Antes
da saída do hotel, tínhamos que resolver uma pendência. Há alguns dias as
roupas que ficavam sujas, estavam sendo acumuladas e precisavam ser limpas. Não
tinha mais a mamãe que recolhia tudo, lavava no final de semana e nos
entregavam todas chorosinhas não. Agora éramos nós e nós mesmos. No hotel era
proibido lavar roupas nos quartos, por isso lavávamos apenas as fardas do
trabalho as escondidas dentro do banheiro. Não tinha como pagar para mandar
lavar fora.
Recebemos
uma noite a visita do professor Alberdan, considerado por todos um paizão. Ele
foi professor nosso no curso técnico e estava acompanhando nossa estreia no
mercado de trabalho. Falamos das dificuldades encontradas na empresa, do nosso
dia-a-dia no geral e da roupa suja também. Ele nos ofereceu a casa de sua mãe
no bairro do São José para lavamos as roupas no fim de semana. Como não era
tempo de perder oportunidade, já deixamos agendada a visita a Dona Raimunda no
fim de semana.
No
sábado seguinte, seguimos todos para o São José, cada um com seu volume de
roupa suja. Tudo era motivo para brincadeira e alegria. Fizemos também um
sorteio para ver quem usaria a lavanderia primeiro e como seria a sequencia de
uso. E num ônibus coletivo, rindo da própria situação, seguimos destino para
literalmente lavar a roupa suja.
E na
casa de jardim muito bonito e bem cuidado, em meio a uma diversidade de plantas
e flores, surge uma senhora simpática, calma e que transmitia uma paz infinita com
sua voz e seu olhar. Dona Raimunda nos recebeu carinhosamente em sua casa e só
pelas informações que o filho deu, já gostou de todos nós. E naquele dia, não
encontramos apenas um lugar para lavar a roupa, ganhamos uma vovó muito
especial que nos tratou e nos deu atenção como se fossemos seus verdadeiros
netos. Depois de lavar a roupa e comer da comida da vovó, passamos parte da
tarde conversando com ela.
Final
da tarde, vimos que não era tão longe assim do São José para o centro, então
resolvemos fazer o percurso de volta a pé. Assim evitamos pegar um ônibus mais
uma vez com aquelas sacolas de roupas. Despedimos-nos da vovó que sempre estará
em nossa lembrança como a pessoa maravilhosa que nos acolheu em sua casa como
se fizéssemos parte da família. Como ela mesma falou, pessoas que eram amigas de
seu filho, também mereciam sua atenção e amizade.
A
realidade a ser enfrentada agora era o pensionato. Lá vamos nós descobrir o que era
morar em um ambiente um pouco diferente do que nos foi apresentado...
Francisco Trajano

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