Nossa saída do
pensionato não aconteceu de forma totalmente tranquila. Dentre outras coisas,
saímos também porque muito do acordado quando fomos pra lá não estava mais
sendo cumprido pela proprietária (aquele pensionato merece mais algumas
postagens, rs. Depois vou pedir autorização a alguns heróis que alí conhecemos
naqueles dias para contar mais algumas histórias de lá). Como precisávamos
voltar a fortalecer a equipe diante das baixas recém-ocorridas, lembrei-me que
precisava também me vingar da velha do pensionato. Encontrei a fórmula certa
para juntar as duas coisas.
Em postagens
anteriores, falei de Rodrigo, um cearense que cursava educação física na UEPB
(Universidade Estadual da Paraíba) e morava no pensionato. Quando fizemos
amizade com ele, Rodrigo me falou da insatisfação com a moradia. De tudo que
vinha sendo descumprido e que só não saía por que estava difícil arrumar um
lugar compatível com a situação financeira atual. Ele continuava lá mais pelo
atrativo do preço “de estudante”.
Em uma visita
despretensiosa ao meu amigo em um fim de semana, fiz algumas contas com ele
referente aos custos mensais para morar naquelas condições. Logo comecei a
puxa-lo pra meu lado. Dei a ideia de que ele podia morar mais perto da
faculdade. Falei de uma pequena cesta básica que recebíamos na empresa e
poderíamos dividir sem problemas. Que eu estava já sendo contratado (e rezando
pra acertar essa conversa que eu contava sempre que precisava animar alguém –
rs) e dava pra gente se virar. Estava resolvido, Rodrigo ia deixar o pensionato
e estava indo reforçar nosso time. Não podia ter aquisição melhor. Um cara
batalhador, cheio de sonhos assim com nós, que chegou ali com as mesmas
dificuldades e que agora era mais um a acreditar em meu projeto que sempre
tinha como tema: Vai dar tudo certo.
Paralelo a
isso, na empresa eu cobrava todos os dias a migração de estagiário para
efetivo. Até que um dia o gerente me chamou na sala e me veio com a seguinte
conversa: É, tem você e Márcio esperando contratação. Eu consegui apenas uma
vaga. Para evitar que tenhamos problemas, acho melhor aguardar surgir outra
vaga assim posso contratar os dois. Imediatamente eu entendi a jogada. Ele
precisava muito dos dois e ficou pensando em contratar apenas um e o outro
ficar desmotivado para continuar. Êpa, contrate um, seja ele qual for. E quer
saber do mais, contrate Márcio que é mais agoniado. De todo jeito vai está
melhorando a vida dos dois mesmo. O que não significa que eu vou diminuir
minhas cobranças, amanhã bato em sua porta novamente para cobrar melhorias para
mim. Bom, depois de muita conversa, minha ideia foi aceita e o gerente pediu
que Márcio trouxesse a documentação no dia seguinte para o tão sonhado processo
de contratação para o quadro efetivo.
Fazendo uma
avaliação, estávamos com um saldo bem positivo. Roubei um hóspede do pensionado
só pra me vingar, de tabela ainda reforcei a equipe com um cara gente fina. E
pra fechar com chave de ouro, conseguimos uma contratação. Era hora de procurar
o dono do prédio para pagar a diferença que prometi pra ele assim que a
situação financeira melhorasse. O cara foi muito simpático conosco e não quis
nada a mais pelo aluguel. Mas mantendo o foco ainda na redução de custo,
encontrei um apartamento maior e por um preço menor. Era hora de sair da Praça
Felix Araújo. Enquanto Rodrigo estava arrumando as coisas para se mudar, também
arrumamos as nossas e levantamos acampamento. Destino a Rua Epitácio Pessoa
onde recebemos o novo hóspede. Ô povo pra se mudar, ainda bem que não tinha
nada além da mala, a mochila, nosso fogão de duas bocas e o gravador de um deck
só. Bem vindo a casa Rodrigo, vida que segue. Você agora faz parte dos próximos
capítulos dessa história.
Francisco Trajano

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