domingo, 10 de junho de 2012

Resultado da Entrevista

Depois da entrevista comentada na última postagem, o resultado demorou um pouco a chegar à escola. Alguns dias se passaram e eu, não sei porque comecei a acreditar que tinha chances, mesmo depois do que aconteceu na entrevista. A ansiedade tomava conta de quem estava terminando um curso técnico e não tinha mercado de trabalho na região. Campina Grande era vista como a grande oportunidade, e era.
Na escola, a busca por informações do resultado eram constantes, porém recebíamos orientação apenas para esperar. Uma amiga minha do setor administrativo que fazia parte do encaminhamento dos concluintes ao estágio nas empresas, recebia minha visita diariamente. Quando eu chegava na porta da sala, Lucinéria já olhava e falava – Nada ainda Trajano. Até que uma tarde, eu estava sentado no pátio da escola esperando alguns amigos para juntos irmos a oficina de enrolamento de motores concluir a prática que fechava a disciplina, quando Lucinéria apareceu na rampa que dava acesso ao pátio e me chamou. Pelo olhar dela, vi que tinha novidades.
Subi correndo a rampa e a acompanhei até a sala da Coordenação de Apoio ao Estudante (CAEST), quando entramos ela fechou a porta e pediu que eu sentasse. Olhou pra mim e falou: Acabei de receber o fax enviado pela empresa de Campina Grande, seu nome está entre os aprovados, no entanto, não podemos divulgar o resultado oficialmente até que o diretor da escola assine o fax e libere para tal, estou te falando porque você é o mais ansioso por esse resultado. Na mesma hora, sugerir para ela que eu ficasse ali na sala mesmo até o diretor chegar, o que aconteceria em meia hora, porque se eu voltasse para o pátio, falaria para todos que encontrasse tamanha era a minha felicidade.
Depois que o diretor liberou o resultado para ser divulgado oficialmente, fui até a xerox, mandei fazer 5 cópias do fax para entregar junto com a notícia aos selecionados (a minha cópia eu guardo até hoje), e sai na busca pelos maiores interessados na notícia. Durante o percurso, fui falando aos quatro ventos que eu estava indo estagiar em Campina Grande.  Caminhando pela escola, comecei analisar os nomes dos “heróis” que partiriam para a aventura profissional e descobri uma coisa: os “escolhidos” eram as pessoas mais diferentes que tinham na turma, começava se configurar ali, antes de qualquer coisa, uma prova de resistência a ser enfrentada, pois teríamos que começar juntos.
Como Cajazeiras concentrava um alunado de diversas cidades circunvizinhas e até mesmo de outros estados, os cinco mais novos estagiários tinham até as naturalidades todas diferentes: O primeiro a aparecer na lista foi Bruno Carolino, natural de Cajazeiras mesmo. Tão calmo que chegava a irritar tamanha era sua tranquilidade.
Vindo de Brejo do Cruz PB, o já citado na postagem do xadrez: Elivaldino Clementino. Provocador, perturbava qualquer ser vivo na sala de aula. Esse era de um jeito que tinha um apelido carinhoso de “Satanás” na turma, rs. Por causa de suas armações, estava sem falar comigo a alguns meses, e por isso pensei que seria o Calo da nova turma. Me enganei, quando ele soube da notícia, veio ao meu encontro, me deu um abraço como se nada tivesse  acontecido e disse: Estamos indo morar junto em campina. E posso garanti, foi um dos mais fiéis durante o estágio. 
E não veio só macho não, em meio a essa euforia do resultado, eis que aparece Juliane Fernandes. Vinda de Cachoeira dos Ìndios PB, estudiosa e metida a intelectual, não se batia muito Elivaldino, mas agora, estávamos todos no mesmo barco e teríamos que remar juntos.
As barreiras do estado foram quebradas e a participação cearense veio com Márcio Júnior que saiu do sítio Tipí, município de Aurora no Ceará. O enigmático já trazia uma particularidade no nome: O único Márcio JUNIOR que era filho de Seu Francisco, rs. O roqueiro que adicionou ao seu estilo musical o forró quando chegou a Campina Grande, tinha seu jeito digamos “esquisito”, rs, mas, um profissional muito competente se mostrou no decorrer do estágio.
E eleito antes mesmo da viagem como líder dessa miscigenação de pensamentos, eu sai de Nazarezinho com a missão de apaziguar os conflitos e manter essa galera unida. Afinal, sem a união da equipe não seria possível começar a vida numa cidade grande, sem parentes, ganhando pouco e sem ao menos conhecer a cidade. E assim, nos reunimos em Cajazeiras e partimos no Expresso Guanabara com destino a Campina Grande para darmos início a uma nova etapa de nossas vidas.
Nas cenas do próximo capítulo, falaremos da chegada à cidade grande, do impacto sentidos pelos “heróis” e as primeiras dificuldades.

Francisco Trajano

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