segunda-feira, 3 de junho de 2013

Sonho em grupo sendo desfeito


O estagio transcorria, mais nada de efetivação na empresa. Quando estava próximo ao final do período de seis meses do contrato inicial de estágio, só se falava em renovar o estágio. Por problemas pessoais, Juliane anuncia sua saída da casa. A equipe começa a ser desfeita. Agora éramos apenas quatro para dividir todas as despesas e sonhos. A oportunidade de efetivação no mercado de trabalho estava difícil e agora a espera começa ficar mais dolorosa.
Após uma despedida simples e podemos dizer que triste, afinal, além de está perdendo uma colega de estágio, cada um viu seus planos ameaçados pela redução do grupo. Começamos a pensar em como manter o resto da equipe unida. Mas agora não era hora de desanimar. Chegando à rodoviária, com desculpas e abraços vimos Juliane embarcar de volta para Cajazeiras. A caminho de casa, já marcamos uma reunião na mesma noite, para discutir novos planos e reorganizar os dias futuros.
Pensando pelo lado bom, o apartamento só tinha dois quartos e um deles era ocupado por Juliane, enquanto sobrava um para os quatro homens. A divisão ficou melhor agora. Já a divisão dos custos mensais... Não sei nem como, mas apertamos um pouco o orçamento e passamos para a ponta do lápis todo e qualquer gasto da semana.
Quando pensamos que tudo estava mais calmo, eis que surgi mais uma novidade para ameaçar o futuro do grupo. Com a divulgação do resultado do vestibular da UFCG, Bruno Carolino foi aprovado para o primeiro período do curso de Letras (detalhe, para o Campus de Cajazeiras). Mais um companheiro começa a fazer as malas para voltar ao sertão na semana seguinte. Não podia ser diferente, com a saída de Bruno para a rodoviária, outra reunião foi marcada as pressas, dessa vez com uma pauta adicional. Além de reduzir os custos, tínhamos que cobrar da empresa o quanto antes a efetivação como técnico para tentar melhorar os proventos financeiros mensais.
Partimos os três com o mesmo pensamento para a empresa, cobrar melhorias. Com algumas especulações feitas a título de salário e perspectivas de melhorias, Elivaldino cobrou mudanças rápidas e de uma forma mais enérgica numa hora não muito boa no setor que estava estagiando. Pelo fato de não obter sucesso nas cobranças e ainda ser tratado de uma forma que considerou humilhante, ele resolveu colocar a CTPS em cima da mesa do seu superior direto e disse que não ficava mais nenhum dia na empresa. Elivaldino partiu no dia seguinte para tentar a sorte na capital João Pessoa. Deixando o fardamento para que eu entregasse tamanha foi à decepção perante o tratamento recebido.
Vida que segue. Se a situação já estava crítica, imaginem agora que o grupo se resumia a mim e Márcio Junior? Ele tinha os mesmo motivos que eu para continuar naquela luta, restava saber se tinha a mesma coragem. E se também sabia fazer mágicas para manter aluguel, água, luz, feira e demais gastos como os cinco faziam, só que agora eram só dois. Tinha que haver uma saída, já que voltar pra casa eu não contava como saída.
Agora a reunião apenas com duas cadeiras ocupadas era realmente mais que emergencial. Dava para insistir na ideia de continuar? Como? A conversa de menor plateia ia começar. Os dois, ainda estagiários, botamos a palavra futuro na mesa... E agora?



Francisco Trajano

Nenhum comentário:

Postar um comentário