Em respeito a quem acompanha minhas postagens, peço desculpas pelo tempo que passei sem postar nada. Inúmeros motivos (de ordem pessoal) impediram. mas estamos de volta e prometendo desde já voltar em um espaço de tempo menor. Obrigado! A aventura continua. rs.
E o pensionato
da estreita Rua Rui Barbosa passou a ser nosso novo endereço. Durante a semana,
o lugar onde apenas dormíamos. Acordávamos cedo e depois de uma caminhada
curta, ficávamos a esperar o ônibus para um percurso de aproximadamente 30
minutos até a empresa. Lá no trabalho, tomávamos café e almoçávamos. No final
da tarde, cansados daquela novidade do ambiente fabril, fazíamos o caminho de
volta muitas vezes dormindo no ônibus.
Em um terraço
grande nos fundo do pensionato, depois do jantar, a conversa era regada a temas
diversos. Desde acontecimentos diários no trabalho a assuntos mais polêmicos
como futebol, relacionamentos (para quem os tinham), família, religião. Falando
em religião, Tinha gente no grupo que não sabia para que aquele negócio de reza
(rsrs) ...de agradecimentos ... rs ...mas
acabava cedendo em nome de uma certa união que ainda estava bem acentuada entre
todos. Algumas vezes o tema discutido acabava sendo quebrado pelo som de uma
bendita fita cassete de Beto Barbosa que um hóspede chato insistia em escuta-la
diariamente em um som que ficava no mesmo terraço.
Aos pouco
começaram a se soltar. A noite já desciam alguns a pé até o hotel onde ficamos
anteriormente apenas para conversar com Sr. Chico, o funcionário divertido que
sempre tinha uma piada nova para contar ou um causo interessante. Comecei a
orientar os meninos a não ficar de bobeira na rua e logo surgiu um apelido de
matuto que tinha medo de andar na cidade grande. Alguns dias depois, me livrei
de situações não muito confortáveis justamente por ser matuto (o que conto em
postagens seguintes).
E quando as
andanças foram aumentando, já íamos a Praça da Bandeira a noite olhar o
movimento, ler manchetes de jornal nas bancas e olhar a invasão de pombos
daquele lugar. E foi na praça que descobrimos um sertanejo que por ali vendia
lanches há alguns anos e nas conversas, vimos que ele era “lá de nós”. Galego,
como era chamado era uma simpatia e logo passou a chamar todos nós de “Cajazeiras”
como me chama até hoje quando o encontro. Por um preço bem atrativo, o “salsichão”
substituiu o jantar algumas vezes, regado sempre a boas conversas e risadas nos
bancos da praça. Mas sempre lembrando de voltar ao pensionato as nove da noite.
No retorno, uma paradinha rápida em um orelhão para dar notícias em casa, dizer
que tava tubo bem, mesmo quando não estava tão bem assim, o importante na
verdade era tranquilizar mamãe.
Chegando de
volta a moradia nova, encontrávamos Seu Bíu (como chamávamos) no portão e pelo
seu: Boa noite - era feito a denuncia de que ele já tinha esquentado o frio com
a famosa branquinha. Gente muito boa Seu Bíu. Acompanhando o futebol das
quartas-feiras a noite pela TV da sala, começamos a puxar conversa e descobrir
figura gente fina que se escondia por traz daquela cara fechada de Rodrigo que
falamos em postagem anterior. Ele estava ali mais ou menos na mesma situação que
a nossa, apostando as fichas em um sonho de terminar um curso superior e
conseguir um trabalho. Vindo apenas de mais longe ainda, do interior do estado
do Ceará. O Skaitista era mais sociável. Charlistron (nem sei se escreve assim)
gostava mais de conversar e ao mesmo tempo era mais esquisito com suas
histórias de aventuras. Aos poucos fomos nos enturmando com a galera do
pensionato e descobrindo a verdadeira face do ambiente.
E quanto ao
orelhão da Rua Getúlio Vargas, o matuto aqui avisou que não era lugar de ficar
sozinho à noite, ninguém deu ouvidos e deu no que deu. Mas isso é assunto para
uma nova postagem. Espero que num espaço de tempo menos que a ultima...
Francisco
Trajano

Nenhum comentário:
Postar um comentário