sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Estagiários e as referências do além!



Depois de três meses no pensionato, já convivíamos com certo desconforto por quebra de alguns acordos por parte da proprietária. Começamos a procurar outro lugar para morar.

                Um fim de tarde quando voltávamos do trabalho, observamos na mesma rua do pensionato uma casa com uma placa de “Aluga-se”. Era uma casa grande com fachada no estilo barroco e com várias janelas na frente. A imagem não era das mais amigáveis, parecia que não morava gente ali a muito tempo. Uma entrada na lateral que servia de garagem onde um senhor fazia limpeza no momento. Pedimos para olhar a casa e o senhor nos acompanhou. Sala ampla e sala de jantar, quatro quartos, sendo um suíte. Uma cozinha enorme e um terraço nos fundos. Anotamos logo o contato da proprietária e o endereço para falarmos pessoalmente com ela. Apesar da pouca iluminação que deixava o imóvel mais sombrio, não levamos muito em consideração. Precisávamos sair do pensionato e continuar no centro da cidade, onde estávamos acostumados. Era tudo que queríamos no momento.

                Era a ideia perfeita. Uma casa daquele tamanho naquela localização ia atender além de nossa necessidade. E naquela noite mesmo, na famosa reunião das decisões no terraço dos fundos do pensionato, ficou tudo resolvido: Íamos ocupar dois dos quartos da casa, sublocaríamos os outros dois e assim complementava a quantia do aluguel, reduzindo o custo para nós. Pensamos inclusive na festa de inauguração da nova moradia. Aquela garagem na frente era um local perfeito para o evento. Só tinha mesmo que melhorar a iluminação, aquilo parecia um cemitério. Tudo planejado faltava apenas falar com a dona da casa.

                Visitamos a dona da casa em sua residência para falar sobre a locação. A casa dela seguia o mesmo estilo. Construção antiga, fachada parecida e pouca luz, isso logo chamou nossa atenção. Sugue a proprietária, uma senhora já idosa, vestida toda de branco e com um olhar fixo em cada um de nós como se quisesse ler nossa mente através dos nossos olhos. Pouca conversa e ela fez três exigências: Deixa-la pensar por um dia. Trazer um fiador no dia seguinte e desde já alertava que nos faria vizitas para conferir se não estávamos sublocando parte do imóvel já que isso era crime. Pensei – Caramba, como ela descobriu nossos planos? Rs. Como as opções eram poucas para o momento e queríamos ficar no centro...

                No dia seguinte voltamos à casa da senhora. Dessa vez já levando conosco o professor Chaquibe Costa como nosso amigo e fiador. Chaquibe deu boas referencias nossas e disse para a proprietária que não se preocupasse. A conversa foi rápida e ficou quase tudo acertado, no entanto, ela ainda pediu mais um dia e nos deixou mais uma vez intrigados com o prazo e a exigência. Despedimos-nos e lentamente ela entrou com seu vestido branco quase arrastando no chão. Agradecemos a Chaquibe e apelamos para o dia seguinte. Já meio desanimados, ainda cogitou-se na reunião de fim de noite, desistirmos da casa. Mas, muito insistente como sou, resolvi ir até o fim para ver o que dava.

Na terceira visita, essa mais rápida ainda, enquanto fitava em nossos olhos com um olhar esquisito, ela nos despachou ali mesmo no terraço. Disse-nos de cara que não dava mais certo à locação. Curioso, eu perguntei o motivo e ela nos disse que uma irmã tinha falado na noite anterior que não era para alugar para nós. Teimoso como sou, ainda insisti: Mas em uma de nossas conversas a senhora falou que não tinha irmã, se tem, como ela pode reprovar a ideia se não nos conhece? Quando nos respondeu: Não tenho irmã viva, essa que me falou ontem, morreu á dois anos...  Entreolhamos-nos rapidamente, cada um com uma cara mais espantada. Despedimos-nos dela e nunca mais voltamos ali.

De volta ao pensionato, teríamos que esperar mais um mês, enquanto as coisas se definiriam melhor na empresa, antes de tomarmos outra decisão qualquer.

 

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