segunda-feira, 23 de abril de 2012

Uma idéia genial


Sempre fui muito curioso e desde cedo comecei a observar as coisas e procurar respostas para as que mais me intrigavam. Com apenas sete anos de idade, comecei olhar a parte de cima das portas e imaginar como eram empilhados os tijolos naquele local da parede, sem que os mesmo caíssem. Meu pai trabalhava com construção e visitando uma obra com a mesma idade, descobrir que não era mágica, era feita uma viga de concreto, quando secava colocava sobre a passagem da porta e seguia empilhando tijolos em cima da viga. Quando vi aquilo pensei comigo mesmo – posso não saber, mas há resposta para tudo.

          Quando eu tinha dez anos, meu pai comprou um motorádio preto, modelo bem famoso, que foi a primeira evolução tecnológica em nossa residência. Nele, ouvíamos noticiário, músicas e acompanhávamos até jogos de futebol. Vi outro dia na casa de um vizinho um rádio parecido com o nosso, no entanto, tinha um fio conectado a uma tomada. Diferente do nosso, o rádio do vizinho era alimentado por energia elétrica. Daquele dia em diante, procurei conversar sobre eletricidade com meus colegas, mas esses tinham menos informação do que eu. Até que encontrei um adulto falando sobre o assunto em um acaso e parei para escutar. Em meio à conversa, escutei a nomenclatura de positivo e negativo quando ia se referia à fase e neutro. Quando cheguei em casa, resolvi analisar com mais calma meu rádio, já que eu só havia aberto para trocar as pilhas quando essas chegavam ao final de sua vida útil. Enquanto olhava o rádio aberto, percebi que na pilha tinha um sinal de positivo (+) de um lado e do outro o sinal de negativo ( - ). Juntando minhas aulas de matemática e o entendimento do que escutei do eletricista, comecei a ter uma ideia. Se na tomada elétrica tem positivo e negativo igual tem na pilha, porque usar pilha se eu posso alimentar meu rádio com eletricidade?
Tava resolvido, eu era um gênio. Descobri uma forma de economizar. Imagine quando eu colocasse o rádio para funcionar na energia e falasse a novidade em casa? Parti para a execução do meu projeto. Logo consegui um fio com um garfo que antes era usado em um ferro de passar. Removi as pilhas do rádio e nos locais de encaixe, enrolei as pontas do fio desencapadas. Ficaram bem separadas para não entrar em curto e tive o cuidado ainda com a estética e passei o fio por uma abertura trazeira que servia originalmente para entrada de ar no equipamento. Projeto concluído estava na hora de fazer o teste. Confesso que o teste me deixou apreensivo. Mas como o ápice de todo projeto é confirmar o funcionamento, lá vamos nós. Desenergisei a casa, desligando o único disjuntor que havia no medidor que ficava na sala. Fui com o resultado da minha astúcia para a cozinha e conectei em uma tomada o chicote adaptado. Pedi que meus irmão saírem da cozinha e depois que todos estavam na sala, rearmei o disjuntor... Após um estouro que mais parecia bombinha de São João, olhando para o hall que na minha época chamava de “corredor”, deu pra ver a fumaça que vinha da cozinha.
Resultado, ficamos alguns dias sem nosso mais moderno meio de comunicação até que um herói que realmente entendia de eletrônica e eletricidade conseguiu não sei como, coloca-lo para funcionar novamente. Quanto ao gênio aqui, fez apenas jus aos ditos da história, também tinha um pouco de louco que foi o que ficou em evidência dessa vez.
Francisco Trajano

7 comentários:

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    1. Pensando em descartar de uma vez por todas as benditas pilhas.. rs. Pense numa invenção!

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  2. É Trajano, a lição que se pode tirar disso é que se você não tivesse ligado talvez nunca soubesse o que iria acontecer.

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    1. Verdade, Obrigado pela visita e por deixar seu comentário, um abraço..

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  3. Por isso contrato você para dar assistência a nossas "máquinas" pois os testes que supostamente faria com estas já os fez com "aquelas" dos seus tempos de "ações empíricas".

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