sexta-feira, 10 de maio de 2013

Mais desafios


Depois da “noitada” na boate Morron Café, quando conseguimos reunir todo mundo novamente no sábado pela manhã, bem vindos a realidade! Tínhamos que sair para comprar a mobília. Cada um com seu colchonete e os quartos já estavam ok. A cozinha só tinha o nome. Na sala, apenas nosso som (aquele gravador de um deck) e nossa coleção de fita cassete, uma de Raul Seixas, uma de sertanejo e outra de forró. 
E lá estávamos nós nas compras. Nossa primeira aquisição foi um fogão de 2 bocas e um botijão de gás. Isso depois de pechinchar muito na Rua João Pessoa. Como as coisas eram muito caras, deixamos as panelas para comprar no dia seguinte lá na famosíssima Feira da Prata. Sem panelas, sem almoço no sábado. Já meio que azuis de fome, descobrimos perto da nossa nova moradia, um trailer que vendia um sanduíche chamado Nordestão. Conhecido pelo seu tamanho, uma das propagandas era que, ninguém conseguia comer um desse sozinho. Acho que quando disseram isso, não contavam com nossa visita lá.
E no domingo cedinho, seguem os “heróis do estágio” para a Feira da Prata. Olhamos todo o movimento da feira. Tomamos caldo de cana e comemos aquele pastel com um sabor que só se acha na feira mesmo. Descobri que na Prata se achava de tudo, desde de celular a parafuso de cabo de serrote. Numa promoção, compramos as panelas, conchas e a cuscuzeira no mesmo lugar. Aproveitei para levar um feijão verde, assim seria mais fácil e rápido para cozinhar. Feira feita, voltamos ao apartamento para preparar o primeiro almoço pós mudança. E assim, tivemos o que só não chamamos de mesa farta, porque na verdade “mesa” não havia. Mas tinha feijão, arroz e carne assada. E alí, no chão da sala mesmo, almoçamos conversando e nos divertindo da própria situação.
Agora era dormir um pouco, e lavar roupa. Por que a segunda-feira estava já batendo a nossa porta e tínhamos que encarar as dúvidas e incertezas de um estágio. Caminhávamos já para o quinto mês, e nenhuma promessa concreta de efetivação para nenhum de nós. O medo maior era que algum deixasse o barco, aí automaticamente as despesas aumentariam para os que ficassem. Tentei encorajar sempre a todos até para minha própria sobrevivência em Campina Grande. Para minha falta de sorte, o que eu mais temia aconteceu... A equipe começou a ser desfeita...
E agora? Como permanecer com menos de algo que já era pouco? Quem deixaria a casa? Quem sobreviveria comigo? Já que desistir era uma palavra que eu rasguei e joguei fora quando saí do sertão para Campina.

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