Com poucas
opções de lazer no final de semana, vez por outra jogávamos sinuca como uma das
alternativas restantes. Tinha um funcionário da empresa que nos levava a uma
sinuca que ele conhecia. Chamarei aqui apenas de “irmão”, fazendo menção a um
tratamento usado por seguidores de determinadas igrejas, já que o mesmo se
dizia fazer parte de uma (nada contra). Mesmo assim, não era todo fim de semana
que dava pra jogar. Tinha que lavar a roupa, fazer comida e a faxina geral no
apartamento.
Em
um sábado pela manha, o Irmão chegou nos chamando para jogar e eu não aceitei.
Falei que além de todas as tarefas eu ainda precisaria ir ao cabelereiro,
levando em consideração a necessidade que se fazia visível rs. Sem ter o que
fazer, o amigo disse que aguardaria a conclusão das tarefas e me daria uma
carona de moto até o cabelereiro, depois que cortasse o cabelo eu poderia jogar
um pouco com ele. Ficou por alí de bobeira e acabou esperando o almoço.
Filada
a “bóia”, ele saiu comigo de moto para o salão que eu costumava ir. Este
desviou a rota e disse que me levaria a uma profissional amiga dele que
prestava o mesmo serviço. Aos poucos fui entendendo as verdadeiras intenções do
safado. Conhecido como o cara que aplicava pra cima de tudo que era mulher, ele
tinha um certo interesse na cabelereira, na qual me levou. Percebi isso nas
primeiras conversas ao chegar ao local. Esse meu “amigo” também trabalhava de
mototaxista e vendo uma cliente falando que precisava chegar rápido em casa, já
mudou o foco para outro rabo de saia. Deixou-me esperando a vez no salão e se
mandou com uma cliente.
Até
ai tudo bem. Quando chegou minha vez de ser atendido, sentei na cadeira, a
atendente colocou a camisa de proteção (que evita o contato com o cabelo
cortado) e começou organizar o equipamento a ser usado. Com a máquina de corte
na mão, ela então me perguntou: Número 2 ou 3? Acostumado com a outra
cabelereira, respondi apenas: 2! Esse número era o ajuste da altura do corte
que a máquina fazia, que era usada nas laterais e a parte de cima era feita com
a tesoura. A aprendiz ajustou o acessório da máquina e começou fazendo um “buraco”
começando bem no meio de minha cabeça.
Quando
olhei para o espelho e vi a situação, me desesperei na hora. Fiquei meio
estático e pensando comigo onde iria me esconder pelos próximos dias. Ia perder
o emprego, tinha que adiar a viagem a casa de minha mãe no sertão. Como
reencontrar meus companheiros, eles iam zoar bem pouquinho de mim... Bom,
exageros de pensamentos a parte, veio a prática. Eu gritei aquela mulher,
chamei-a de BURRA, que não sabia fazer nada, porque estava alí... E ela com as
mão tremulas e sem conseguir falar direito, olhava pra mim com aqueles olhos
enormes de medo e disse: Mas não foi o senhor que falou?
-
Cale a boca!
- E
agora? O que faço?
-
Passe a máquina com o número 2 agora em toda a minha cabeça (não acredito que
eu tava dizendo aquilo, mas era a única saída). Consiga um boné pra mim e se
não quiser que as coisas piorem pra você, NÃO ME FALE EM PAGAMENTO! Você está
me ouvindo?
Ela
apenas balançou a cabeça que sim e concluiu o serviço, a MER... que fez. Alguns
minutos depois chegou o irmão e foi me deixar em casa rindo o tempo todo de
minha cara.
Mas
quando eu pensei que tinha acontecido de tudo naquele sábado, me enganei e
muito. O fim de semana estava apenas começando...
Francisco
Trajano

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