A orientação da escola foi clara: Nada de perturbar a empresa, já que esta ofertando essas vagas de estagio para a escola.
Quando deu sete horas da manha, estávamos a duas horas e meia naquele teste para sobreviventes do Titanic, quando tomamos uma decisão: Tínhamos que fazer contato com a empresa. Alí mesmo me elegeram como a pessoa que lideraria o grupo, mantendo aquele primeiro contato. Liguei para a empresa e na portaria me informaram que simplesmente não tinha aviso nenhum para pegar estagiários na rodoviária. Mas que estariam enviando naquele momento. Imaginem se não tivesse ligado! Alguns minutos depois, o Sr. João Alves chegou numa perua se desculpou pelo mal entendido e saio conosco meio que apressado pelas ruas que eram todas novidades para nós. Eu como líder do grupo, sentei na frente e comecei puxar conversa com o motorista que me falou está nos levando a um hotel no centro da cidade, onde ficaríamos hospedados os primeiros dias pela empresa.

A chuvinha não dava trégua. Quando paramos em frente ao Hotel Mahatma Gandhi, o motorista João Alves apenas olhou pra mim e disse: Vá perguntar a moça da recepção se a reserva está ok. Apresentei-me na recepção, fui atendido pela Sra. Socorro que confirmou a reserva feita pela empresa e pediu apenas para aguardar o preenchimento da ficha de cada um. Voltei para o motorista da perua, confirmei a situação e chamei os colegas para entrar e fazer as fichas. Antes de ir embora, João falou que retornaria as 10:00 horas para nos pegar. Fizemos o registro no Hotel e seguimos para os quartos, orientados por "Seu Chico" um senhor muito simpático, cheio de bom humor que expressava felicidade e contagiava a todos com sua forma simples de conversar, sorrir, viver. Na divisão dos quartos ficamos eu e Elivaldino em um, Marcio e Bruno em outro em frente ao nosso e um andar acima ficou Juliane em outro quarto.
A euforia era total, apesar do cansaço. Mas era hora de desfazer mala tomar um banho, tomar café e aguardar e visita à empresa para conhecer melhor as dependências. Estávamos ali dando início a nossa aventura na cidade grande.
Francisco Trajano

