Retomando
a saga dos estagiários, com o passar dos dias, a reincidência do cachorro
quente na Praça da Bandeira como jantar, nos fez partir em busca de algo mais
parecido com a comida de casa. A dúvida era como conseguir isso a baixo custo.
E foi em uma conversa com o proprietário do hotel uma noite, que ele nos falou
de um pensionato na estreita Rua Rui Barbosa que fornecia marmitas a preço de estudante. Com sotaque indiano, ele nos disse:
Procura senhora dona de pensão e amiga minha que ela fornece marmita. Resolvemos então seguir o conselho dele.
Em
uma reunião noturna no saguão do hotel, combinamos uma visita no dia seguinte
ao pensionato para comprar o jantar e avaliar as condições do local
e os preços para hospedagem, já que nossos dias de hotel pagos pela empresa estavam
chegando ao fim e precisávamos definir um novo lugar para continuar acreditando
no sonho da efetivação no primeiro emprego. Ficou certo que todo mundo ia junto
já que era do interesse de todos.
E assim
foi, chegamos da empresa no dia seguinte, combinamos de nos encontrámos em 20
minutos na recepção do hotel após um banho rápido. E no horário combinado
seguimos todos para nossas descobertas no Pensionato Dona Milda. O pensionado
ficava a duas quadras dali e logo chegamos. Sr Bío fumando seu cigarro, nos
recebeu no portão e anunciou nossa entrada. Subimos a pequena escala e entramos
na sala grande onde duas pessoas assistiam TV. Logo surgiu a proprietária. Uma
senhora muito simpática, com uma voz mansa e muito prestativa, nos chamou para
sentarmos na cozinha enquanto ela preparava as marmitas que solicitamos. Ali
mesmo já perguntei se tinha vagas disponíveis para cinco pessoas, que queríamos
negociar preço. Ficamos de receber uma resposta do preço, mas estranhamente, um
pensionato no centro da cidade tinha sim, cinco vagas disponíveis.
Voltamos
ao hotel, gostamos da comida trazida do pensionato e mais ainda da ideia de
continuar com centro da cidade em um lugar que fornecia refeições mais
parecidas com as nossas do sertão. Feijão, arroz, macarrão e carne. Quem disse
que pão era janta pra nós? Agora faltava apenas negociar o preço, para isso já
marcamos de voltar no dia seguinte e fechar o negócio se fosse do acordo das
partes. Na equipe, combinamos que nas decisões, o voto da maioria definia.
Elivaldino já deixou definido: Meu voto é de Trajano, ele parti com dois votos
na decisão que tomar. Márcio e Bruno tinham que ganhar Juliane se quisessem
conseguir contrariar meu voto. Juliane aceitou a mudança para a pensão e aí, estava
decidido. Mesmo sem muitas opções, fomos acertar preço no dia seguinte.
Na
conversa com a dona do pensionato, acertamos o valor e já marcamos a data da
mudança. Olhamos os quartos masculinos. O que tinha disponível para nós, o acesso era por dentro de outro quarto. Enquanto olhavamos os quartos, um cara "esquisito" chegou de skate na mão e olhou meu que surpreso para seus futuros vizinhos de quarto. Já de saída, descobrimos o companheiro do esquisito. Esse chegou de cara fechada e continuou daquele jeito. O que nos fez apelida-lo carinhosamente de "cara de jegue". rs. Despois decobrimos duas pessoas maravilhosas naqueles dois "esquisitos". A vaga para o feminino na verdade era no mesmo quarto com a dona (que
era viúva) e uma filha de criação da mesma. Juliane olhou meio atravessada, mas
aceitou. Afinal estaríamos ali apenas para dormir e por pouco tempo, isso era o que esperávamos.
As novidades
estavam apenas começando a surgir, o pensionado só começaria mesmo mostrar sua
verdadeira face depois de alguns dias de convívio. Convívio esse que começaria
na sexta-feira, após uma mudança feita à noite, onde cada um levou sua mala nas
costas mesmo e fizemos pouso na segunda sombra para darmos sequencia a luta.
Francisco
Trajano

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