terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Elivaldino, o retorno!


E num é que Elivaldino voltou a trabalhar na empresa de onde saiu no estágio dizendo que nunca mais voltaria! Pois é. O mundo é uma bola e essa bola gira. Passado alguns meses, na verdade quase dois anos, depois de trabalhar como mecânico de máquinas em uma empresa de pequeno porte na cidade de Cajazeiras, ele mudou o pensamento feito o sol muda de posição e me ligou um dia com a seguinte missão: - Trajano, eu estou a fim de morar em Campina Grande. Para isso preciso trabalhar e você vai conseguir um emprego para mim. Ainda tentei explicar pra ele que o período de estágio acabou e não era mais eu que resolvia tudo, mais foi inválido, quando aquele indivíduo botava uma coisa na cabeça, pronto!
Fiquei pensado que aquele cara só podia ter bebido. Não era fácil conseguir um emprego assim do dia para a noite como ele queria. Só que fiquei mais surpreso ainda foi quando ele disse que eu iria arrumar esse emprego na mesma empresa que ele havia feito o estágio. Aí eu tive certeza que ele não estava bem da cabeça. Quando questionei como eu ia arrumar essa colocação de trabalho na empresa que ele saiu dizendo que nunca mais voltaria (como contei na postagem anterior), ele disse simplesmente que confiava em mim, que era só esperar surgir a oportunidade certa e eu ia saber aproveitar.
Acho que as vezes um pouco de loucura só ajuda as coisas acontecerem de forma que venham a atender nossas expectativas. Eu trabalhava com TI (tecnologia da informação) e recebi um chamado para verificar uma impressora que resolveu parar de funcionar no meio de uma reunião. Detalhe, isso aconteceu uns cinco dias depois da ligação de Elivaldino. Bem, mas chegando a sala onde estava a impressora, comecei verificar os sintomas da paciente enquanto a reunião seguia na mesa do lado entre dois engenheiros mecânicos. Não pude deixar de ouvir o conteúdo da reunião logicamente. E lá “pelas tantas” um engenheiro fala para o outro:
- As máquina novas estão chegando semana que vem. Precisamos reforçar a equipe, não temos gente suficiente na manutenção para acompanhar essa montagem.
- Quantas pessoas você pretende colocar na equipe?
- Pelo menos quatro pessoas, sendo que desse número preciso de dois mecânicos. E não quero técnico pra vir aprender aqui não! Quero profissionais que já tenham uma experiência na área.
 Foi aí que vi a oportunidade que o “doido” falou e não deixei escapa:
- Senhores, estou escutando a conversa e posso lhe dizer que conheço um técnico de mecânica experiente que atende os pré-requisitos que vocês precisam. E melhor ainda, ele já foi dessa empresa e conhece as máquinas daqui também.
Foi quando um deles se lembrou de da fazer uma pergunta que eu temia que fizessem:
- E porque ele saiu daqui?
Como o engenheiro que assinou a saída dele tinha já não estava mais trabalhando por lá, fiquei tranquilo pra “costurar” a história: - Acabou o estágio e a perspectiva de efetivação quase num existia, ele achou melhor buscar emprego em outro lugar, mas agora está querendo voltar.
- E onde esse cara está agora?
- Lá em Cajazeiras, sertão do estado.
- Pois pegue o telefone da empresa aí e ligue para ele agora, se ele tiver interesse, compareça ainda essa semana aqui já de pose da documentação necessária.
E na semana seguinte, carregando no peito o mesmo escudo da empresa que ele disse que não voltaria, ele voltou. O menino maluquinho, com um pouco mais de maturidade e fazendo planos inclusive de se casar, retornou a casa de onde havia saído.
Dias depois ele se casou, e me deu outra missão nessa ocasião que também não foi fácil, mais isso é coisa pra contar em outra postagem futura. Parecia até ser filho meu... rs. Pense num menino que deu trabalho!



Francisco Trajano

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Pulando do barco!