domingo, 10 de junho de 2012

Resultado da Entrevista

Depois da entrevista comentada na última postagem, o resultado demorou um pouco a chegar à escola. Alguns dias se passaram e eu, não sei porque comecei a acreditar que tinha chances, mesmo depois do que aconteceu na entrevista. A ansiedade tomava conta de quem estava terminando um curso técnico e não tinha mercado de trabalho na região. Campina Grande era vista como a grande oportunidade, e era.
Na escola, a busca por informações do resultado eram constantes, porém recebíamos orientação apenas para esperar. Uma amiga minha do setor administrativo que fazia parte do encaminhamento dos concluintes ao estágio nas empresas, recebia minha visita diariamente. Quando eu chegava na porta da sala, Lucinéria já olhava e falava – Nada ainda Trajano. Até que uma tarde, eu estava sentado no pátio da escola esperando alguns amigos para juntos irmos a oficina de enrolamento de motores concluir a prática que fechava a disciplina, quando Lucinéria apareceu na rampa que dava acesso ao pátio e me chamou. Pelo olhar dela, vi que tinha novidades.
Subi correndo a rampa e a acompanhei até a sala da Coordenação de Apoio ao Estudante (CAEST), quando entramos ela fechou a porta e pediu que eu sentasse. Olhou pra mim e falou: Acabei de receber o fax enviado pela empresa de Campina Grande, seu nome está entre os aprovados, no entanto, não podemos divulgar o resultado oficialmente até que o diretor da escola assine o fax e libere para tal, estou te falando porque você é o mais ansioso por esse resultado. Na mesma hora, sugerir para ela que eu ficasse ali na sala mesmo até o diretor chegar, o que aconteceria em meia hora, porque se eu voltasse para o pátio, falaria para todos que encontrasse tamanha era a minha felicidade.
Depois que o diretor liberou o resultado para ser divulgado oficialmente, fui até a xerox, mandei fazer 5 cópias do fax para entregar junto com a notícia aos selecionados (a minha cópia eu guardo até hoje), e sai na busca pelos maiores interessados na notícia. Durante o percurso, fui falando aos quatro ventos que eu estava indo estagiar em Campina Grande.  Caminhando pela escola, comecei analisar os nomes dos “heróis” que partiriam para a aventura profissional e descobri uma coisa: os “escolhidos” eram as pessoas mais diferentes que tinham na turma, começava se configurar ali, antes de qualquer coisa, uma prova de resistência a ser enfrentada, pois teríamos que começar juntos.
Como Cajazeiras concentrava um alunado de diversas cidades circunvizinhas e até mesmo de outros estados, os cinco mais novos estagiários tinham até as naturalidades todas diferentes: O primeiro a aparecer na lista foi Bruno Carolino, natural de Cajazeiras mesmo. Tão calmo que chegava a irritar tamanha era sua tranquilidade.
Vindo de Brejo do Cruz PB, o já citado na postagem do xadrez: Elivaldino Clementino. Provocador, perturbava qualquer ser vivo na sala de aula. Esse era de um jeito que tinha um apelido carinhoso de “Satanás” na turma, rs. Por causa de suas armações, estava sem falar comigo a alguns meses, e por isso pensei que seria o Calo da nova turma. Me enganei, quando ele soube da notícia, veio ao meu encontro, me deu um abraço como se nada tivesse  acontecido e disse: Estamos indo morar junto em campina. E posso garanti, foi um dos mais fiéis durante o estágio. 
E não veio só macho não, em meio a essa euforia do resultado, eis que aparece Juliane Fernandes. Vinda de Cachoeira dos Ìndios PB, estudiosa e metida a intelectual, não se batia muito Elivaldino, mas agora, estávamos todos no mesmo barco e teríamos que remar juntos.
As barreiras do estado foram quebradas e a participação cearense veio com Márcio Júnior que saiu do sítio Tipí, município de Aurora no Ceará. O enigmático já trazia uma particularidade no nome: O único Márcio JUNIOR que era filho de Seu Francisco, rs. O roqueiro que adicionou ao seu estilo musical o forró quando chegou a Campina Grande, tinha seu jeito digamos “esquisito”, rs, mas, um profissional muito competente se mostrou no decorrer do estágio.
E eleito antes mesmo da viagem como líder dessa miscigenação de pensamentos, eu sai de Nazarezinho com a missão de apaziguar os conflitos e manter essa galera unida. Afinal, sem a união da equipe não seria possível começar a vida numa cidade grande, sem parentes, ganhando pouco e sem ao menos conhecer a cidade. E assim, nos reunimos em Cajazeiras e partimos no Expresso Guanabara com destino a Campina Grande para darmos início a uma nova etapa de nossas vidas.
Nas cenas do próximo capítulo, falaremos da chegada à cidade grande, do impacto sentidos pelos “heróis” e as primeiras dificuldades.

