Para
entender melhor a sequencia dos fatos, é preciso ter lido a postagem anterior
intitulada “Corte de cabelo”.
É, realmente, o final de semana
estava apenas começando. Ainda no sábado, chegando em casa com o Irmão, não
encontrei nenhum dos meus amigos que dividiam comigo o apartamento. Por uma
parte achei bom não enfrentar as chacotas e brincadeira por causa do corte de
cabelo. O que apenas adiaria um pouco para que isso acontecesse. Só que aí comecei
a pensar: Isso não pode ser o fim do mundo, o cabelo cresce. Por um momento
cheguei até a ficar com pena de tudo que disse pra cabelereira. Mas, aí de quem
vir com piadinhas pra mim.
Final da tarde, noite chegando. Só
os caras que não chegavam. Então resolvi, não posso ficar trancado em casa por
causa disso. Tomei um banho, botei uma roupa e como estava um pouco frio em
Campina Grande, coloquei uma jaqueta preta por cima e lá vou eu de visual novo.
Chamei o Irmão que ainda estava por alí para ir comigo até um shopping da
cidade em busca dos companheiros. Caminhei pra lá e pra cá com a impressão de
que todos estavam olhando diferente para mim. Fingi que aquilo não me
incomodava e não encontrando os amigos, voltei ao apartamento.
Chegando ao apt., continuava vazio.
E foi aí que o Irmão veio com uma ideia: - Se os meninos não chegaram, vamos
dar uma volta, vou te levar pra conhecer um lugar. Perguntei onde e ele disse
apenas que era surpresa e que eu ia gostar.
- Não acha que por hoje já basta o
quanto confiei em você?
Mas como não queria ficar alí preso,
pensei comigo mesmo: - Não pode ser pior do que o que já aconteceu hoje. E
assim, sai de moto com o Irmão, confiando a ele minha noite de sábado. E a moto
seguia. Passamos pelo bairro de Monte Santo e descemos à avenida que dar acesso
a universidade federal. Eu nunca tinha passado por alí, vendo a UFCG que tanto
falavam ainda fiquei tranquilo, no entanto, quando passamos pelo açude de
Bodocongó comecei a me preocupar – Esse doido parece que vai pra o sertão. E
quando perguntei ele falou: Confia em mim. Esse era o grande problema, confiar
nele.
A moto parou em frente a um prédio
de faixada desgastada, mas que nem dava pra perceber direito pela luminosidade
do enorme letreiro na parede. E quando menos espero, estávamos entrando em uma
boate de strip-tease. Eu nunca havia entrado em um ambiente daqueles, comecei a
pensar o quanto estava afastado de casa, fiquei muito assustado quando vi a
clientela que estava bebendo no local. O Irmão olhou pra mim e mandou ficar
tranquilo. Não sei por que, mas não consegui acreditar nele. Uma vez dentro,
lembrei que eu estava tão mal encarado e com o visual “diferente” quanto
algumas figuras que estavam alí. Encarnei o personagem do cara mal de jaqueta
preta, cabeça raspada e capacete na mão (pensei numa cena, rs) e fui até o
balcão onde uma cafetina gorda atendia. Pedi uma cerveja, a atendente informou
que a entrega na mesa teria um pequeno acréscimo. O bárbaro malvado aqui (kkkkkkkk)
apenas virou as costas enquanto dizia: Mande uma de suas meninas deixar minha
cerveja na mesa. Desfilei no meio daquele povo fazendo pose de malvado enquanto
tremia de medo por dentro e fui pra mesa aguardar minha bebida.
Logo na segunda vez que me serviu a
garota já me pediu cigarros. Eu estava fazendo contas mentalmente pra ver
quantas cervejas podia tomar com a grana que tinha... Olhei para o Irmão e
falei: Esse galego trabalha pra mim, não ando com dinheiro. Vamos Galego, der o
dinheiro pra o cigarro da menina. O Irmão me olhou com cara de insatisfação,
mas deu. E você, fale com a Dona que se não começar um show em 5 minutos eu vou
embora. Logo foi providenciado. Enquanto o show acontecia, eu tentava bolar uma
saída rápida daquele lugar. A cada hora ficava mais carregado.
Depois da quarta cerveja pelo dobro
do preço dos locais onde eu costumava comprar, chamei a atendente e pedi a
conta dizendo pra ela que estava indo encontrar uns amigo e que mais tarde
voltaria para fechar o ambiente apenas para meu grupo. Conversei até preço pra
isso. Ela se animou com a ideia. Paguei a conta e sai rezando pra moto do Irmão
não ter sido roubada naquele lugar esquisito e pra gasolina dar pra chegar em
casa, levando em consideração que só andava na reserva. Saímos dalí o mais rápido
que podia e fomos direto para o apartamento. Chegando lá minha vizinha me
olhava quase sem me reconhecer e depois segurando o riso, me informou que meus
amigos estavam em uma festa no Parque do Povo.
Pedi ao
Irmão que desaparecesse e demorasse uns dias para voltar, de preferencia, com
ideias melhores.
Francisco
Trajano

