quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Conhecendo um show diferente



Para entender melhor a sequencia dos fatos, é preciso ter lido a postagem anterior intitulada “Corte de cabelo”.

            É, realmente, o final de semana estava apenas começando. Ainda no sábado, chegando em casa com o Irmão, não encontrei nenhum dos meus amigos que dividiam comigo o apartamento. Por uma parte achei bom não enfrentar as chacotas e brincadeira por causa do corte de cabelo. O que apenas adiaria um pouco para que isso acontecesse. Só que aí comecei a pensar: Isso não pode ser o fim do mundo, o cabelo cresce. Por um momento cheguei até a ficar com pena de tudo que disse pra cabelereira. Mas, aí de quem vir com piadinhas pra mim.

            Final da tarde, noite chegando. Só os caras que não chegavam. Então resolvi, não posso ficar trancado em casa por causa disso. Tomei um banho, botei uma roupa e como estava um pouco frio em Campina Grande, coloquei uma jaqueta preta por cima e lá vou eu de visual novo. Chamei o Irmão que ainda estava por alí para ir comigo até um shopping da cidade em busca dos companheiros. Caminhei pra lá e pra cá com a impressão de que todos estavam olhando diferente para mim. Fingi que aquilo não me incomodava e não encontrando os amigos, voltei ao apartamento.

            Chegando ao apt., continuava vazio. E foi aí que o Irmão veio com uma ideia: - Se os meninos não chegaram, vamos dar uma volta, vou te levar pra conhecer um lugar. Perguntei onde e ele disse apenas que era surpresa e que eu ia gostar.

            - Não acha que por hoje já basta o quanto confiei em você?

            Mas como não queria ficar alí preso, pensei comigo mesmo: - Não pode ser pior do que o que já aconteceu hoje. E assim, sai de moto com o Irmão, confiando a ele minha noite de sábado. E a moto seguia. Passamos pelo bairro de Monte Santo e descemos à avenida que dar acesso a universidade federal. Eu nunca tinha passado por alí, vendo a UFCG que tanto falavam ainda fiquei tranquilo, no entanto, quando passamos pelo açude de Bodocongó comecei a me preocupar – Esse doido parece que vai pra o sertão. E quando perguntei ele falou: Confia em mim. Esse era o grande problema, confiar nele.

            A moto parou em frente a um prédio de faixada desgastada, mas que nem dava pra perceber direito pela luminosidade do enorme letreiro na parede. E quando menos espero, estávamos entrando em uma boate de strip-tease. Eu nunca havia entrado em um ambiente daqueles, comecei a pensar o quanto estava afastado de casa, fiquei muito assustado quando vi a clientela que estava bebendo no local. O Irmão olhou pra mim e mandou ficar tranquilo. Não sei por que, mas não consegui acreditar nele. Uma vez dentro, lembrei que eu estava tão mal encarado e com o visual “diferente” quanto algumas figuras que estavam alí. Encarnei o personagem do cara mal de jaqueta preta, cabeça raspada e capacete na mão (pensei numa cena, rs) e fui até o balcão onde uma cafetina gorda atendia. Pedi uma cerveja, a atendente informou que a entrega na mesa teria um pequeno acréscimo. O bárbaro malvado aqui (kkkkkkkk) apenas virou as costas enquanto dizia: Mande uma de suas meninas deixar minha cerveja na mesa. Desfilei no meio daquele povo fazendo pose de malvado enquanto tremia de medo por dentro e fui pra mesa aguardar minha bebida.

            Logo na segunda vez que me serviu a garota já me pediu cigarros. Eu estava fazendo contas mentalmente pra ver quantas cervejas podia tomar com a grana que tinha... Olhei para o Irmão e falei: Esse galego trabalha pra mim, não ando com dinheiro. Vamos Galego, der o dinheiro pra o cigarro da menina. O Irmão me olhou com cara de insatisfação, mas deu. E você, fale com a Dona que se não começar um show em 5 minutos eu vou embora. Logo foi providenciado. Enquanto o show acontecia, eu tentava bolar uma saída rápida daquele lugar. A cada hora ficava mais carregado.

            Depois da quarta cerveja pelo dobro do preço dos locais onde eu costumava comprar, chamei a atendente e pedi a conta dizendo pra ela que estava indo encontrar uns amigo e que mais tarde voltaria para fechar o ambiente apenas para meu grupo. Conversei até preço pra isso. Ela se animou com a ideia. Paguei a conta e sai rezando pra moto do Irmão não ter sido roubada naquele lugar esquisito e pra gasolina dar pra chegar em casa, levando em consideração que só andava na reserva. Saímos dalí o mais rápido que podia e fomos direto para o apartamento. Chegando lá minha vizinha me olhava quase sem me reconhecer e depois segurando o riso, me informou que meus amigos estavam em uma festa no Parque do Povo.

Pedi ao Irmão que desaparecesse e demorasse uns dias para voltar, de preferencia, com ideias melhores.

 

Francisco Trajano


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