Francisco Trajano

sábado, 19 de maio de 2012

Entrevista de Emprego


Depois de uma prova escrita e um teste psicotécnico na Escola Técnica Federal de Cajazeiras, no inicio do segundo semestre de 1999, fiquei entre os convocados para dar continuidade ao processo seletivo em uma empresa de Campina Grande. Viajamos aproximadamente vinte alunos para fazer uma entrevista com o gerente da área de manutenção que escolheria cinco dos participantes para o estágio supervisionado, obrigatório para a conclusão do curso de Eletromecânica.
Chegando a Campina Grande nas primeiras horas da manhã, visitamos o SENAI do Bairro da Prata, onde tomamos café e depois de percorrer as instalações daquela instituição de ensino, seguimos para a empresa na Alça Sudoeste para a entrevista. Fomos bem recebidos pelo pessoal do recrutamento e ficamos encantados com tanta tecnologia na linha de produção ao passarmos dentro da área fabril. Quando vi o tamanho da fábrica e tanta novidade nunca imaginada (como por exemplo, os robôs que identificavam através de sensores uma avaria na produção e corrigiam sem a interferência humana) pensei comigo mesmo que ali seria o lugar perfeito para começar minha vida profissional. Mas faltava a bendita entrevista e só ficariam cinco de nós.
Almoçamos na empresa e ficamos aguardando o gerente que marcou para as 14:00 horas o início da seleção (e só chegou de 14:50). Após muito coxilo no miniauditório com ar-condicionado ligado e algumas apresentações da empresa feitas pela psicóloga, anunciaram a chegada do gerente que ficou em uma sala ao lado esperando que fossemos um a um para a entrevista individual. Quando pediram que fossem o primeiro eu não quis me arriscar e deixei que um herói se escalasse. No retorno do primeiro candidato, todos foram em cima dele, inclusive eu, para perguntar como era a tal entrevista e para nossa surpresa, ele apenas falou – Somos concorrentes, quem quiser saber que vá lá.
Depois que uns quatro já tinha ido e ninguém dizia nada, me candidatei como o quinto. Atravessando o corredor que dava acesso à sala da entrevista, passou um milhão de coisas na minha cabeça, afinal eu tava indo em busca do meu primeiro emprego. Lembrei do  que os professores falavam na escola: Olhar no olho, apertar a mão com firmeza, manter a postura ao sentar, ser objetivo e todos os outros inúmeros cuidados e demonstrações de qualidade que dificilmente um patrão teria.
Entrei na sala para definir o início de minha vida profissional e encontrei um cara aparentemente calmo, falando manso mais muito atencioso no olhar. Ele fazia vez por outra  anotações em um bloquinho de papel, o que me deixava mais nervoso e curioso. E tava lá transcorrendo tudo tranquilo até que começaram umas perguntas meio sem sentido. E só pioravam: Se eu mandar você trocar uma lâmpada, você vai? Sem pestanejar respondi: Vou sim. Essa foi fácil, mas lá vem outro – Se eu mandar você trocar lâmpadas todos os dias você vai? Pensei comigo mesmo... Trocar lâmpadas todos os dias? ... Bem, não podia desagradar o homem, então respondi novamente com uma afirmativa. E a conversa continuou até que quando eu já estava, sem demonstrar, mas ficando impaciente, veio uma pergunta pra deixar qualquer naquela situação de inexperiência, no mínimo cuidadoso ao responder: Se eu mandar você trazer o lixo lá de dentro pra cá você vai fazer? Então pensei, esse cara tá de sacanagem comigo. Resolvi deixar de ser lagartixa e só balançar a cabeça. Olhei no olho dele e disse: NÃO. Ele vai e pergunta: Porque não?
– Se o senhor quer alguém para a limpeza, por que não faz uma seleção para serviços gerais? Cada um tem importância no exercício de sua atividade para formar o todo, mas terminei um curso técnico e pensei que a seleção fosse para isso.
Ele para terminar de me matar, diz assim: - Me parece que você não está muito a vontade na entrevista. Ora, para quem tava nervoso isso foi mesmo que dar um tapa na cara. Foi quando pensei: Eu já to lascado mesmo, vou falar tudo que tá preso na garganta agora, respirei fundo e mandei:
– Dr. se o senhor passasse a noite acordado, sendo que em mais da metade dessa noite fosse viajando de Cajazeiras pra cá, conversando com o motorista para ele não dormir, enfrentasse uma entrevista com atraso de mais de uma hora para definir um possível estágio numa grande empresa na qual você sonhasse trabalhar, vindo de um lugar sem muitas opções e visse essa oportunidade escorregando de suas mãos diante de perguntas que não condizem muito com o que esperava para uma entrevista técnica, o senhor estaria tranquilo e a vontade?
            Ele olhou como se enxergasse algo no além por entre o vidro da janela e simplesmente disse: Pode sair e chamar o próximo. Aí eu tive certeza que tinha me lascado de vez.
            Para minha surpresa, trinta dias depois chegou um fax na Escola Técnica em Cajazeiras convocando os cinco escolhidos para se apresentarem em três dias na empresa em Campina Grande e começar o estágio. Meu nome tava entre os cinco. Eu ia dar mais um passo, agora da escola para o mercado de trabalho.

