Depois da entrevista comentada na
última postagem, o resultado demorou um pouco a chegar à escola. Alguns dias se
passaram e eu, não sei porque comecei a acreditar que tinha chances, mesmo
depois do que aconteceu na entrevista. A ansiedade tomava
conta de quem estava terminando um curso técnico e não tinha mercado de
trabalho na região. Campina Grande era vista como a grande oportunidade, e era.
Na escola, a busca por informações do
resultado eram constantes, porém recebíamos orientação apenas para esperar. Uma
amiga minha do setor administrativo que fazia parte do encaminhamento dos
concluintes ao estágio nas empresas, recebia minha visita diariamente. Quando
eu chegava na porta da sala, Lucinéria já olhava e falava – Nada ainda Trajano.
Até que uma tarde, eu estava sentado no pátio da escola esperando alguns amigos
para juntos irmos a oficina de enrolamento de motores concluir a prática que
fechava a disciplina, quando Lucinéria apareceu na rampa que dava acesso ao
pátio e me chamou. Pelo olhar dela, vi que tinha novidades.
Subi correndo a rampa e a acompanhei
até a sala da Coordenação de Apoio ao Estudante (CAEST), quando entramos ela
fechou a porta e pediu que eu sentasse. Olhou pra mim e falou: Acabei de
receber o fax enviado pela empresa de Campina Grande, seu nome está entre os
aprovados, no entanto, não podemos divulgar o resultado oficialmente até que o
diretor da escola assine o fax e libere para tal, estou te falando porque você
é o mais ansioso por esse resultado. Na mesma hora, sugerir para ela que eu
ficasse ali na sala mesmo até o diretor chegar, o que aconteceria em meia hora,
porque se eu voltasse para o pátio, falaria para todos que encontrasse tamanha
era a minha felicidade.
Depois que o diretor liberou o
resultado para ser divulgado oficialmente, fui até a xerox, mandei fazer 5
cópias do fax para entregar junto com a notícia aos selecionados (a minha cópia
eu guardo até hoje), e sai na busca pelos maiores interessados na notícia.
Durante o percurso, fui falando aos quatro ventos que eu estava indo estagiar
em Campina Grande. Caminhando pela
escola, comecei analisar os nomes dos “heróis” que partiriam para a aventura
profissional e descobri uma coisa: os “escolhidos” eram as pessoas mais diferentes
que tinham na turma, começava se configurar ali, antes de qualquer coisa, uma prova
de resistência a ser enfrentada, pois teríamos que começar juntos.
Como Cajazeiras concentrava um alunado
de diversas cidades circunvizinhas e até mesmo de outros estados, os cinco
mais novos estagiários tinham até as naturalidades todas diferentes: O primeiro
a aparecer na lista foi Bruno Carolino, natural de Cajazeiras mesmo. Tão calmo
que chegava a irritar tamanha era sua tranquilidade.
Vindo de Brejo do Cruz PB, o já citado
na postagem do xadrez: Elivaldino Clementino. Provocador, perturbava qualquer
ser vivo na sala de aula. Esse era de um jeito que tinha um apelido carinhoso de “Satanás”
na turma, rs. Por causa de suas armações, estava sem falar comigo a alguns meses,
e por isso pensei que seria o Calo da nova turma. Me enganei, quando ele soube
da notícia, veio ao meu encontro, me deu um abraço como se nada tivesse acontecido e disse: Estamos indo morar junto
em campina. E posso garanti, foi um dos mais fiéis durante o estágio.
E não veio só macho não, em meio a
essa euforia do resultado, eis que aparece Juliane Fernandes. Vinda de
Cachoeira dos Ìndios PB, estudiosa e metida a intelectual, não se batia muito Elivaldino,
mas agora, estávamos todos no mesmo barco e teríamos que remar juntos.
As barreiras do estado foram quebradas
e a participação cearense veio com Márcio Júnior que saiu do sítio Tipí,
município de Aurora no Ceará. O enigmático já trazia uma particularidade no
nome: O único Márcio JUNIOR que era filho de Seu Francisco, rs. O roqueiro que
adicionou ao seu estilo musical o forró quando chegou a Campina Grande, tinha
seu jeito digamos “esquisito”, rs, mas, um profissional muito competente se
mostrou no decorrer do estágio.
E eleito antes mesmo da viagem como
líder dessa miscigenação de pensamentos, eu sai de Nazarezinho com a missão de
apaziguar os conflitos e manter essa galera unida. Afinal, sem a união da
equipe não seria possível começar a vida numa cidade grande, sem parentes,
ganhando pouco e sem ao menos conhecer a cidade. E assim, nos reunimos em
Cajazeiras e partimos no Expresso Guanabara com destino a Campina Grande para
darmos início a uma nova etapa de nossas vidas.
Nas
cenas do próximo capítulo, falaremos da chegada à cidade grande, do impacto sentidos
pelos “heróis” e as primeiras dificuldades.
Francisco Trajano
