Reporto-me
novamente a um capítulo que quebra a cronologia dos fatos. Quando ainda
estávamos na formação original dos cinco sobreviventes do estágio, recebemos
uma visita. Tratava-se de um namorado de Juliane, também conhecido nosso da
época de escola técnica. O cara era gente boa. Mesmo assim, ele não podia ficar
de fora das armações de Elivaldino.
Com
a chegada da visita no apartamento da Praça Félix Araújo, Juliane, a mais
interessada em impressionar o visitante, cuidou da arrumação do ambiente e
ainda pediu que deixassem por conta dela o jantar daquele dia. O costume era
que houvesse um revezamento na cozinha, mas o padrão foi quebrado para atender
a solicitação. E numa tentativa de fazer algo diferente, Juliane exagerou em
alguns condimentos e justo no que o cara tinha alergia. Logo que começou a
comer, ele passou a espirar que quase num para mais. Márcio para não perder a
oportunidade de abrir uma discursão com Juliane comenta: Assim você perde o jantar
e o casamento minha filha!
Passado
o primeiro momento da estadia, no dia seguinte deixamos o hóspede no
apartamento e fomos ao nosso shopping favorito de domingo, a feira da prata. Na
volta, aguardávamos Elivaldino em um posto de gasolina na esquina da feira para
comprar o gás de cozinha que havia acabado justo naquele dia. Eis que surge o
indivíduo com uma enorme jaca nas costas e com a notícia de que tinha “descompletado”
o dinheiro do gás. Mesmo assim pedimos que o gás fosse entregue. Seguindo a
caminho de casa eu e Márcio (pra variar reclamando) com algumas sacolas, o
funcionário do posto com o botijão de gás em um carro de mão nos acompanhando e
Elivaldino com a jaca.
Ao
chegarmos em frente a praça, avistamos nossos colega visitante escorado na
entrada do prédio olhando o movimento da rua sem nem imaginar o que o
aguardava. Assim que o viu, Elivaldino comentou com o entregador de gás: Tá
vendo aquele cara na porta do prédio? Cobre o que falta pra ele, ele também
esta morando conosco. Ao chegar là, sem pensar duas vezes o funcionário abordou
o sujeito: Sr. Pediram que lhe cobrasse metade do valor do gás. Para não fazer
feio na casa da namorada, satisfeito ou não, ele meteu a mão no bolso e custeou
a despesa. Prometemos devolver pra ele o valor depois, coisa que ele espera até
hoje rs. Difícil mesmo é visitar estagiários e sair sem pagar nada.
A
jaca foi outro fator decisivo na visita. Como praticamente só quem comia jaca
era Elivaldino e não tínhamos geladeira naquele tempo, àquela jaca enorme ficou
aberta no chão por três dias e impregnou um cheiro forte pelo apartamento que
mesmo depois de jogar fora o resto e lavar o piso, aquilo permanecia. Isso
espanta mais visita do que a simpatia de colocar vassoura atrás de porta.
Resultado, com o tratamento dados pelos anfitriões, não há visitante que
aguente e nosso amigo pegou o caminho de volta para o sertão.
E
esse cabra safado que é o Elivaldino ainda fica me ligando para que eu não
esqueça de contar suas presepadas... rsrs.
Francisco
Trajano


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