                                                                                                                  Francisco Trajano


domingo, 6 de maio de 2012

O poder da propaganda


Observando as propagandas e ouvindo falar do quanto era caro o investimento feito com estas, eu ficava perguntando se realmente valia a pena e mais, se surtia o efeito todos que falavam. Em meio as minhas dúvidas, vivi uma situação na qual acabei descobrindo o verdadeiro poder da propaganda.

Tendo eu concluído o curso de Técnico de nível médio em Eletromecânica no IFPB de Cajazeiras, naquele momento Escola Técnica Federal da Paraíba, vim para Campina Grande em 1999 e comecei fazer um estágio na empresa Coteminas. Transcorreram alguns meses de estágio e a empresa promoveu os jogos internos com algumas modalidades esportivas para seus colaboradores. Dentre as modalidades oferecidas, o xadrez. Eu havia aprendido, como diz no popular “mexer as peças” a pouco tempo, mas até por uma questão de melhor integração com os demais colaboradores, me inscrevi no campeonato. Com poucos inscritos, foram definidas duas chaves e os dois que melhor pontuassem, um em cada chave, se enfrentariam numa final, assim rezava o regulamento.

Veio um amigo de Cajazeiras fazer estágio na minha época que era muito gaiato. O sujeito chamava-se Elivaldino. Quando comentei com ele da inscrição nos jogos ele me disse – se prepare, a partir de amanha vou fazer seu nome no xadrez e você vai se dar bem nas disputas. No dia seguinte ele começou a falar nos quatro cantos da empresa que eu era o melhor jogador de xadrez que ele conhecia. Fez questão de conhecer os oponentes que me enfrentariam na chave e começou fazer pressão psicológica nos caras. No setor de trabalho, nos horários de almoço, o que o gaiato espalhava era – Nos jogos que participou, raramente Trajano ficou em segundo, massacra seus adversários em poucos minutos. Eu ainda reclamei, tentei  negar tudo, mas a fama tava espalhada e quanto mais eu dizia que não sabia jogar direito, mas eles falavam – É, todos dizem isso.


E assim começou o campeonato. O primeiro adversário era mais ou menos do meu nível, então passei por ele com alguns golpes de sorte também, já que o cara veio muito preocupado com o tempo e não jogava muito bem essa é a verdade. Para o segundo jogo da chave, meu personal marketeiro, arrasou com a autoestima do pobre do adversário que veio com medo, muito preocupado e já se achando derrotado, até quando eu dava erradas clássicas de um aprendiz, ele achava que era uma armadilha para ferrá-lo na próxima jogada, assim, ganhei a segunda partida. A fama do demolidor do xadrez estava tão grande, que o terceiro jogo fiquei com a pontuação pela ausência do oponente. Resultado, fui o primeiro da chave e fiquei a espera do vencedor da chave 2 para a grande final. Aí foi o que Elivaldino queria, começou a dizer que não tinha pra ninguém, eu seria o campeão e que ia humilhar o cara na final.

Marcada a partida final, tinha como adversário Daniel Regis, um jogador conhecido na empresa. quando me conheceu, Daniel falou: Você é o grande Trajano, jogador de xadrez que tanto falam por aí? Eu disse que não, mas ele nao acreditou, fazer o que? rs. Aproximado o dia da final, ele me procurou e disse que precisaria sai no dia, portanto não poderia jogar. Dizendo que não via problema algum, pedi que remarcassem a partida. Na segunda data, Daniel falou que tinha compromisso na faculdade e melhor que considerasse o WO e eu seria o vencedor. Pedi que remarcasse uma terceira data e aproveitando o ensejo, Elivaldino disse pra Daniel que eu não gostava de coisa fácil e iria ganhar dele na raça. Com muita luta, a partida foi marcada e jogada. Vencendo o medo e usando de sua experiência, em poucos minutos de partida Daniel viu minhas deficiências e acabou ganhando o jogo e consequentemente o campeonato e eu, o tão comentado “Rei do xadrez”, fiquei com a única medalha de segundo lugar em xadrez até hoje, já que nas demais competições, nunca cheguei a tal façanha.

