sexta-feira, 11 de julho de 2014

Calote em Dick Vigarista


             Nessa vivência no mercado de trabalho, onde passamos mais tempo na empresa do que em nossa própria casa, encontramos cada figura mais exótica que a outra e que nos dão subsídios para contarmos boas histórias como a que lembrei agora. Conheci um cara que merecia ser estudado. Um dos apelidos que mais chamavam esse nosso amigo era “Dick Vigarista” (famoso personagem de um desenho animado que tentava levar vantagem em tudo). O chamarei apenas de Dick nesse episódio, quem nos conhece vai saber bem de quem estou falando e vai dar boas risadas. Vamos à matéria.
            Comprei um som usado que tinha um pequeno defeito no botão de volume, mas que o restante funcionava perfeitamente, assim me garantiu a dona. Quando olhei o som, pensei comigo: Troco o potenciômetro do botão de volume e estará tudo resolvido. Não sei se por maldade de quem me vendeu ou pura falta de sorte minha, mas logo no segundo dia que estava usando, o som apresentou um defeito intermitente no leitor óptico. Hora lia CD, hora não lia. Naquela época, além de ser difícil ser encontrado um leitor compatível, o custo muitas das vezes não compensava. Pensei em devolver, mas desisti da ideia, nunca “corri” de um negócio, não seria dessa vez. Instalei o som no meu quarto e no dia que ele bem queria, eu escutava em bom som meus poucos Cds. Quando não, ouvia apenas rádio!
            Numa tarde de sábado, Dick chegou ao apartamento e começou a conversar com outro amigo que tínhamos em comum do trabalho. Enquanto isso coloquei um CD e o som estava de bom humor, resolveu tocar. Dick chegou à porta do quarto e elogiou o som. Lembrei que ele já havia aprontado comigo. Imediatamente aumentei mais o volume pelo controle remoto e pensei comigo, hoje ele me pagar pelos negócios não muito bem sucedidos que fez com todos da equipe. Dick estava na minha mão e ia pagar pelo que fez. Enquanto ele falava bem do som, cuidei em dizer que era um objeto de estimação justamente pela qualidade. Não demorou muito e a proposta de negócio surgiu. Depois de muita insistência dele e “resistência” minha, fechei negócio. Troquei num celular e ele ainda me voltou o valor equivalente ao que eu tinha pagado no som.
            Dois dias depois Dick veio reclamar dos defeitos do som e eu aleguei que foram causados durante o transporte. Não me segurei por muito tempo, depois contei a equipe na empresa que tinha me vingado por todos. Alguns acabaram falando para o novo dono do som que ele havia sido enganado pelo matuto do sertão. Ele não gostou muito, mas, negócio era negócio! Passaram-se 10 anos e sai da empresa. Até hoje quando relembro essa história com a própria vítima, arrancamos boas risadas. E os contemporâneos da época dizem que uma das grandes conquistas minhas na temporada que passei naquela organização foi ter alcançado o feito de ser conhecido como o único a conseguir dar um “calote” em Dick Vigarista... rs. Eita tempo bom. Foi mal Dick, mas eu precisava fazer aquilo. Não pelo valor financeiro!

Francisco Trajano

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