Primeiro quero
deixar bem claro que não pertenço a nenhum partido político e que não dependo
de nenhum deles, assim fico mais a vontade para falar. Segundo, a questão aqui não
é apenas a saúde pública, mas o atendimento na prestação do serviço público
(sem generalizar, afinal ainda existem raras exceções). Peguei o exemplo abaixo, porque foi ele que vivenciei.
Fui até a
secretaria de saúde do município fazer uma marcação de exames para uma pessoa
da família. Chegando lá me deparei com situações que me chamaram atenção.
Como era a primeira vez que eu fui usar dos serviços, pedi
informação na entrada e antes de me ouvi direito, o serviço de desinformação me
mandou para uma sala que não tinha nada haver. Chegando lá, bati na porta e dei
boa tarde quando entrei o que não funcionou muito. Acho que não entenderam a língua
que falei (mas foi português, só sei falar essa), quando pedi informação pela
segunda vez, um jovem sem olhar pra mim falou: - final do corredor, última sala
a direita, sala de marcação. Esse também não compreendeu o que eu queria já que
na tal sala de marcação, funcionava o agendamento online de consultas. Quando
consegui alguém que me desse 50 centavos de atenção, falei (pela terceira vez)
que era para marcar um EXAME e a pessoa conseguiu me mandar enfim para a sala
correta.
Chegando na
sala de marcação de exames, estava lotada. Um único atendente conversava ao
telefone (que tocava a cada instante) enquanto atendia as pessoas, anotava
marcações e nomes para busca de resultados dos exames em pedaços de papel soltos.
Após alguns minutos, surgiu uma moça para ajuda-lo. A moça na tentativa forçada
em ser simpática, chamava pacientes de “querido”, “amor” enquanto deixava
transparecer outros adjetivos no semblante de seu rosto. Quanta hipocrisia e
falsidade exposta.
O que mais me
revoltou na verdade foi quando uma senhora a minha frente tentava marcar uma ressonância
magnética para uma pessoa que estava em casa, e perguntou a atendente se tinha
como antecipar pois a pessoa estava sentindo fortes dores e não tinha condições
financeiras de fazer particular. A mulher quase chorando, com o ar de derrotada
pedindo ali, a atendente não olhou nem na cara dela e disse apenas: - hum hum, quase
que de costas para a solicitante, deixando claro que nem ouviu direito o que foi pedido. E a pobre mulher foi embora com a dor no olhar.
Eu
sei que não dar para atender todo mundo e as muitas urgências ao mesmo tempo,
mas.. São seres humanos que estão ali, não custa nada olhar no olho, dar um
pouco de atenção e escutar as pessoas. Respeito as pessoas no momento de
fragilidade maior é o mínimo que se pode fazer. Tem que humanizar o
atendimento, isso ajuda tanto quanto remédios. Não podemos esquecer por exemplo
quem está na fila e dar atenção especial a quem chegou por último, apenas
porque é amigo, isso é um DESCASO com quem já está ali humilhado e implorando
por um DIREITO que é seu. É preciso tratar o ser humano como SER HUMANO.
Francisco
Trajano

Seu texto é a regra, quando deveria ser uma exceção. O Serviço público de saúde deveria ser o melhor oferecido pelo governo, já que as pessoas chegam ali fragilizadas e precisam de atenção, esse tal "olho no olho".
ResponderExcluirLamentável, porém verdadeiro seu comentário Wolberg. Obrigado pela visita ao blog. Um abraço.
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