Mas o efeito da propaganda foi tamanho, que ainda houve gente que acreditou que eu não ganhei o campeonato, em respeito aos que tinham algum tempo de casa, e eu era um simples estagiário.. Oh cabra safado o tal do Elivaldino, oh cabra ruim de xadrez sou eu.. rs.

Francisco Trajano


Trajano Informática


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Francisco Trajano

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Atendimento Público


Primeiro quero deixar bem claro que não pertenço a nenhum partido político e que não dependo de nenhum deles, assim fico mais a vontade para falar. Segundo, a questão aqui não é apenas a saúde pública, mas o atendimento na prestação do serviço público (sem generalizar, afinal ainda existem raras exceções). Peguei o exemplo abaixo, porque foi ele que vivenciei.

Fui até a secretaria de saúde do município fazer uma marcação de exames para uma pessoa da família. Chegando lá me deparei com situações que me chamaram atenção. Como era a primeira vez que eu fui usar dos serviços, pedi informação na entrada e antes de me ouvi direito, o serviço de desinformação me mandou para uma sala que não tinha nada haver. Chegando lá, bati na porta e dei boa tarde quando entrei o que não funcionou muito. Acho que não entenderam a língua que falei (mas foi português, só sei falar essa), quando pedi informação pela segunda vez, um jovem sem olhar pra mim falou: - final do corredor, última sala a direita, sala de marcação. Esse também não compreendeu o que eu queria já que na tal sala de marcação, funcionava o agendamento online de consultas. Quando consegui alguém que me desse 50 centavos de atenção, falei (pela terceira vez) que era para marcar um EXAME e a pessoa conseguiu me mandar enfim para a sala correta.

Chegando na sala de marcação de exames, estava lotada. Um único atendente conversava ao telefone (que tocava a cada instante) enquanto atendia as pessoas, anotava marcações e nomes para busca de resultados dos exames em pedaços de papel soltos. Após alguns minutos, surgiu uma moça para ajuda-lo. A moça na tentativa forçada em ser simpática, chamava pacientes de “querido”, “amor” enquanto deixava transparecer outros adjetivos no semblante de seu rosto. Quanta hipocrisia e falsidade exposta.

O que mais me revoltou na verdade foi quando uma senhora a minha frente tentava marcar uma ressonância magnética para uma pessoa que estava em casa, e perguntou a atendente se tinha como antecipar pois a pessoa estava sentindo fortes dores e não tinha condições financeiras de fazer particular. A mulher quase chorando, com o ar de derrotada pedindo ali, a atendente não olhou nem na cara dela e disse apenas: - hum hum, quase que de costas para a solicitante, deixando claro que nem ouviu direito o que foi pedido. E a pobre mulher foi embora com a dor no olhar.
 Eu sei que não dar para atender todo mundo e as muitas urgências ao mesmo tempo, mas.. São seres humanos que estão ali, não custa nada olhar no olho, dar um pouco de atenção e escutar as pessoas. Respeito as pessoas no momento de fragilidade maior é o mínimo que se pode fazer. Tem que humanizar o atendimento, isso ajuda tanto quanto remédios. Não podemos esquecer por exemplo quem está na fila e dar atenção especial a quem chegou por último, apenas porque é amigo, isso é um DESCASO com quem já está ali humilhado e implorando por um DIREITO que é seu. É preciso tratar o ser humano como SER HUMANO.

Francisco Trajano

quarta-feira, 25 de abril de 2012

WWW2013

Brasil sediará WWW2013, um dos principais eventos mundiais da internet




Virgilio Almeida, secretário de Política de Informática do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) e presidente do CGI (Comitê Gestor da Internet) recebeu, na última sexta-feira (20/04), a chave símbolo do WWW, conferência mundial da internet, que acontecerá no Brasil no ano que vem. O evento tem o objetivo de reunir as principais autoridades, cientistas e pesquisadores para discutir e debater a evolução da web, a padronização das tecnologias utilizadas na rede e o impacto dessas tecnologias na sociedade e na cultura.
O Rio de Janeiro foi a cidade escolhida para receber o evento, que acontece desde 1994. Esta será a primeira vez que o WWW chega ao hemisfério sul e à América Latina. Virgilio recebeu a chave símbolo no término da WWW2012, que ocorreu em Lyon, na França. Para mais informações, acesse o site da WWW, ou da WWW2013.
Veja também o vídeo oficial da conferência de 2013 em:


