Sempre
fui muito curioso e desde cedo comecei a observar as coisas e procurar
respostas para as que mais me intrigavam. Com apenas sete anos de idade,
comecei olhar a parte de cima das portas e imaginar como eram empilhados os
tijolos naquele local da parede, sem que os mesmo caíssem. Meu pai trabalhava
com construção e visitando uma obra com a mesma idade, descobrir que não era
mágica, era feita uma viga de concreto, quando secava colocava sobre a passagem
da porta e seguia empilhando tijolos em cima da viga. Quando vi aquilo pensei
comigo mesmo – posso não saber, mas há resposta para tudo.
Quando eu tinha dez
anos, meu pai comprou um motorádio preto, modelo bem famoso, que foi a
primeira evolução tecnológica em nossa residência. Nele, ouvíamos noticiário,
músicas e acompanhávamos até jogos de futebol. Vi outro dia na casa de um
vizinho um rádio parecido com o nosso, no entanto, tinha um fio conectado a uma
tomada. Diferente do nosso, o rádio do vizinho era alimentado por energia
elétrica. Daquele dia em diante, procurei conversar sobre eletricidade com meus
colegas, mas esses tinham menos informação do que eu. Até que encontrei um
adulto falando sobre o assunto em um acaso e parei para escutar. Em meio à
conversa, escutei a nomenclatura de positivo e negativo quando ia se referia à
fase e neutro. Quando cheguei em casa, resolvi analisar com mais calma meu
rádio, já que eu só havia aberto para trocar as pilhas quando essas chegavam ao final de sua vida útil.
Enquanto olhava o rádio aberto, percebi que na pilha tinha um sinal de positivo
(+) de um lado e do outro o sinal de negativo ( - ). Juntando minhas aulas de
matemática e o entendimento do que escutei do eletricista, comecei a ter uma ideia.
Se na tomada elétrica tem positivo e negativo igual tem na pilha, porque usar
pilha se eu posso alimentar meu rádio com eletricidade?
Tava
resolvido, eu era um gênio. Descobri uma forma de economizar. Imagine quando eu
colocasse o rádio para funcionar na energia e falasse a novidade em casa? Parti
para a execução do meu projeto. Logo consegui um fio com um garfo que antes era
usado em um ferro de passar. Removi as pilhas do rádio e nos locais de encaixe,
enrolei as pontas do fio desencapadas. Ficaram bem separadas para não entrar em
curto e tive o cuidado ainda com a estética e passei o fio por uma abertura
trazeira que servia originalmente para entrada de ar no equipamento. Projeto concluído estava na
hora de fazer o teste. Confesso que o teste me deixou apreensivo. Mas como o
ápice de todo projeto é confirmar o funcionamento, lá vamos nós. Desenergisei a
casa, desligando o único disjuntor que havia no medidor que ficava na sala. Fui
com o resultado da minha astúcia para a cozinha e conectei em uma tomada o
chicote adaptado. Pedi que meus irmão saírem da cozinha e depois que todos
estavam na sala, rearmei o disjuntor... Após um estouro que mais parecia
bombinha de São João, olhando para o hall que na minha época chamava de “corredor”,
deu pra ver a fumaça que vinha da cozinha.
Resultado,
ficamos alguns dias sem nosso mais moderno meio de comunicação até que um herói
que realmente entendia de eletrônica e eletricidade conseguiu não sei como, coloca-lo
para funcionar novamente. Quanto ao gênio aqui, fez apenas jus aos ditos da
história, também tinha um pouco de louco que foi o que ficou em evidência dessa
vez.
Francisco Trajano


Oh! Menino traquino...
ResponderExcluirPensando em descartar de uma vez por todas as benditas pilhas.. rs. Pense numa invenção!
ExcluirÉ Trajano, a lição que se pode tirar disso é que se você não tivesse ligado talvez nunca soubesse o que iria acontecer.
ResponderExcluirVerdade, Obrigado pela visita e por deixar seu comentário, um abraço..
ExcluirPor isso contrato você para dar assistência a nossas "máquinas" pois os testes que supostamente faria com estas já os fez com "aquelas" dos seus tempos de "ações empíricas".
ResponderExcluirOw menino astucioso, né não?
ResponderExcluirVerdade... rsrsrs
Excluir