sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Desbravando a Praça da Bandeira


Em respeito a quem acompanha minhas postagens, peço desculpas pelo tempo que passei sem postar nada. Inúmeros motivos (de ordem pessoal) impediram. mas estamos de volta e prometendo desde já voltar em um espaço de tempo menor. Obrigado! A aventura continua. rs.


E o pensionato da estreita Rua Rui Barbosa passou a ser nosso novo endereço. Durante a semana, o lugar onde apenas dormíamos. Acordávamos cedo e depois de uma caminhada curta, ficávamos a esperar o ônibus para um percurso de aproximadamente 30 minutos até a empresa. Lá no trabalho, tomávamos café e almoçávamos. No final da tarde, cansados daquela novidade do ambiente fabril, fazíamos o caminho de volta muitas vezes dormindo no ônibus.

Em um terraço grande nos fundo do pensionato, depois do jantar, a conversa era regada a temas diversos. Desde acontecimentos diários no trabalho a assuntos mais polêmicos como futebol, relacionamentos (para quem os tinham), família, religião. Falando em religião, Tinha gente no grupo que não sabia para que aquele negócio de reza (rsrs) ...de agradecimentos ... rs  ...mas acabava cedendo em nome de uma certa união que ainda estava bem acentuada entre todos. Algumas vezes o tema discutido acabava sendo quebrado pelo som de uma bendita fita cassete de Beto Barbosa que um hóspede chato insistia em escuta-la diariamente em um som que ficava no mesmo terraço.

Aos pouco começaram a se soltar. A noite já desciam alguns a pé até o hotel onde ficamos anteriormente apenas para conversar com Sr. Chico, o funcionário divertido que sempre tinha uma piada nova para contar ou um causo interessante. Comecei a orientar os meninos a não ficar de bobeira na rua e logo surgiu um apelido de matuto que tinha medo de andar na cidade grande. Alguns dias depois, me livrei de situações não muito confortáveis justamente por ser matuto (o que conto em postagens seguintes).

E quando as andanças foram aumentando, já íamos a Praça da Bandeira a noite olhar o movimento, ler manchetes de jornal nas bancas e olhar a invasão de pombos daquele lugar. E foi na praça que descobrimos um sertanejo que por ali vendia lanches há alguns anos e nas conversas, vimos que ele era “lá de nós”. Galego, como era chamado era uma simpatia e logo passou a chamar todos nós de “Cajazeiras” como me chama até hoje quando o encontro. Por um preço bem atrativo, o “salsichão” substituiu o jantar algumas vezes, regado sempre a boas conversas e risadas nos bancos da praça. Mas sempre lembrando de voltar ao pensionato as nove da noite. No retorno, uma paradinha rápida em um orelhão para dar notícias em casa, dizer que tava tubo bem, mesmo quando não estava tão bem assim, o importante na verdade era tranquilizar mamãe.

Chegando de volta a moradia nova, encontrávamos Seu Bíu (como chamávamos) no portão e pelo seu: Boa noite - era feito a denuncia de que ele já tinha esquentado o frio com a famosa branquinha. Gente muito boa Seu Bíu. Acompanhando o futebol das quartas-feiras a noite pela TV da sala, começamos a puxar conversa e descobrir figura gente fina que se escondia por traz daquela cara fechada de Rodrigo que falamos em postagem anterior. Ele estava ali mais ou menos na mesma situação que a nossa, apostando as fichas em um sonho de terminar um curso superior e conseguir um trabalho. Vindo apenas de mais longe ainda, do interior do estado do Ceará. O Skaitista era mais sociável. Charlistron (nem sei se escreve assim) gostava mais de conversar e ao mesmo tempo era mais esquisito com suas histórias de aventuras. Aos poucos fomos nos enturmando com a galera do pensionato e descobrindo a verdadeira face do ambiente.

E quanto ao orelhão da Rua Getúlio Vargas, o matuto aqui avisou que não era lugar de ficar sozinho à noite, ninguém deu ouvidos e deu no que deu. Mas isso é assunto para uma nova postagem. Espero que num espaço de tempo menos que a ultima...

Francisco Trajano

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