Francisco Trajano





segunda-feira, 23 de abril de 2012

Uma idéia genial


Sempre fui muito curioso e desde cedo comecei a observar as coisas e procurar respostas para as que mais me intrigavam. Com apenas sete anos de idade, comecei olhar a parte de cima das portas e imaginar como eram empilhados os tijolos naquele local da parede, sem que os mesmo caíssem. Meu pai trabalhava com construção e visitando uma obra com a mesma idade, descobrir que não era mágica, era feita uma viga de concreto, quando secava colocava sobre a passagem da porta e seguia empilhando tijolos em cima da viga. Quando vi aquilo pensei comigo mesmo – posso não saber, mas há resposta para tudo.

          Quando eu tinha dez anos, meu pai comprou um motorádio preto, modelo bem famoso, que foi a primeira evolução tecnológica em nossa residência. Nele, ouvíamos noticiário, músicas e acompanhávamos até jogos de futebol. Vi outro dia na casa de um vizinho um rádio parecido com o nosso, no entanto, tinha um fio conectado a uma tomada. Diferente do nosso, o rádio do vizinho era alimentado por energia elétrica. Daquele dia em diante, procurei conversar sobre eletricidade com meus colegas, mas esses tinham menos informação do que eu. Até que encontrei um adulto falando sobre o assunto em um acaso e parei para escutar. Em meio à conversa, escutei a nomenclatura de positivo e negativo quando ia se referia à fase e neutro. Quando cheguei em casa, resolvi analisar com mais calma meu rádio, já que eu só havia aberto para trocar as pilhas quando essas chegavam ao final de sua vida útil. Enquanto olhava o rádio aberto, percebi que na pilha tinha um sinal de positivo (+) de um lado e do outro o sinal de negativo ( - ). Juntando minhas aulas de matemática e o entendimento do que escutei do eletricista, comecei a ter uma ideia. Se na tomada elétrica tem positivo e negativo igual tem na pilha, porque usar pilha se eu posso alimentar meu rádio com eletricidade?
Tava resolvido, eu era um gênio. Descobri uma forma de economizar. Imagine quando eu colocasse o rádio para funcionar na energia e falasse a novidade em casa? Parti para a execução do meu projeto. Logo consegui um fio com um garfo que antes era usado em um ferro de passar. Removi as pilhas do rádio e nos locais de encaixe, enrolei as pontas do fio desencapadas. Ficaram bem separadas para não entrar em curto e tive o cuidado ainda com a estética e passei o fio por uma abertura trazeira que servia originalmente para entrada de ar no equipamento. Projeto concluído estava na hora de fazer o teste. Confesso que o teste me deixou apreensivo. Mas como o ápice de todo projeto é confirmar o funcionamento, lá vamos nós. Desenergisei a casa, desligando o único disjuntor que havia no medidor que ficava na sala. Fui com o resultado da minha astúcia para a cozinha e conectei em uma tomada o chicote adaptado. Pedi que meus irmão saírem da cozinha e depois que todos estavam na sala, rearmei o disjuntor... Após um estouro que mais parecia bombinha de São João, olhando para o hall que na minha época chamava de “corredor”, deu pra ver a fumaça que vinha da cozinha.
Resultado, ficamos alguns dias sem nosso mais moderno meio de comunicação até que um herói que realmente entendia de eletrônica e eletricidade conseguiu não sei como, coloca-lo para funcionar novamente. Quanto ao gênio aqui, fez apenas jus aos ditos da história, também tinha um pouco de louco que foi o que ficou em evidência dessa vez.
Francisco Trajano

