Mas
antes de falar da nova morada na Rua Epitácio Pessoa, preciso contar como
cheguei a esse apartamento e a negociação para o aluguel.
E
depois de alguns contatos e indicações, me preparei para ir conversar com o
senhor dono do prédio que tinha o apartamento disponível. Antes de ir, um amigo
me avisou: O velho lá é ignorante, sabe seu Lunga? Pronto. É parecido. Depois
de pensar um pouco, imaginei comigo mesmo, o máximo que ele pode dizer é um
NÃO! Mais nada. Pensando assim, segui ao encontro do recomendado locador.
Chegando ao comercio do mesmo, encontrei um velho com uma aparência de
“casca-grossa”. Fui direto enfrenta-lo:
-
Bom dia Seu Zé, eu sou o rapaz que está interessado em alugar o apartamento
disponível que o senhor tem.
-
Bom dia, já me falaram de você. Você é de onde? E quantas pessoas vem morar aí
além de você?
- Eu
venho do sertão, de uma cidade chamada Nazarezinho, perto de Sousa, Cajazeiras,
aquele mundo alí. O Sr. Sabe onde fica? E pra cá vem eu e mais dois amigos.
Esses aqui são Rodrigo e Márcio.
-
Saber direito onde fica num sei, mas se é do sertão, lá tem fama dos cabras ser
direito, honesto e trabalhador. Assim, espero que você seja também. Tão fazendo
o que na cidade?
-
Viemos trabalhar e quando as coisas se estabilizarem mais pretendemos estudar
por aqui também. Estamos numa empresa têxtil fazendo um estagio na área
técnica. Estamos na luta para mudar a situação atual de vida.
- Gostei
do seu jeito, você será o responsável pela equipe. Tá aqui a chave, o
apartamento é o 101 no primeiro andar. Vão logo lá dar uma olhada e depois
acertamos o resto. A água e energia já estão inclusos no valor cobrado do
aluguel.
Estranhamos
a atitude de mandar olhar logo assim de cara, mas como ele deu um voto de
confiança por sermos do sertão, seguimos para ver o apartamento. Eu, Márcio e
Rodrigo analisamos o imóvel e gostamos muito. Tanto pelo espaço físico, preço e
pela proximidade do centro da cidade. Só faltava agora fechar o negócio. Desci
curioso para saber as exigências que o proprietário faria para isso. Assim que
voltei ele perguntou o que achamos e falei o quanto ficamos interessados. Agora
queria saber dele quais eram os pré-requisitos:
- O
senhor exige que tenha fiador (isso porque em outros casos pediram)?
-
Fiador aqui é sua palavra. Se num pagar, boto pra fora no outro dia e estamos
resolvidos. Aqui num tem esse negócio não. Se ver que vai atrasar, todo mundo
tem problema eu sei. Mas num vá dar uma de doido e passar na minha frente sem
dar nenhuma satisfação não, se não boto pra fora do mesmo jeito. Agora se
avisar, é conversando que se entende.
- E
o pagamento como é?
- O
normal de todo aluguel né? Paga a primeira hoje, se muda pra cá amanhã e a cada
30 dias eu quero o dinheiro. Na saída quero tudo limpinho como entreguei.
-
Precisa assinar alguma coisa?
-
Não, como falei o documento aqui é a palavra.
-
Tudo bem seu Zé, estamos acertados então. Mais tarde pegamos a chave, pagar o
primeiro mês e vamos fazer a mudança amanhã logo cedo.
- Só
mais uma coisa: Temos outros vizinhos aí, lembrem-se disso. Portanto, nada de
festinhas a noite toda com som alto. Onze da noite baixa o som para não
incomodar e não comam ninguém na escada tá certo? Palavras de Seu Zé!
- Tá
certo seu Zé (não teve como controlar o riso nessa hora, mais o velho continuou
sério). Mais tarde estaremos aí para lavar o apartamento.
Com
toda desgraça que falaram, a conversa com o velho foi tranquila e até mesmo
divertida. Eu agora estava indo dividir os sonhos e as contas com dois cearenses.
Um do Crato e outro de Aurora. Vamos ver no que é que dar!
Francisco Trajano

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