Depois da “noitada” na boate Morron
Café, quando conseguimos reunir todo mundo novamente no sábado pela manhã, bem
vindos a realidade! Tínhamos que sair para comprar a mobília. Cada um com seu
colchonete e os quartos já estavam ok. A cozinha só tinha o nome. Na sala,
apenas nosso som (aquele gravador de um deck) e nossa coleção de fita cassete,
uma de Raul Seixas, uma de sertanejo e outra de forró.
E lá estávamos nós nas compras. Nossa
primeira aquisição foi um fogão de 2 bocas e um botijão de gás. Isso depois de
pechinchar muito na Rua João Pessoa. Como as coisas eram muito caras, deixamos
as panelas para comprar no dia seguinte lá na famosíssima Feira da Prata. Sem
panelas, sem almoço no sábado. Já meio que azuis de fome, descobrimos perto da
nossa nova moradia, um trailer que vendia um sanduíche chamado Nordestão.
Conhecido pelo seu tamanho, uma das propagandas era que, ninguém conseguia
comer um desse sozinho. Acho que quando disseram isso, não contavam com nossa
visita lá.
E no domingo cedinho, seguem os
“heróis do estágio” para a Feira da Prata. Olhamos todo o movimento da feira.
Tomamos caldo de cana e comemos aquele pastel com um sabor que só se acha na
feira mesmo. Descobri que na Prata se achava de tudo, desde de celular a
parafuso de cabo de serrote. Numa promoção, compramos as panelas, conchas e a
cuscuzeira no mesmo lugar. Aproveitei para levar um feijão verde, assim seria
mais fácil e rápido para cozinhar. Feira feita, voltamos ao apartamento para
preparar o primeiro almoço pós mudança. E assim, tivemos o que só não chamamos
de mesa farta, porque na verdade “mesa” não havia. Mas tinha feijão, arroz e
carne assada. E alí, no chão da sala mesmo, almoçamos conversando e nos
divertindo da própria situação.
Agora era dormir um pouco, e lavar
roupa. Por que a segunda-feira estava já batendo a nossa porta e tínhamos que
encarar as dúvidas e incertezas de um estágio. Caminhávamos já para o quinto
mês, e nenhuma promessa concreta de efetivação para nenhum de nós. O medo maior
era que algum deixasse o barco, aí automaticamente as despesas aumentariam para
os que ficassem. Tentei encorajar sempre a todos até para minha própria sobrevivência
em Campina Grande. Para minha falta de sorte, o que eu mais temia aconteceu...
A equipe começou a ser desfeita...
E agora? Como permanecer com menos de
algo que já era pouco? Quem deixaria a casa? Quem sobreviveria comigo? Já que
desistir era uma palavra que eu rasguei e joguei fora quando saí do sertão para
Campina.