Na busca por alguma coisa
para ocupar o tempo e também por algum retorno financeiro, me matriculei na
banda de música municipal, nos estudos para formação de uma nova turma. Por não ter
uma boa coordenação motora necessária para ficar na bateria, onde inicialmente
queria, acabei desistindo depois da primeira aula e partindo para novas
tentativas. Devido ao tipo físico franzino e uma estrutura corporal que não contribuía
muito, não podia pegar em instrumento de sopro que exigisse muito. Os
pratos, já tinham dono e nem sei se eu podia com eles, eu pesava uns quarenta e
cinco quilos aos dezesseis anos, só faltava ser levado pelo vento. Depois de
passar por vários testes, faltava alguém para a trompa e apesar de ser um instrumento de sopro, exigia menos que os outros, então, me habilitei.
Coitados dos vizinhos que tinham que ouvir milhares de vezes a escala sendo
feita nota a nota compassadamente. O maestro Manoel Gregório, gastou boa parte
do seu estoque de paciência comigo. Alexandre, filho do maestro também deu suas
contribuições na tentativa de me transformar num músico. Quando Bosco do sax
assumiu o comando da banda, deu mais algumas lições e achou melhor que eu começasse
a sair na rua com a banda em aparições nas principais datas festivas da cidade.
A banda 22 de dezembro era literalmente uma família. No trompete, meu tio José.
Na clarineta, minha tia Marluce. No sax tenor, Galdino, o esposo de minha tia e
nos pratos, Francimar um primo terceiro como assim considerávamos lá.
Nas datas festivas, lá estava eu às quatro e
meia da manha nas principais ruas da cidade, participando da execução daqueles famosos dobrados. A
cidade toda, aos poucos ia acordando. Abriam suas janelas e alguns mais animados saiam nas
ruas acompanhando a banda. Pense numa felicidade a minha! Naquelas manhas
frias, ao som dos estouros de foguetões e tocando o famosíssimo “Capitão Caçula”,
o dobrado carro chefe da banda, e como sempre abríamos a alvorada
festiva com ele. Quando lembrava a partitura,
tocava. Quando não, seguia “tocando de ouvido”. E assim, nas datas alusivas a
pátria, nas festas religiosas e no dia da cidade, lá estava eu, na
alvorada às cinco da manhã. As sete, o hasteamento das bandeiras municipal,
estadual e federal, acompanhado dos seus respectivos hinos. Hoje vejo como
interessante ter feito parte dessa fatia importante da história da cidade de
Nazarezinho, que foi a Banda de Música 22 de dezembro, mas na época, não pensava
assim. O que ainda me fazia continuar, era o salário de 30 reais que algumas
vezes eu tirava 2 reais para mim e entregava o resto para ajudar nas despesas
de casa.
Hoje,
quando escuto uma banda tocando dobrado, lembro com muita saudade daquele tempo
que, mesmo sem achar muita graça está ali, fiz parte daquele momento. Dos dobrados, alguns de composição do
maestro, outros de destaque nacional, lembros de títulos como o já citado
Capitão Caçula, 2 corações e IV Centenário. Posso não consigir separa-los direito pelos títulos, mas quando escuto algo parecido, me vejo com 16 anos novamente nas ruas
de Nazarezinho.

Realmente Trajano, bons tempos. Eu, diferentemente de você, não participei da banda 22 de dezembro, mas gostaria de ter participado, para poder dizer um dia que fiz parte daquela história. Parabéns colega e um grande abraço.
ResponderExcluirThiago, obrigado por visitar o blog e deixar seu comentário. Um abraço.. Trajano
ResponderExcluirVocê, para nossa família continua "tocando" a vida, fazendo jus ao título: "Homem dos 7 instrumentos"...
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