sábado, 15 de fevereiro de 2014

Rock no Cercado



Depois dos últimos acontecimentos, fiquei em casa por algum tempo sem buscar novidades. Mas o tempo não para e a vida continua, o cabelo cresceu. Cortei novamente, agora no lugar de sempre. Alí em frente à rodoviária velha.

Um dia, os meninos que dividiam apartamento comigo chegaram falando do mais novo point de encontro de Campina Grande. Era um local recém-inaugurado para um “público alternativo” segundo eles. Conhecido como “Cercado”, o espaço funcionava três noites na semana, cada uma delas com um estilo de música diferente. E não se falava em outra coisa. Os meninos sempre falando do tal lugar, que ouviram falar que era bom demais, dava muita gente, etc. No trabalho, não se falava em outra coisa. Já estava enchendo o saco.

E em uma sexta-feira, dia do rock, começaram a se preparar para ir conhecer o tão falado Cercado. Márcio Júnior, o mais empolgado de todos, veio perguntar se eu ia com eles naquela noite.

- Não Márcio, prefiro ficar em casa, assistir um filme e depois dormir.

- Vamos cabra mole, lá vai ser massa demais, disse que uma das atrações de hoje a noite será a banda Cabrueira. Bom, se você num for vai ficar sozinho. Pois os meninos vão todos.

Depois de um tempo, Rodrigo também veio me chamar. Quando vi todos se aprontando, percebi que ia ficar sozinho em casa. Então resolvi sair um pouco, acompanhar os amigos e ver se o tal lugar prestava. Saímos cedo, a ida teria que ser a pé pra economizar. O ambiente ficava nas imediações do Parque do Povo (local onde acontece o Maior São João do mundo). Quando chegamos já estava movimentado.

Eu saí de Nazarezinho, morei em Cajazeiras e nunca aprendi dançar nem o tradicional forró, que danado eu tava fazendo alí? Num lugar nunca frequentado antes? Um show de rock. E lá estava a cena: muita gente enchendo a cara em umas mesas que ficavam na lateral, uma música confusa muito alta que não dava pra entender nada e a poeira subindo do chão de terra, efeito esse produzido por um grupo de pessoas com enorme necessidade de provar num sei pra quem que são diferentes por serem jovens. Se empurravam, batiam cabeças e parecia mais uma briga. E eu alí olhando e pensando com todo meu excesso de matutisse que graças a Deus nunca perdi: Olha onde eu vim parar.

E quando olho, pra minha surpresa, meus colegas que tanto falaram do lugar e se diziam roqueiros, estavam alí de braços cruzados, comendo um pouco daquela poeira e apenas olhando o movimento. Aí resolvi aprontar, os empurrei para o meio daquilo que chamavam de dança e comecei a pular com eles. Sem entender nada, olharam pra mim perguntando se eu estava louco. – Não, apenas quero aproveitar junto com você o lugar “tão bom” que me falaram.

Quando voltaram à inércia, eu me despedi deles, peguei um mototaxi e fui pra casa dormir. Nunca mais voltei naquele lugar. Que loucura aquela. Quanto mais eu procuro, mais entro errado...

 

Francisco Trajano


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