Depois de três meses no
pensionato, já convivíamos com certo desconforto por quebra de alguns acordos
por parte da proprietária. Começamos a procurar outro lugar para morar.
Um
fim de tarde quando voltávamos do trabalho, observamos na mesma rua do
pensionato uma casa com uma placa de “Aluga-se”. Era uma casa grande com fachada
no estilo barroco e com várias janelas na frente. A imagem não era das mais
amigáveis, parecia que não morava gente ali a muito tempo. Uma entrada na
lateral que servia de garagem onde um senhor fazia limpeza no momento. Pedimos
para olhar a casa e o senhor nos acompanhou. Sala ampla e sala de jantar,
quatro quartos, sendo um suíte. Uma cozinha enorme e um terraço nos fundos. Anotamos
logo o contato da proprietária e o endereço para falarmos pessoalmente com ela.
Apesar da pouca iluminação que deixava o imóvel mais sombrio, não levamos muito
em consideração. Precisávamos sair do pensionato e continuar no centro da
cidade, onde estávamos acostumados. Era tudo que queríamos no momento.
Era
a ideia perfeita. Uma casa daquele tamanho naquela localização ia atender além
de nossa necessidade. E naquela noite mesmo, na famosa reunião das decisões no
terraço dos fundos do pensionato, ficou tudo resolvido: Íamos ocupar dois dos
quartos da casa, sublocaríamos os outros dois e assim complementava a quantia
do aluguel, reduzindo o custo para nós. Pensamos inclusive na festa de
inauguração da nova moradia. Aquela garagem na frente era um local perfeito
para o evento. Só tinha mesmo que melhorar a iluminação, aquilo parecia um
cemitério. Tudo planejado faltava apenas falar com a dona da casa.
Visitamos
a dona da casa em sua residência para falar sobre a locação. A casa dela seguia
o mesmo estilo. Construção antiga, fachada parecida e pouca luz, isso logo
chamou nossa atenção. Sugue a proprietária, uma senhora já idosa, vestida toda
de branco e com um olhar fixo em cada um de nós como se quisesse ler nossa
mente através dos nossos olhos. Pouca conversa e ela fez três exigências: Deixa-la
pensar por um dia. Trazer um fiador no dia seguinte e desde já alertava que nos
faria vizitas para conferir se não estávamos sublocando parte do imóvel já que
isso era crime. Pensei – Caramba, como ela descobriu nossos planos? Rs. Como as
opções eram poucas para o momento e queríamos ficar no centro...
No
dia seguinte voltamos à casa da senhora. Dessa vez já levando conosco o
professor Chaquibe Costa como nosso amigo e fiador. Chaquibe deu boas
referencias nossas e disse para a proprietária que não se preocupasse. A
conversa foi rápida e ficou quase tudo acertado, no entanto, ela ainda pediu
mais um dia e nos deixou mais uma vez intrigados com o prazo e a exigência. Despedimos-nos
e lentamente ela entrou com seu vestido branco quase arrastando no chão. Agradecemos
a Chaquibe e apelamos para o dia seguinte. Já meio desanimados, ainda cogitou-se
na reunião de fim de noite, desistirmos da casa. Mas, muito insistente como
sou, resolvi ir até o fim para ver o que dava.
Na terceira
visita, essa mais rápida ainda, enquanto fitava em nossos olhos com um olhar
esquisito, ela nos despachou ali mesmo no terraço. Disse-nos de cara que não dava
mais certo à locação. Curioso, eu perguntei o motivo e ela nos disse que uma irmã
tinha falado na noite anterior que não era para alugar para nós. Teimoso como
sou, ainda insisti: Mas em uma de nossas conversas a senhora falou que não
tinha irmã, se tem, como ela pode reprovar a ideia se não nos conhece? Quando
nos respondeu: Não tenho irmã viva, essa que me falou ontem, morreu á dois
anos... Entreolhamos-nos rapidamente,
cada um com uma cara mais espantada. Despedimos-nos dela e nunca mais voltamos ali.
De volta ao
pensionato, teríamos que esperar mais um mês, enquanto as coisas se
definiriam melhor na empresa, antes de tomarmos outra decisão qualquer.

Como ela descobriu os planos de sublocação???? Lendo a mente de vocês, claro!!!
ResponderExcluirMistério.... rsrs
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