O
estagio transcorria, mais nada de efetivação na empresa. Quando estava próximo
ao final do período de seis meses do contrato inicial de estágio, só se falava
em renovar o estágio. Por problemas pessoais, Juliane anuncia sua saída da
casa. A equipe começa a ser desfeita. Agora éramos apenas quatro para dividir
todas as despesas e sonhos. A oportunidade de efetivação no mercado de trabalho
estava difícil e agora a espera começa ficar mais dolorosa.
Após
uma despedida simples e podemos dizer que triste, afinal, além de está perdendo
uma colega de estágio, cada um viu seus planos ameaçados pela redução do grupo.
Começamos a pensar em como manter o resto da equipe unida. Mas agora não era
hora de desanimar. Chegando à rodoviária, com desculpas e abraços vimos Juliane
embarcar de volta para Cajazeiras. A caminho de casa, já marcamos uma reunião na
mesma noite, para discutir novos planos e reorganizar os dias futuros.
Pensando
pelo lado bom, o apartamento só tinha dois quartos e um deles era ocupado por
Juliane, enquanto sobrava um para os quatro homens. A divisão ficou melhor
agora. Já a divisão dos custos mensais... Não sei nem como, mas apertamos um
pouco o orçamento e passamos para a ponta do lápis todo e qualquer gasto da
semana.
Quando
pensamos que tudo estava mais calmo, eis que surgi mais uma novidade para
ameaçar o futuro do grupo. Com a divulgação do resultado do vestibular da UFCG,
Bruno Carolino foi aprovado para o primeiro período do curso de Letras
(detalhe, para o Campus de Cajazeiras). Mais um companheiro começa a fazer as
malas para voltar ao sertão na semana seguinte. Não podia ser diferente, com a
saída de Bruno para a rodoviária, outra reunião foi marcada as pressas, dessa
vez com uma pauta adicional. Além de reduzir os custos, tínhamos que cobrar da
empresa o quanto antes a efetivação como técnico para tentar melhorar os
proventos financeiros mensais.
Partimos
os três com o mesmo pensamento para a empresa, cobrar melhorias. Com algumas especulações
feitas a título de salário e perspectivas de melhorias, Elivaldino cobrou
mudanças rápidas e de uma forma mais enérgica numa hora não muito boa no setor
que estava estagiando. Pelo fato de não obter sucesso nas cobranças e ainda ser
tratado de uma forma que considerou humilhante, ele resolveu colocar a CTPS em
cima da mesa do seu superior direto e disse que não ficava mais nenhum dia na
empresa. Elivaldino partiu no dia seguinte para tentar a sorte na capital João
Pessoa. Deixando o fardamento para que eu entregasse tamanha foi à decepção
perante o tratamento recebido.
Vida
que segue. Se a situação já estava crítica, imaginem agora que o grupo se
resumia a mim e Márcio Junior? Ele tinha os mesmo motivos que eu para continuar
naquela luta, restava saber se tinha a mesma coragem. E se também sabia fazer
mágicas para manter aluguel, água, luz, feira e demais gastos como os cinco
faziam, só que agora eram só dois. Tinha que haver uma saída, já que voltar pra
casa eu não contava como saída.
Agora
a reunião apenas com duas cadeiras ocupadas era realmente mais que emergencial.
Dava para insistir na ideia de continuar? Como? A conversa de menor plateia ia
começar. Os dois, ainda estagiários, botamos a palavra futuro na mesa... E
agora?
Francisco
Trajano

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