Voltando lá pra o tempo do estágio, conversando com meu amigo Elivaldino hoje, lembrei-me de uma passagem interessante daquela época que foi o retorno dele a empresa que trabalhamos. Mas como contar o retorno sem antes falar da saída? Sendo assim, o retorno fica para a próxima postagem. Vamos falar da saída primeiro. Mãos a obra e como diria um repórter de um telejornal sensacionalista: Vamos à matéria.
Com o estágio caminhando para sua reta final, poucas eram as perspectivas de efetivação. Elivaldino como o menino mais “traquino” como chamávamos, já começava propagar na equipe ideias revolucionárias. - Pessoal, estagiário não precisa cumprir todos os dias de trabalho, se precisar faltar um dia a empresa não pode descontar, é lei. Só vai aumentar a quantidade de dias para completar as horas do estágio. Eu com a minha cautela para não “estragar” nossa estreia no mercado de trabalho, sempre aconselhava: Deixa isso pra lá, não estamos em situação confortável para seguir lei, precisamos completar nosso estágio de forma tranquila para tentar segurar o emprego depois. Ele nem sempre escutava e veio à oportunidade de por em prática as “leis” que ele tanto falava.
 Em uma sexta-feira corrida pra variar, pagamos o Expresso Guanabara (ônibus que faz a linha litoral – sertão passando por Campina Grande) à noite e fizemos aquele barulho no “busão” com destino a Cajazeiras. De lá, cada um seguia para sua localidade próxima dali, mas já marcava o reencontro pra o domingo à noite na rodoviária de Cajazeiras para o retorno. Viagem corrida, coisa de doido mesmo. Só saímos de Campina Grande no último ônibus do dia, às 23:45, entramos em Cajazeira quando o sol já iluminava toda a cidade em plena manhã do sábado. Depois de um cafezinho já segui viagem para Nazarezinho, casa de minha mãe.
No domingo a noite, conforme combinado, cheguei cedo no terminal rodoviário de Cajazeiras. Quando os demais começaram a chegar, já fomos comer o x-frango em um trailer na pracinha da frente. Todo mundo junto, já passava das 21:00 horas e nada do polêmico Elivaldino. Depois de mais algum tempo, ele se apresentou por lá de bermuda, sandália e sem bagagem. Disse que como estagiário, poderia faltar a segunda e que não ia perder uma festa naquela noite na “Terrinha”. Falei pra ele que se alguém perguntasse no dia seguinte eu diria que nem o vi, que ele se explicasse lá quando voltasse. Viajei preocupado com a “imagem do sertão” na empresa.
No dia seguinte, quando chegamos pra trabalhar, eu fugia dos supervisores para que não perguntassem pelo faltoso. Na terça, quando ele chegou na empresa, já recebeu um recado do engenheiro que fosse até a sala dele para uma conversa. Várias pessoas ficavam na mesma sala e quando Elivaldino entrou, nem sentou direito em frente ao seu gestor e já começou levar porrada. - Muito bonito pra você, começar sua vida profissional de forma irresponsável, faltando ao trabalho sem avisar e chegando normalmente pra trabalhar como se nada tivesse acontecido. E o superior continuou falando muito. Já o subordinado, apenas escutando tudo. Depois de todo discurso do chefe, Elivaldino solta a dele:
- Terminou?
- Sim. O que você tem a dizer?
E em um movimento rápido, ele levantou, tirou do bolso de traz a CTPS (Carteira de Trabalho e Previdência Social) jogou na mesa do engenheiro e disse:
- Der baixa aí. Vou terminar os serviços que comecei. Meu fardamento e EPI´s (Equipamentos de proteção individual) mando por Trajano amanhã, não quero mais pisar aqui. Essa empresa não merece um profissional como eu.
- Quer isso? Tenha calma rapaz, vamos conversar!
- O senhor já conversou até demais, tenha um bom dia! E assim o menino atrevido saiu da engenharia e se “embrenhou” fábrica adentro sem olhar pra traz.
Ficamos boquiabertos com a decisão do cabra. E na famosa reunião noturna no apartamento para o resumo do dia, Márcio disse que agente ia ficar “sujo” na empresa, talvez nem conseguíssemos mais a tão sonhada efetivação no primeiro emprego. Pronto, nosso insucesso profissional agora tinha nome e sobrenome: Elivaldino Clementino! Ôh muleque doido!
E acreditem, ainda teve retorno! Ele voltou a trabalhar nessa mesma empresa algum tempo depois. Logo logo eu conto!

Francisco Trajano