terça-feira, 17 de abril de 2012

Quando fui músico

            Na busca por alguma coisa para ocupar o tempo e também por algum retorno financeiro, me matriculei na banda de música municipal, nos estudos para formação de uma nova turma. Por não ter uma boa coordenação motora necessária para ficar na bateria, onde inicialmente queria, acabei desistindo depois da primeira aula e partindo para novas tentativas. Devido ao tipo físico franzino e uma estrutura corporal que não contribuía muito, não podia pegar em instrumento de sopro que exigisse muito. Os pratos, já tinham dono e nem sei se eu podia com eles, eu pesava uns quarenta e cinco quilos aos dezesseis anos, só faltava ser levado pelo vento. Depois de passar por vários testes, faltava alguém para a trompa e apesar de ser um instrumento de sopro, exigia menos que os outros, então, me habilitei.
          Coitados dos vizinhos que tinham que ouvir milhares de vezes a escala sendo feita nota a nota compassadamente. O maestro Manoel Gregório, gastou boa parte do seu estoque de paciência comigo. Alexandre, filho do maestro também deu suas contribuições na tentativa de me transformar num músico. Quando Bosco do sax assumiu o comando da banda, deu mais algumas lições e achou melhor que eu começasse a sair na rua com a banda em aparições nas principais datas festivas da cidade. A banda 22 de dezembro era literalmente uma família. No trompete, meu tio José. Na clarineta, minha tia Marluce. No sax tenor, Galdino, o esposo de minha tia e nos pratos, Francimar um primo terceiro como assim considerávamos lá.
            Nas datas festivas, lá estava eu às quatro e meia da manha nas principais  ruas da cidade, participando da execução daqueles famosos dobrados. A cidade toda, aos poucos ia acordando. Abriam suas janelas e alguns mais animados saiam nas ruas acompanhando a banda. Pense numa felicidade a minha! Naquelas manhas frias, ao som dos estouros de foguetões e tocando o famosíssimo “Capitão Caçula”, o dobrado carro chefe da banda, e como sempre abríamos a alvorada festiva com ele. Quando lembrava a partitura, tocava. Quando não, seguia “tocando de ouvido”. E assim, nas datas alusivas a pátria, nas festas religiosas e no dia da cidade, lá estava eu, na alvorada às cinco da manhã. As sete, o hasteamento das bandeiras municipal, estadual e federal, acompanhado dos seus respectivos hinos. Hoje vejo como interessante ter feito parte dessa fatia importante da história da cidade de Nazarezinho, que foi a Banda de Música 22 de dezembro, mas na época, não pensava assim. O que ainda me fazia continuar, era o salário de 30 reais que algumas vezes eu tirava 2 reais para mim e entregava o resto para ajudar nas despesas de casa.
Hoje, quando escuto uma banda tocando dobrado, lembro com muita saudade daquele tempo que, mesmo sem achar muita graça está ali, fiz parte daquele momento. Dos dobrados, alguns de composição do maestro, outros de destaque nacional, lembros de títulos como o já citado Capitão Caçula, 2 corações e IV Centenário. Posso não consigir separa-los direito pelos títulos, mas quando escuto algo parecido, me vejo com 16 anos novamente nas ruas de Nazarezinho.

domingo, 15 de abril de 2012

Música de Verdade


Francisco Buarque de Hollanda, Chico Buarque. Escritor, compositor e cantor. Vencedor do Festival de Música Popular Brasileira de 1966 com a canção "A Banda". Autoexilou-se na Itália em 1969, devido à crescente repressão da ditadura militar, tornando-se, ao retornar, em 1970, um dos artistas mais ativos na crítica política e na luta pela democratização no país. Na carreira literária, foi vencedor de três Prêmios Jabuti: o de melhor romance em 1992 com Estorvo e o de Livro do Ano, tanto pelo livro Budapeste, lançado em 2004, como por Leite Deramado, em 2010. Um dos maiores talentos do Brasil. Dentre suas inúmeras composições, destaco aqui a belíssima música "Construção" que em sua organização métrica, tem os versos das estrofes principais todos terminados em proparoxítonas.

