E na
empresa, continuava tudo bem. Muita novidade, muito conhecimento novo e muita
responsabilidade para manter-se a frete de um setor que estava em pleno
crescimento. O Windows era o 95, mais já se falava na popularização da nova
versão do Windows 98 e logo ele apareceu por lá também. E na montagem da rede
de computadores, vi pela primeira vez o padrão da combinação de cores do cabo
UTP par traçado e não esqueci até hoje.
Eu
não ganhava muito bem, mas fazia o que mais gostava. Trabalhava com
informática. E quando fazemos o que gostamos, nem vemos o tempo passar. O dia
era pouco para tanta coisa. E a cada dia que passava naquela expansão da
empresa, eu abraçava uma novidade diferente na área de TI. Primeiro vieram os
micros, depois as impressoras, posteriormente as balanças eletrônicas e assim
por diante. Mais ainda faltava alguma coisa.
Durante
o período de estágio e com a efetivação na sequencia, nunca perdi o contato com
a escola que me colocou no mercado de trabalho. Além de ficar mantendo o
contato, sempre defendi o nome da instituição onde quer que estivesse. Marquei
visitas técnicas para alunos concluintes, recepcionei-os na empresa e dei uma
atenção que gostaria de ter tido quando visitei. Foi quando falei com a empresa
para dar oportunidade de estágio para outros alunos do IFPB de Cajazeiras. Pedido
aceito, o gerente me convidou para ir com ele a escola fazer a seleção. Eu muito feliz, já fiz fechei tudo junto a escola.
Viajamos
a Cajazeiras e para mim foi uma satisfação enorme subir a rampa da escola,
agora como visitante ilustre que estava alí tentando retribuir um pouco do que
fizeram por mim. Fomos muito bem recebidos e acomodados. Meu gerente ficou
encantado com a escola, a recepção que tivemos e admirou minha popularidade
quando me viu ser reconhecido pelo vigilante, pelo jardineiro até chegar no
diretor. Todos me cumprimentavam, puxavam conversa e me viam como vencedor, que
eu já me considerava.
Não
posso deixar de registrar aqui um fato engraçado. Tinha um professor na escola
que não sei por que cargas d água não gostava muito de mim (acho que uma das
únicas pessoas daquela unidade de ensino). E no dia que estávamos nos
preparando para iniciar a seleção de estagiários naquela escola, o gerente
combinou que eu ficaria aplicando uma prova escrita e encaminhando os alunos
que fossem terminando para uma entrevista individual com ele numa sala do lado.
O tal professor chegou no final da conversa e olhando para mim, disse: Você
pode sair que eu aplico a prova. Apenas olhei para meu gerente e sorri enquanto
o mesmo mandou essa para o professor: Não, desculpa mais quem vai sair é você.
Não queremos ninguém da escola aplicando a prova e lembre-se, Trajano não é
mais aluno dessa escola. Ele está aqui hoje como empresa e empresa que quer
ajudar essa escola. Olhei para o professor, enquanto ele não sabia onde enfiar
a cara e não perdi a oportunidade: tchau professor, até mais tarde.
Terminando
o processo de seleção, a convite da direção da escola, fomos comer pirão de queijo
e galinha de capoeira em um restaurante tradicional no Bairro Jardim Oásis,
onde ficava a escola. Depois, subir para a Rainha da Borborema carregando
conosco, a expectativa de pessoas que como eu um dia, ficaram ansiosas pelo
resultado. Lembrei-me da minha seleção e vi o quanto as coisas mudaram. Agora
eu ia me reunir com a gerência da empresa e definir os escolhidos. Fiquei muito
realizado com aquela viagem.
Francisco
Trajano

Nenhum comentário:
Postar um comentário