Construção

Chico Buarque

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague

É lamentável ouvi da geração de hoje, que repete refrões extremamente probres, que não conhecem nada de Chico Buarque, Elis Regina, Jair Rodrigues e tantos outros grandes nomes da Música Brasileira.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Problemas com cartões SD e como resolvê-los

5 problemas "comuns" com cartões SD e como resolvê-los

É cada vez mais comum a utilização de cartões de memória SD e microSD para expandir a capacidade de armazenamento de algum dispositivo. Isso acontece porque smartphones, celulares convencionais, tablets, reprodutores multimídias e inclusive PCs (desktops e laptops) têm suporte para os cartões.
Entretanto, como quase tudo no mundo da tecnologia, é provável que cedo ou tarde você encontre algum problema. Salvo casos mais específicos, as complicações com cartões SD costumam ser sempre semelhantes, então, o Tecmundo levantou uma lista com cinco delas — e também as suas soluções.
Adaptador
Normalmente, desktops e laptops suportam apenas cartões do tamanho “normal”, portanto, para espetar seu microSD neles é preciso de um adaptador. Quando você insere o cartão no PC e ele não é reconhecido, é provável que o problema esteja no adaptador.
Cartão microSD e adaptador. (Fonte da imagem: Divulgação/Kingston)
Além de problemas físicos, há ainda a questão de formato: cada tipo de cartão funciona com um determinado tipo de adaptador. Essa peça normalmente acompanha o microSD quando você o adquire, porém, caso seja necessário adquirir um novo dispositivo, fique atento para a compatibilidade dos formatos.
Uma opção mais completa é o adaptador estilo pendrive. Ele tem até mesmo o formato igual ao de um dispositivo de armazenamento USB, e basta você espetar o cartão nele para usá-lo normalmente, inserindo-o em uma porta compatível do computador ou dispositivo portátil.
Formatação do cartão
Alguns dispositivos formatam o cartão de memória quando este é inserido. Como existem vários tipos de formatação, é provável que você não consiga ler o cartão de memória em outro equipamento. Por exemplo, o microSD formatado no celular pode não funcionar corretamente no computador.
Dos problemas mais comuns, este talvez seja o menos provável, visto que atualmente os sistemas operacionais estão aptos a trabalhar com diversos formatos de arquivo sem muitos problemas. Entretanto, se encontrar dificuldades, uma formatação simples para o formato desejado deve resolver. Uma opção simples e eficiente para este tipo de procedimento é o Hard Drive Eraser.
Dispositivo de proteção
Outro problema comum é a trava de proteção contra gravação de dados existentes nos cartões de memória. Tal qual as que existiam em disquetes (alguém ainda se lembra deles?), quando acionado, este dispositivo de segurança impede qualquer tipo de modificação no conteúdo do cartão. Se você está com algum problema assim, verifique a trava do seu SD.

Dispositivo de proteção impede que conteúdo do cartão seja alterado. (Fonte da imagem: Divulgação/Kingston)
Software de segurança
Alguns cartões de memória, assim como dispositivos USB, trazem consigo sistemas próprios de proteção contra acesso indevido. Como estes softwares são protegidos com senha, às vezes você fica impossibilitado inclusive de remover todo o conteúdo ali existente para reutilizar o cartão.
A solução aqui seria a destruição completa de todos os dados, o que também pode ser feito com o Hard Drive Eraser. Além de simplesmente formatar uma unidade de disco (rígido ou memória flash), este aplicativo possui ferramentas para destruir dados completamente.
Aqui, vale fazer um adendo. Alguns dispositivos da Nokia adicionam um sistema de segurança próprio ao cartão de memória, sem seu conhecimento. Se isso ocorrer, você pode abrir a pasta “MMC store”, copiar seu conteúdo para o PC e abri-lo com o Bloco de notas. Lá, você encontrará a senha para desbloquear o microSD. Há ainda a possibilidade de formatação completa, tal qual a indicada no parágrafo anterior.
Ícone do cartão não é exibido
A última ocorrência da nossa lista diz respeito mais ao hardware do que ao cartão em si. Se você espetou o SD no computador, mas o ícone dele não aparece disponível, é provável que o problema seja consumo excessivo de memória virtual. O remédio, aqui, é encerrar todos os aplicativos dispensáveis e deixar o PC ocioso um pouco.
Outras dicas são reiniciar a máquina ou então usar um aplicativo para otimizar o uso da memória RAM, como RAMBooster, Rizone Memory Booster ou Memory Optimizer Pro.

Fonte: Tecmundo